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O Tocador de Atabaque — Eduardo Alves da Costa (poema)

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O TOCADOR DE ATABAQUE de Eduardo Alves da Costa   Querem o meu verso   de nariz para o ar,   equilibrando a esfera,   enquanto alguém bate com a varinha   para me por no compasso.  Pedem-me que não seja violento   e me mantenha equilibrado   entre a forma e o fundo,  porque a platéia não deve sofrer   emoções fortes.   Mas eu, nascido num tempo de sussurros,   tenho a voz contundente   e por mais que me esforce   não sirvo para cantar no coro.   Sei apenas tocar meu atabaque.  Assim, que me perdoem   os amantes dos saraus  e os arquitetos de labirintos,   que as senhoras se protejam com o xale   e os corações delicados   se encostem à parede   para fugir às correntes de ar.   Bato no atabaque até estourar os tímpanos fracos   e chamo num grito de gozo   as almas bravias  para dançarmos juntos   mordidos pela mentira do...