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Fahrenheit 451° por Ray Bradbury (Prefácio)

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Cinco pulos curtos e depois um enorme salto por Ray Bradbury — Cinco pequenos fogos de artifício e então uma explosão. Esse é um bom resumo para a gênese de  Fahrenheit 451 . Cinco histórias curtas, escritas ao longo de um período de dois ou três anos, me levaram a investir nove dólares e cinquenta centavos para alugar uma máquina de escrever numa sala de escrita no porão de uma biblioteca para terminar o romance curto em apenas nove dias. Como assim? Primeiro, os pulinhos, os pequenos fogos de artifício: Em um conto chamado “Fogueira”, nunca vendido para uma revista, imaginei os longos pensamentos literários de um homem na noite antes de o mundo terminar. Escrevi múltiplas histórias assim cerca de quarenta e cinco anos atrás, não como previsões, mas como avisos que às vezes eram excessivamente martelados. Em “Fogueira”, meu herói criou listas com seus grandes amores. Parte foi descrito desta maneira: “O que mais perturbava William Peterson eram Shakespeare e Platão, além de Aristó...

Ray Bradbury por Carlos Vogt (Prefácio)

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A nave da melancolia por Carlos Vogt — Ray Douglas Bradbury nasceu em 1920 em Waukegan, Illinois, nos Estados Unidos. Condensada em poucas palavras, essa informação, contudo, é fundamental para compreender alguns aspectos marcantes da obra desse escritor, mundialmente conhecido e tão ligado às lembranças de sua infância. Bradbury tem uma obra vastíssima que inclui contos, romances, peças de teatro, rádio, televisão, poesia, fábula, antologias, literatura infantil, obras de não-ficção e roteiros de filmes, entre os quais o de Moby Dick , baseado no romance de Hermann Melville. Dirigido por John Huston, com quem Bradbury teve um relacionamento difícil, o filme foi lançado em 1956 com o sucesso que a premiação do Oscar só viria reforçar. Por paradoxal que pareça, mesmo em seu romance mais conhecido, Farenhiet 451 , de 1953, que ele próprio aponta como sua única obra verdadeiramente de ficção científica, há em sua literatura uma marca indelével de melancólica saudade que subsume ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica - Fahrenheit 451

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Prefácio para Fahrenheit 451 de Ray Bradbury Em 1933, quando os nazistas queimaram em praça pública livros de escritores e intelectuais como Marx, Kafka, Thomas Mann, Albert Einstein e Freud, o criador da psicanálise fez o seguinte comentário a seu amigo Ernest Jones: “Que progressos estamos fazendo. Na Idade Média, teriam queimado a mim; hoje em dia, eles se contentam em queimar meus livros”.   Deixando de lado o fato de que a ironia de Freud logo se tornaria ingênua diante dos fornos crematórios de Auschwitz e Dachau, podemos nos perguntar: o que aconteceria se os livros fossem incinerados, varridos da face da Terra até o ponto em que o único vestígio de milênios de tradição humanista estivesse alojada na memória de alguns poucos sobreviventes? Qual seria o próximo passo da barbárie? Queimar os próprios homens, para apagar de vez a memória dos livros?   É essa a pergunta que reverbera na mente no leitor após a leitura de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Pois esse romance vis...

O Homem Ilustrado — Ray Bradbury – Prólogos imortais da Ficção Científica

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O Homem Ilustrado Ray Bradbury PRÓLOGO Foi por uma tarde quente de princípios de Setembro que encontrei, pela primeira vez, o Homem Ilustrado. Percorria a última etapa de uma viagem a pé, de quinze dias, pelo Wisconsin. Ao cair da noite parei para comer alguma carne de porco com feijões e um biscoito. Preparava-me para me estender a ler quando o Homem Ilustrado surgiu no alto da colina e ficou um momento imóvel, a silhueta recortada contra o céu. Ignorava, nesse momento, que ele estava Ilustrado. Reparei, unicamente, que era alto, que outrora fora bem musculado mas, agora, por qualquer razão, tinha tendência para engordar. Lembro-me que possuía uns braços longos e umas mãos grossas, mas o rosto, no alto do corpo maciço, era como o de uma criança. Pareceu pressentir a minha presença, pois não me olhou quando pronunciou as primeiras palavras: — Sabe onde poderei encontrar trabalho? — Lamento, mas não sei — respondi. — Ainda não consegui um emprego durável nestes últimos quarenta anos. Fa...