Hugo Corrêa - Alter Ego (Conto)
ALTER EGO Hugo Corrêa - Este é o seu Alter Ego, senhor. Tenha a bondade de assinar o recibo. Antônio abriu a caixa e recuou, espantado. Lá estava ele, os braços junto ao corpo, completamente nu e sem movimento. Se a posição ereta não fosse anormal numa pessoa que dorme, ele teria tentado acordar o androide, tão fiéis à vida pareciam a cor da pele, as pequenas rugas começando a aparecer perto dos olhos, os lábios finos, a testa alta. O cabelo liso estava penteado com cuidado, como o do seu semelhante humano. Pegou a caixa de controle e, seguindo as instruções, colocou o androide em movimento. Andava devagar e naturalmente, sem nenhum dos movimentos grotescos tão típicos dos autômatos do passado. Era justamente como se possuísse realmente ossos, músculos, nervos e os órgãos de um ser vivo. Antônio dirigiu-o nas ações elementares - sentar-se, vestir-se, acender um cigarro, coçar o ouvido. "Se os proprietários de androides desejam tirar deles a máxima satisfação" - dizia o manua...