Um Som de Trovão Um conto e suas transformações: ficção científica e História (Publicado na Revista Tempo, Rio de Janeiro, nº 17, pp. 129-151, 2004) Ciro Flamarion Cardoso (Professor Titular do Departamento de História da UFF) 1. Considerações teórico-metodológicas Estudaremos, neste artigo, um conto de ficção científica de autoria de Ray Bradbury, “Um ruído de trovão”, escrito em 1952, bem como diferentes transcodificações suas, ocorridas em 1954 (história em quadrinhos), 1989 (episódio de série de TV) e 1993 (nova história em quadrinhos). Os referenciais temáticos centrais tanto do conto quanto de suas transcodificações são, por um lado, o tempo ou, mais exatamente, a estrutura do tempo e sua possível transformação; por outro, uma preocupação política com o perigo de um regime democrático poder descambar, ao que parece com rapidez e sem grande dificuldade, para uma ditadura da pior espécie. Visualizar on-line aqui: http://pt.slideshare.net/hermanschm...
Algo em troca de nada Por Robert Sheckley — Mas será que era uma voz que ele tinha ouvido? Ele não tinha muita certeza. Um instante depois, Joe Collins juntou as peças do quebra-cabeça. Estava deitado na cama, tão cansado que nem se importava em sujar os lençóis com as botas. Observou a rede de rachaduras no telhado amarelo e enlameado, por onde a água escorria lenta e melancolicamente. Deve ter acontecido naquele instante. Collins notou um brilho metálico ao lado da cama e sentou-se. Havia uma máquina no chão; ela não estava lá um momento antes. Naquele primeiro momento de surpresa, Collins pensou ter ouvido uma voz muito distante dizendo: “Pronto! Esse serve!” Quanto à voz, ele não tinha certeza absoluta. Mas a máquina estava lá, sem dúvida. Ajoelhou-se para examiná-la; media aproximadamente um metro quadrado e emitia um zumbido suave. A superfície cinza fosca era perfeitamente lisa, exceto por um botão vermelho em um canto e uma placa de latão no centro. A placa dizia: USUÁRIO C...
Música e Ficção científica Uma breve história da música cósmica, do século XVIII até os anos 1970 Por Jean Bonnefoy — HIFISCIFI, é um jovem mutante completamente alucinado, pertence àquela formidável raça de híbridos de fãs que leem Moorcock com fones de ouvido estéreo na cabeça (se possível, HAWKWIND nos fones de ouvido) ou ouvem um disco de HELDON, com um livro nas mãos (se possível, de Phil K. Dick). HIFISCIFI tem todos os discos de música pop, rock progressivo, música cósmica, música ambiente e ópera rock que se relacionam com ficção científica de uma forma ou de outra – o que, dadas as tendências atuais, deve representar oito dezenas de grupos, com quinze novos lançamentos todos os meses… Para completar sua coleção de discos, ele pesquisou tudo o que Versins, Blanc-Francard, Ogouz, Hupp, Eudeline, Turmel, Lentin, Lattès – sem esquecer o signatário dessas linhas – pudessem publicar de forma inteligente em: Encyclopedia, Galaxie, Chroniques Terriennes, Rock et Folk, Best, One Sh...
Resposta Fredric BROWN Cerimoniosamente, Dwar Ev soldou com ouro a última conexão. Os olhos de uma dezena de câmeras de televisão o obsevaram, propagando para o universo inteiro uma dezena de imagens daquilo que fazia. Com um aceno para Dwar Reun, ele se ergueu e dirigiu-se para trás da chave cujo funcionamento faria o contato; o comutador que poria em conexão simultânea todos os monstruosos sistemas de computadores de cada um dos planêtas populados do universo - noventa e seis milhões ao todo - num circuito em que se comunicariam com o supercalculador, o prodígio cibernético que reuniria todo o conhecimento de tôdas as galáxias. Dwar Reyn fêz uma breve introdução aos trilhões de telespectadores e após uma breve pausa, disse: -Dwar Ev … Agora! Dwar Ev acionou a chave. Houve um zumbido profundo, o desencadeamento da fôrça de noventa e seis bilhões de planêtas. Luzes piscarm até ganhar firmeza, no painel quilométrico. Dwar Ev recuou e aspirou profundamente. -A honra de fazer a prime...
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