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Mostrando postagens com o rótulo Roberto Schima

Não Esquecido por Deus. Conto de Roberto Schima #Contos #Scifi

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Não Esquecido por Deus Roberto Schima A tarde caía espessa e silenciosa feito um sopro ao apagar uma vela. A Morte vagava a esmo pela floresta fria e úmida. Suas vestes em andrajos fundiam-se ao espesso nevoeiro, tornando-o mais escuro. Algo a atraíra para aquele lugar esquecido por Deus, mas o que seria? Vagou por pântanos e charcos. E tudo silenciava a sua passagem. Quando tocava em alguma árvore, esta, imediatamente, perdia suas folhas, ressecava e transformava-se numa caricatura tétrica de garras apontadas para o céu. Subitamente, a Morte ouviu algo. Vinha de lá adiante, atrás de um enorme carvalho, o qual era somente um vulto sombrio e imponente. Caminhou para lá sem pressa, em seus passos de morte que mal tocavam o chão. Então, atrás do tronco retorcido, coberto por líquens e musgos, avistou. Era um recém-nascido. Fruto de um amor proibido, fora deixado ali para perecer. Observou a figurinha miúda. Nada surpreendente, vindo de um mundo onde as pessoas ...

Abismo do Tempo - Roberto Schima (Conto curto)

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ABISMO DO TEMPO Roberto Schima          No alto da montanha, naquele planeta, a jovem esperou pelo seu retorno, conforme ele prometera que faria. Ela observara a nave dele partir, segurando o choro até o último instante, sem se dar conta de que, antes disso, havia muito que as lágrimas rolavam. Não tardara para o veículo transformar-se em mais uma estrela, até confundir-se no céu com aquelas constelações estranhas, ainda sem nome - se é que os poucos que tinham ficado iriam dar-se a esse trabalho.                 E ela esperou.                 Esperou.                 E esperou.                 E o tempo passou.     ...

Monstros na Borda do Universo - Roberto Schima #Conto #FC

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MONSTROS NA BORDA DO UNIVERSO Roberto Schima O estagiário de Astronomia caiu para trás, resvalando no assento da cadeira giratória e esborrachando-se no piso do observatório. Teria doído, não estivesse ele na superfície lunar, onde a gravidade era de menos de dois décimos daquela na Terra. - Eu vi... - balbuciou. - Eu vi... Nada mais se movia, exceto a cadeira a girar e girar. Era para ser um trote, somente um trote pregado pelos mais velhos, coisa comum em toda parte, até na Lua. Mas nem todos teriam sido trancados na sala do observatório ao lado do telescópio energético. Sim, o telescópio energético. Era a última palavra em telescópio espacial e seria colocado a funcionar na semana que vem, deixando seus concorrentes estrangeiros para trás. Seus preparativos haviam tomado o tempo de dezenas de técnicos, de engenheiros e toda sorte de especialistas. O telescópio energético propri...

O Pequeno Ser Prateado — Conto Completo de Roberto Schima

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O Pequeno Ser Prateado Roberto Schima    Faz muito tempo...    A memória, principalmente com o avançar da idade, é capaz de pregar-nos muitas peças, distorcer alguns fatos, suprimir muitos outros, misturar sonho à realidade. Entretanto, aquele acontecimento em particular, quando eu tinha dezessete anos, jamais me esqueci; senão em todos os seus detalhes, pelo menos no essencial. Está vivo dentro de meu coração, de minha alma, como se tivesse acontecido agora há pouco. Porém, já se passaram trinta e cinco anos... Trinta e cinco! Uma vida inteira praticamente... como uma canção distante ou um abismo profundo. Todavia, aquilo que ocorreu foi a ponte, o meu elo atual com aquele “eu” deixado para trás em uma eternidade de tempo. Foi o abismo devolvendo seu olhar para mim, sobre todos nós.    Atrever-me-ei a encará-lo novamente?    Ainda me recordo daquele brilho de obsidiana no terreno côncavo. Os cheiros incinerados partindo da mata. A gritar...

Roberto Schima - Melancólica crônica de um alienígena disfarçado em autor de ficção científica

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Melancólica crônica de um alienígena disfarçado em autor de ficção científica Tememos assustá-los. Nas raras aparições, transformaram-nos em monstros ou alçaram-nos ao panteão dos deuses. Disfarcei-me de humano, de autor de ficção-científica para, através dos textos, familiarizá-los com a existência de outros seres, outras tecnologias, outras perspectivas, vivendo em outros planetas, em outras realidades e, até mesmo, em seu próprio planeta Terra, fosse em retiros isolados como nas profundezas marinhas ou no cimo das mais elevadas e tempestuosas cordilheiras. E, até mesmo, entre eles, lado a lado, em um clube de ficção-científica ou na fila do supermercado, sem que dessem conta disso. Outros como eu fizeram o mesmo, e tiveram mais êxito: criaram roteiros para o cinema, deram palestras em universidades sobre exobiologia, lecionaram astronomia, desenvolveram projetos de busca de vida inteligente por meio de radiotelescópios ou enviando satélites para a descoberta de pla...