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Mostrando postagens de 2025

Um Estranho numa Terra Estranha por Neil Gaiman (Prefácio)

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I NTRODUÇÃO A  U M ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA por Neil Gaiman — Um estranho numa terra estranha  é considerado, e costuma ser descrito dessa forma, o arquétipo de um romance de ficção científica dos anos 1960. Afinal de contas, ele não foi de fato uma parte essencial da contracultura da época? Não contém filosofias e modos de vida que as pessoas tentaram incorporar no cotidiano? Não ajudou a criar a onda do pensamento e do amor livres? Bem, sim. Mas suas atitudes, e a época do texto, estão solidamente enraizadas nos anos 1950. Quando escreveu o  Estranho , Robert A. Heinlein era o mais importante autor dos “juvenis de FC”, livros de ficção científica voltados para jovens leitores, nos Estados Unidos (os marcianos e o planeta Marte de Estranho tiveram sua origem, na verdade, em um livro juvenil de 1949, chamado  O planeta vermelho ). Heinlein queria escrever um romance que fosse “adulto”, e que faria dele muito mais do que um autor de livros juvenis. Então decidiu m...

Personagens pitorescos — William F. Nolan

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A LOS MUCHOS PERSONAJES PINTORESCOS QUE NOS ACOMPAÑARON EN NUESTRA ADOLESCENCIA por  William F. Nolan — y estuvieron presentes mientras escribía este libro: Al doctor Frankenstein y Mickey Mouse A Jac, Dock y Reggie y el Templo de los Vampiros A Fu Manchú, John Silver «el Largo», Tom Mix y Buck Jones A la Iliada y la Odisea, a Superman y a la Avispa Verde A Jack Armstrog, al Muchacho Americano Cien por Cien y al Jorobado de Nuestra Señora de París A Gunga Din, King Kong y el Mago de Oz A Mr. Hyde y al Fantasma de la Opera Al Lobo del Mar, al capitán Nemo y a la Gran Ballena Blanca Al Murciélago y a Robín de los Bosques, a la Tierra Negra, Ted Sturgeon y las Orejas de Johnny el Oso A Rhett Butler y a Jiminy Cricket A Matthew Arnold, Robert Frost y el Hombre Desintegrado A nuestro Mundo Loco A Dante, el doctor Lao y Dick Tracy A Punch, al Mentiroso Inmortal y a las chicas vestidas de verano A la Máscara de Hierro A Marco Polo y a las Crónicas Marcianas A Bogie y al Halcón de Malta A...

O humano alienígena — Cixin Liu (trecho)

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  O humano alienígena  (trecho) por Cixin Liu —   Os olhos baços de Dongfang Yanxu se encheram de infinita tristeza. — Só sei que somos os primeiros seres humanos a ir para o espaço. — Como assim? — Esta é a primeira vez que a humanidade vai de verdade para o espaço. — Ah. Entendi. Antes, por mais longe que os seres humanos viajassem pelo espaço, ainda assim não passavam de uma espécie de pipa presa à Terra. Estavam ligados ao planeta por uma linha espiritual. Agora, essa linha foi cortada. — Isso mesmo. A linha foi cortada. A mudança essencial não é o fato de que a linha foi solta, e sim de que a mão desapareceu. A Terra está se encaminhando para o fim dos tempos. Na verdade, na nossa cabeça ela já morreu. Nossas cinco espaçonaves não estão conectadas a nenhum mundo. Não há nada à nossa volta além do abismo do espaço. — É mesmo. A humanidade nunca enfrentou um ambiente psicológico assim antes. — Exato. Neste ambiente, a própria base do espírito humano vai se transformar....

MICRO INVASÃO — Poesia Narrativa de Herman A. Schmitz

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MICRO INVASÃO Poesia narrativa de Herman A. Schmitz — Ainda é difícil para mim acreditar que a invasão começou no meu próprio quintal num domingo fim de tarde tranquilo por volta das cinco horas e que é pior foi de dentro de mim usaram o meu próprio corpo para localizarem a terra e a invadi-la Tudo começou quando Estava cortando as unhas do meu pé esquerdo e avistei na ponta do dedão a minha frente umas manchas esbranquiçadas que logo tomaram a forma de algo metálico de diminutas embarcações girando no espaço e saindo do dedo em formação alinhada ordenada de duas em duas o que era visivelmente artificial A princípio duvidei daquilo tudo minha mente ociosa se recusava a aceitar aquelas naves minúsculas como sendo algo mais que uma agradável ilusão de ótica provocada pelos raios oblíquos do sol Mas a insistência daquele voo de insetos sem nenhum zumbido me fez sair lentamente da minha letargia para dar um piparote ao acaso em uma das naves mais próximas Imediatamente recuei horrorizado p...

Ray Bradbury por Carlos Vogt (Prefácio)

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A nave da melancolia por Carlos Vogt — Ray Douglas Bradbury nasceu em 1920 em Waukegan, Illinois, nos Estados Unidos. Condensada em poucas palavras, essa informação, contudo, é fundamental para compreender alguns aspectos marcantes da obra desse escritor, mundialmente conhecido e tão ligado às lembranças de sua infância. Bradbury tem uma obra vastíssima que inclui contos, romances, peças de teatro, rádio, televisão, poesia, fábula, antologias, literatura infantil, obras de não-ficção e roteiros de filmes, entre os quais o de Moby Dick , baseado no romance de Hermann Melville. Dirigido por John Huston, com quem Bradbury teve um relacionamento difícil, o filme foi lançado em 1956 com o sucesso que a premiação do Oscar só viria reforçar. Por paradoxal que pareça, mesmo em seu romance mais conhecido, Farenhiet 451 , de 1953, que ele próprio aponta como sua única obra verdadeiramente de ficção científica, há em sua literatura uma marca indelével de melancólica saudade que subsume ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Fredric Brown por sua esposa

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  APRESENTAÇÃO   Fred detestava escrever. Mas gostava muito de ter escrito. Era capaz de entregar-se a toda espécie de atividade só para retardar o momento em que finalmente tinha de sentar-se à máquina: espanava a mesa, tocava flauta, lia um pouco, tornava a tocar. Ou, se residíamos numa cidade em que não houvesse carteiro, iria pessoalmente ao Correio buscar a correspondência, e, de caminho, convidava alguém para uma partida — às vezes duas ou três — de xadrez ou cartas. Quando finalmente voltava para casa, decidia já ser tarde demais para dar início ao trabalho. Após dias dessa prática, sua consciência acabava por doer. Era então que se entregava efetivamente ao trabalho, produzindo algumas linhas, ou mesmo páginas inteiras. Fosse como fosse, os livros aí estão escritos. Não era autor prolífico. Em média, enchia três páginas por dia. Às vezes, quando o livro parecesse escrever-se por si, sua produção diária subia para seis ou sete laudas; o que entretanto era raro. ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Machado de Assis e a Ficção científica

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  Machado de Assis e a ficção científica Por  Roberto de Sousa Causo   A FICÇÃO CIENTÍFICA brasileira existe desde meados do século XIX. Essa é uma afirmativa que, ao mesmo tempo em que é incontestável, exige explicações e qualificativos, especialmente porque a ocorrência de FC no país é bastante esporádica. O quadro de inconstância se dá, curiosamente, entre os anos de 1857 e 1957, um lapso de cem anos que forma o que chamei de Período Pioneiro da Ficção Científica Brasileira — e de saída admito que cem anos são de fato muito tempo para agrupar uma determinada circunstância literária.   Esse período, é claro, possui momentos e situações bastante variadas, mas é justo levantar dois pontos que circunscrevem muito da sua identidade: primeiro, a maior parte daquela produção ficcional aderia aos modelos narrativos e às convenções literárias do século XIX, especialmente o romance de aventura e de capa e espada, o conto de subjetividade romântica, a narra...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Azazel por Isaac Asimov

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Introdução Em 1980, Eric Potter me pediu para escrever mensalmente um conto de mistério para uma revista da qual ele era o editor. Concordei, porque não consigo dizer não a pessoas simpáticas (todos os editores que conheço são pessoas simpáticas).   O primeiro conto que escrevi foi uma espécie de mistério-fantasia, estrelado por um pequeno demônio de dois centímetros de altura. Intitulei-o “Ajuste de Contas”. Eric Potter aceitou-o e publicou-o. No conto havia um personagem chamado Griswold, que era o narrador, e três outros homens (incluindo um personagem que era eu mesmo, embora isto não fosse declarado explicitamente, e que contava a história para os leitores), que eram sua audiência. Os quatro costumavam se encontrar toda semana no Clube Union. Eu pretendia escrever uma série de contos a respeito desses encontros no Clube Union.   Quando, porém, escrevi uma segunda história com o mesmo pequeno demônio de “Ajuste de Contas” (o novo conto se chamava “Uma Noite de ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Brian Aldiss e Stanley Kubrick

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Brian Aldiss prefácio para a coletânea: SUPERBRINQUEDOS DURAM O VERÃO TODO E outros contos de um tempo futuro Prefácio Tentando agradar   “Superbrinquedos duram o verão todo” é a história de um garotinho que não consegue agradar à mãe por mais que se esforce. Confuso com a reação dela, o menino não percebe que ele é um andróide, uma construção habilidosa de inteligência artificial, assim como seu único aliado, o ursinho de pelúcia Teddy.   Foi essa a história que comoveu Stanley Kubrick e que ele quis tanto transformar em filme. Depois de certo esforço de persuasão, vendi os direitos para ele e, por algum tempo, trabalhamos juntos num possível roteiro.   Como seria de esperar, achei-o genial mas exigente. Afinal de contas, ele batalhara muito para obter independência. Exigia tanto de si quanto de todos à volta dele.   Presenciei um exemplo dessa independência quando os figurões da Warner Brothers quiseram conhecê-lo. Alegando como desculpa um ódio mortal de avião, em...