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Mostrando postagens de julho, 2025

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Fredric Brown por sua esposa

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  APRESENTAÇÃO   Fred detestava escrever. Mas gostava muito de ter escrito. Era capaz de entregar-se a toda espécie de atividade só para retardar o momento em que finalmente tinha de sentar-se à máquina: espanava a mesa, tocava flauta, lia um pouco, tornava a tocar. Ou, se residíamos numa cidade em que não houvesse carteiro, iria pessoalmente ao Correio buscar a correspondência, e, de caminho, convidava alguém para uma partida — às vezes duas ou três — de xadrez ou cartas. Quando finalmente voltava para casa, decidia já ser tarde demais para dar início ao trabalho. Após dias dessa prática, sua consciência acabava por doer. Era então que se entregava efetivamente ao trabalho, produzindo algumas linhas, ou mesmo páginas inteiras. Fosse como fosse, os livros aí estão escritos. Não era autor prolífico. Em média, enchia três páginas por dia. Às vezes, quando o livro parecesse escrever-se por si, sua produção diária subia para seis ou sete laudas; o que entretanto era raro. ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Machado de Assis e a Ficção científica

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  Machado de Assis e a ficção científica Por  Roberto de Sousa Causo   A FICÇÃO CIENTÍFICA brasileira existe desde meados do século XIX. Essa é uma afirmativa que, ao mesmo tempo em que é incontestável, exige explicações e qualificativos, especialmente porque a ocorrência de FC no país é bastante esporádica. O quadro de inconstância se dá, curiosamente, entre os anos de 1857 e 1957, um lapso de cem anos que forma o que chamei de Período Pioneiro da Ficção Científica Brasileira — e de saída admito que cem anos são de fato muito tempo para agrupar uma determinada circunstância literária.   Esse período, é claro, possui momentos e situações bastante variadas, mas é justo levantar dois pontos que circunscrevem muito da sua identidade: primeiro, a maior parte daquela produção ficcional aderia aos modelos narrativos e às convenções literárias do século XIX, especialmente o romance de aventura e de capa e espada, o conto de subjetividade romântica, a narra...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Azazel por Isaac Asimov

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Introdução Em 1980, Eric Potter me pediu para escrever mensalmente um conto de mistério para uma revista da qual ele era o editor. Concordei, porque não consigo dizer não a pessoas simpáticas (todos os editores que conheço são pessoas simpáticas).   O primeiro conto que escrevi foi uma espécie de mistério-fantasia, estrelado por um pequeno demônio de dois centímetros de altura. Intitulei-o “Ajuste de Contas”. Eric Potter aceitou-o e publicou-o. No conto havia um personagem chamado Griswold, que era o narrador, e três outros homens (incluindo um personagem que era eu mesmo, embora isto não fosse declarado explicitamente, e que contava a história para os leitores), que eram sua audiência. Os quatro costumavam se encontrar toda semana no Clube Union. Eu pretendia escrever uma série de contos a respeito desses encontros no Clube Union.   Quando, porém, escrevi uma segunda história com o mesmo pequeno demônio de “Ajuste de Contas” (o novo conto se chamava “Uma Noite de ...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Brian Aldiss e Stanley Kubrick

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Brian Aldiss prefácio para a coletânea: SUPERBRINQUEDOS DURAM O VERÃO TODO E outros contos de um tempo futuro Prefácio Tentando agradar   “Superbrinquedos duram o verão todo” é a história de um garotinho que não consegue agradar à mãe por mais que se esforce. Confuso com a reação dela, o menino não percebe que ele é um andróide, uma construção habilidosa de inteligência artificial, assim como seu único aliado, o ursinho de pelúcia Teddy.   Foi essa a história que comoveu Stanley Kubrick e que ele quis tanto transformar em filme. Depois de certo esforço de persuasão, vendi os direitos para ele e, por algum tempo, trabalhamos juntos num possível roteiro.   Como seria de esperar, achei-o genial mas exigente. Afinal de contas, ele batalhara muito para obter independência. Exigia tanto de si quanto de todos à volta dele.   Presenciei um exemplo dessa independência quando os figurões da Warner Brothers quiseram conhecê-lo. Alegando como desculpa um ódio mortal de avião, em...

O Canon dos Prefácios em Ficção científica — Sonhos de Robô por Isaac Asimov

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  Sonhos de Robô por Isaac Asimov INTRODUÇÃO   A ficção científica nos proporciona alguns tipos muito peculiares de satisfação pessoal. Quando se tenta descrever o possível desenvolvimento futuro da tecnologia, pode-se acabar chegando muito perto da verdade. Se você vive bastante tempo depois de escrever uma determinada história, pode acabar tendo o prazer de verificar que suas previsões eram razoavelmente exatas e ver-se saudado como uma espécie de profeta.   Isto me aconteceu no que diz respeito aos meus contos sobre robôs, dos quais "Verso de Luz" (incluído neste livro) é um exemplo.   Comecei a escrever histórias sobre robôs em 1939, quando tinha apenas dezenove anos. Desde o início os visualizei como máquinas cuidadosamente construídas por engenheiros e providas de mecanismos internos de segurança que denominei "As Três Leis da Robótica". (Desse modo eu me tornei a primeira pessoa a utilizar a palavra "robótica" num texto impresso; isso ocor...