Não Esquecido por Deus Roberto Schima A tarde caía espessa e silenciosa feito um sopro ao apagar uma vela. A Morte vagava a esmo pela floresta fria e úmida. Suas vestes em andrajos fundiam-se ao espesso nevoeiro, tornando-o mais escuro. Algo a atraíra para aquele lugar esquecido por Deus, mas o que seria? Vagou por pântanos e charcos. E tudo silenciava a sua passagem. Quando tocava em alguma árvore, esta, imediatamente, perdia suas folhas, ressecava e transformava-se numa caricatura tétrica de garras apontadas para o céu. Subitamente, a Morte ouviu algo. Vinha de lá adiante, atrás de um enorme carvalho, o qual era somente um vulto sombrio e imponente. Caminhou para lá sem pressa, em seus passos de morte que mal tocavam o chão. Então, atrás do tronco retorcido, coberto por líquens e musgos, avistou. Era um recém-nascido. Fruto de um amor proibido, fora deixado ali para perecer. Observou a figurinha miúda. Nada surpreendente, vindo de um mundo onde as pessoas ...