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Mostrando postagens de abril, 2013

Fredric Brown - Sentinela (Conto)

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SENTINELA Fredric Brown   Estava molhado, enlameado; tinha fome e tinha frio e estava a cinquenta mil anos luz de casa. O sol distante quase não iluminava e a gravidade, que era o dobro daquela a que estava acostumado, dificultava cada movimento. Mesmo após dezenas de milhares de anos a guerra não havia mudado. Para os pilotos do espaço era fácil, com suas brilhantes astronaves e suas superarmas. Mas quando as naves aterrissavam, era o soldado a pé, a infantaria, que tinha de apoderar-se do terreno, palmo a palmo e custasse o sangue que custasse. Isso é precisamente o que acontecia naquele maldito planeta de uma estrela da qual não havia ouvido falar até por os pés nele. E, agora, era terreno sagrado porque o inimigo também estava ali. O inimigo, a única outra raça inteligente da Galáxia, raça cruel de monstros abomináveis e hediondas criaturas repulsivas. O primeiro contato foi perto do centro da Galáxia, após a lenta e dificultosa colonização de uns doze mil planetas; foi u...

Fausto Cunha - A Ficção Científica no Brasil (Artigo)

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A FICÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL Um planeta quase desabitado Por Fausto Cunha REVISTAS E EDITORAS Em 1965, quando estive nos Estados Unidos, assinei contrato com Frederik Pohl para lançar no Brasil uma revista de ficção científica, aproveitando o material de Galaxy, de If e do Magazine of Fantasy and Science Fiction. Não encontrei editora interessada na joint venture. Mais tarde, a Cruzeiro partiria para a edição nacional do Magazine, adotando o título de Galáxia 2000. A revista durou poucos números, não sei se mais de três. Quando a Globo assumiu o mesmo encargo, preferiu manter o título original, só eliminando o Fantasy. Saíram mais de 20 números do Magazine de Ficção Científica, com uma venda média de 6.000 exemplares, que a editora considerou insatisfatória, razão por que extinguiu a publicação. Em seu lugar, tem saído, sob a égide da Revista do Globo, uma Antologia de Ficção Científica, no mesmo formato, mesma composição em duas colunas, mas com maior número de páginas. Basica...

Javier Redal - O.V.B.I. - Objeto Voador Bem Identificado (Conto)

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O.V.B.I. * Conto curto de Javier Redal Ficção Científica Espanhola - Oh, não! - gritou o piloto, aterrorizado. - Oh, sim! - exclamou o copiloto, entusiasmado. Em seus longos anos como tripulantes de aviões a hélice ou turbos, de carga e de passageiros, nenhum dos dois havia visto um disco voador. E agora, enquanto o DC-9 voava para São Francisco, havia um ali ao lado! Via-se claramente a cúpula central, a fuselagem no formato de prato e mais uma fileira de escotilhas… O copiloto, fanático pelo tema há anos, não cabia em si de alegria. Lá de trás chegavam os gritos de satisfação dos passageiros e o disparo das câmeras fotográficas, e as aeromoças se esforçavam para mantê-los calmos. O copiloto não parava de perguntar-se: virão em missão de paz? Pediriam que a Terra se unisse à sua civilização? De quê planeta viriam? (É claro que não houve respostas). Subitamente, o disco voador inclinou-se, mostrando a  face inferior, e da cabine de passageiros se elevou um murmúrio de decepção...

Robert Sheckley - Começa coçando (Conto)

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COMEÇA COÇANDO Conto de Robert Sheckley Na noite passada tive um sonho muito estranho. Sonhei que uma voz me dizia: - Perdoe que interrompa seu sonho anterior, porém tenho um problema urgente para resolver e você é a única pessoa que pode ajudar-me. Sonhei que respondia: - Não é necessário pedir desculpas, de qualquer forma não era um sonho tão agradável, e se posso ser útil de alguma forma… - Você é a única pessoa que pode ajudar-me - disse a voz -. E se não ajudar, tanto eu como todo meu povo estaremos condenados. - Senhor! - disse. Chamava-se Froka, e pertencia a uma raça muito antiga. Viviam desde tempos imemoriais em um imenso vale rodeado de gigantescas montanhas. Era um povo pacífico que, ao longo do tempo, havia produzido alguns artistas extraordinários. Suas leis eram exemplares e educavam a seus filhos de forma carinhosa e tolerante. Embora alguns deles fossem chegados na bebida, e inclusive haviam conhecido casos de assassinatos, consideravam-se uns seres sensíveis, bo...

Kurt Karl Doberer - O Planeta das Sete Cores (Poesia)

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O Planeta das Sete Cores Kurt Karl Doberer Na tormenta de Júpiter as cores do arco íris… Gritos de ondas hertzianas no turbilhão da vida. Cores fascinantes da vida, cores espantosas da morte no caleidoscópio das sínteses prebióticas: vermelho pra os azobenzenos, azuis para os azulenos, amarelo para o enxofre, o mais cristalino dos precipícios de Júpiter. Vida que não contém vida, inteligência composta de eternas tempestades. Bestas de metal de hidrogênio num mar de amoníaco e metano, pântano onde se revolve a salamandra de Júpiter, o planeta do arco íris. In Ruf der Sterne "Chamado das Estrelas", 1968.

Robert A. Heinlein - Nenhum homem é um ilha

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"Nenhum homem é uma ilha... "  Por mais que possamos sentir e agir como indivíduos, a nossa raça é um organismo único, sempre crescendo e se ramificando — que deve ser podado regularmente para ser saudável. Esta necessidade não precisa ser discutida; quem quer que tenha olhos pode ver que qualquer organismo que cresce sem limite sempre morre em seus próprios venenos. A única pergunta racional é se a poda deve ser feita antes ou depois do nascimento. Robert A. Heinlein - Caderno de Notas de Lazarus Long

Frederik Pohl - A Mensagem (Conto)

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A Mensagem Conto de Frederik Pohl A mensagem começa: "NÃO PODEMOS SABER COM CERTEZA SE VOCÊS ESTÃO EVOLUÍDOS O BASTANTE PARA PODEREM ENTENDER ESTA MENSAGEM. INFELIZMENTE, NÃO SOUBEMOS DA SUA EXISTÊNCIA ATÉ O MOMENTO DA EXPLOSÃO". O general entrou na sala de guerra e deu sua capa ao ordenança. As estrelas nas ombreiras tilintavam umas nas outras. - Que descaramento! - murmurou. - Quem eles acham que são? O técnico oficial de serviço ergueu os olhos do seu computador. - Com o devido respeito, senhor - disse -, parece evidente que eles são bem mais avançados que nós. - Mas avançados? Ah, você quer dizer que possuem melhores equipamentos, se refere a isso naturalmente. Bem, está bem, continue decifrando. - Sim, senhor. "NÃO É IMPORTANTE QUE ENTENDAM ESTA MENSAGEM. DE QUALQUER FORMA OS SALVAREMOS, COM OS MESMOS MEIOS QUE USAMOS PARA ATRAVESSAR O ESPAÇO E CHEGAR ATÉ AQUI. NÃO TENHAM MEDO". - Medo! - bufou o general escandalizado. "O TRANSLADO SERÁ INSTANTÂNEO. NÃO...

Fredric Brown - O Solipsista (Conto)

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O solipsista Fredric Brown Walter B. Jehovah tinha sido solipsista toda a sua vida. Não vou justificar o seu nome, pois este era realmente o seu nome. Um solipsista, no caso de o leitor não conhecer a palavra, é alguém que acredita que ele próprio é a única coisa que realmente existe, que as outras pessoas e o universo em geral só existem na sua imaginação, e que se ele deixasse de os imaginar estes também deixariam de existir. Um dia, Walter B. Jehovah começou a ser solipsista praticante. No espaço de uma semana, a sua mulher fugiu com outro homem, perdeu o seu emprego de expedidor e partiu uma perna quando afugentava um gato preto para impedir que este se atravessasse no seu caminho. Enquanto estava de cama no hospital, decidiu acabar com tudo. Olhou pela janela, contemplou as estrelas, desejou que elas deixassem de existir e elas desapareceram. Depois, desejou que todas as outras pessoas deixassem de existir e o hospital ficou estranhamente silencioso, apesar de ser um hospit...

Fredric Brown - A Primeira Máquina do Tempo (Conto)

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A Primeira Máquina do Tempo Fredric Brown   "Senhores: a primeira Máquina do Tempo", apresentou, orgulhosamente, o professor Johnson a seus dois colegas. "De fato, trata-se de um modelo experimental em escala reduzida. Ele operará apenas com objetos pesando cerca de um quilo e para distâncias em direção ao passado e ao futuro de vinte minutos ou menos. Mas funciona". O modelo em escala reduzida se parecia com uma balança, daquelas usadas em agências de correio - exceto por dois interruptores na parte debaixo da plataforma. O professor Johnson segurou um pequeno cubo de metal. "Nosso objeto experimental", disse, "é um cubo de metal pesando mais ou menos meio quilo. Primeiro, vou mandá-lo cinco minutos na direção do futuro". Ele inclinou-se para frente e regulou um dos botões da máquina do tempo. "Observem os seus relógios", disse. Eles olharam os seus relógios. O professor Johnson colocou cuidadosamente o cubo na plataforma da máquina....