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Mostrando postagens com o rótulo Humor

Contos rápidos — Ao preço do Papiro – Isaac Asimov

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AO PREÇO DO PAPIRO Por Isaac Asimov — Meu irmão começou a ditar em seu melhor estilo oratório, aquele que mantém tribos inteiras penduradas em cada palavra sua. — No princípio, — disse ele, — exatamente há quinze bilhões e duzentos milhões de anos, houve uma grande explosão e o Universo… Mas eu havia parado de escrever. — Quinze bilhões de anos atrás? — exclamei, incrédulo. — Bem, sim. Você sabe que estou inspirado. — Não duvido da sua inspiração. (É melhor não duvidar. Ele é três anos mais novo que eu, mas eu jamais tentaria duvidar da inspiração dele. Nem ninguém mais, porque a coisa ia ficar bem acalorada.) — Mas você pretende contar a história da Criação ao longo de um período de quinze bilhões de anos? — Tem que ser, — respondeu meu irmão. — Foi o tempo que levou. Está tudo lá, — disse ele, batendo na testa, — e vem da mais alta autoridade. Então, larguei minha caneta stylus . — Você sabe quanto custa o papiro?, — perguntei a ele. — Como assim? (Ele pode estar in...

Humor Cósmico — É um Pássaro, é um Avião! – Norman Spinrad

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É UM PÁSSARO, É UM AVIÃO! Por NORMAN SPINRAD — O Dr. Felix Funck inseriu, com certa dificuldade, uma nova fita no gravador que mantinha escondido na gaveta do meio de sua mesa, enquanto a voluptuosa Srta. Jones trazia um novo paciente. O Dr. Funck olhou com desejo para a Srta. Jones, cujo curto jaleco branco de enfermeira insinuava sutilmente o seu conteúdo, mas sem revelar nenhum dos detalhes mais íntimos e interessantes. Se ao menos a visão de raio-X fosse realmente possível e não fizesse parte daquela maldita síndrome… “Controle-se, Funck, controle-se!” Felix Funck repetiu para si mesmo pela décima sétima vez naquele mesmo dia. Ela suspirou, resignou-se e disse ao jovem de semblante sério que a Srta. Jones havia trazido ao seu escritório: —Por favor, sente-se, senhor… “Kent, doutor!” respondeu o jovem, sentando-se cuidadosamente na beirada de uma poltrona estofada em frente à mesa de Funck. “Clark Kent!” O Dr. Funck fez uma careta e depois deu um sorriso fraco. “Por que não?” disse ...

Humor Cósmico — Algo em Troca de Nada – Robert Sheckley

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Algo em troca de nada Por Robert Sheckley — Mas será que era uma voz que ele tinha ouvido? Ele não tinha muita certeza. Um instante depois, Joe Collins juntou as peças do quebra-cabeça. Estava deitado na cama, tão cansado que nem se importava em sujar os lençóis com as botas. Observou a rede de rachaduras no telhado amarelo e enlameado, por onde a água escorria lenta e melancolicamente. Deve ter acontecido naquele instante. Collins notou um brilho metálico ao lado da cama e sentou-se. Havia uma máquina no chão; ela não estava lá um momento antes. Naquele primeiro momento de surpresa, Collins pensou ter ouvido uma voz muito distante dizendo: “Pronto! Esse serve!” Quanto à voz, ele não tinha certeza absoluta. Mas a máquina estava lá, sem dúvida. Ajoelhou-se para examiná-la; media aproximadamente um metro quadrado e emitia um zumbido suave. A superfície cinza fosca era perfeitamente lisa, exceto por um botão vermelho em um canto e uma placa de latão no centro. A placa dizia: USUÁRIO C...

A Frota Vingadora — Fredric Brown – Conto completo

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A FROTA VINGADORA Fredric Brown   Eles vieram da escuridão impenetrável do espaço e de uma distância inimaginável, convergiram para Vênus e o destruíram. Cada um dos dois milhões de seres daquele planeta, todos colonos da Terra, morreram em questão de minutos, e toda a flora e fauna de Vênus morreu com eles. Tamanho era o poder de suas armas, que até mesmo a própria atmosfera do planeta tão repentinamente condenado queimou e evaporou. Vênus estava despreparada e indefesa, e o ataque foi tão inesperado e seus resultados tão rápidos e devastadores, que não houve tempo para disparar um único tiro defensivo. Então, os atacantes se voltaram para o próximo planeta seguindo a ordem do Sol: a Terra. Mas o mesmo não aconteceu. A Terra estava pronta; claro que não nos poucos minutos que decorreram desde a chegada dos invasores ao sistema solar, mas porque naquela altura, o ano de graça de 2820, a Terra estava em guerra com a sua colónia marciana, que tinha crescido até metade do ta...

Ah, meu pai! — Charles Beaumont – Conto completo

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AH, MEU PAI! Charles Beaumont   Para Pollet, o tempo nada mais era do que uma grande rodovia: uma rodovia deslumbrante e deserta esperando para ser usada. — Existem atalhos, sem dúvida — ele costumava dizer — e também curvas que são muito fechadas, excessivamente perigosas, mesmo para a velocidade mais lenta. Contudo, não é impossível que um homem realmente inteligente consiga um dia enfrentá-los. É evidente que o Sr. Pollet esperava ser este homem. Ele dedicou 37 dos seus 57 anos a esse projeto, com dedicação e fé monomaníacas. Ele tinha poucos relacionamentos... e nenhum amigo. Sua esposa tinha medo dele. E ele era persona non grata nos círculos científicos, pois quando não estava murmurando seu jargão favorito sobre o “continuum espaço-tempo” e o “nó do passado”, ele tinha o hábito de bater nas pessoas com o cotovelo pontiagudo enquanto defendia seu ponto de vista, com a pergunta famosa e irritante: — Então, qual é a sua opinião? Se eu voltasse no tempo e matasse meu pai...