Mostrando postagens com marcador Theodore Sturgeon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Theodore Sturgeon. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

3 Antologias Pessoais da Ficção Científica #Sturgeon #Sheckley #Kuttner

3 Antologias Pessoais da Ficção Científica

A ficção científica surgiu popularmente no formato de contos (e contos longos também conhecidos no Brasil como 'noveletes'), publicados em revistas impressas em papel barato chamados pulps.

Os romances com histórias completas são uma concepção tardia do gênero, somente apareceram nos anos 1960, (desconsiderar H.G. Wells e Julio Verne). Também há um formato intermediário chamado de Fix-Up, que eram seleções de contos com ambientações semelhantes, amarrados de forma meio tosca e publicados como se tratasse de um romance.

Portanto, o conto é, digamos assim, a forma nativa e a mais natural de expressão da ficção científica.

Quase todos os autores de ficção científica escreveram contos. E o que é ainda melhor: desses a maioria teve coletâneas dos seus contos selecionados de maneira criteriosa e capazes de mostrarem decididamente o melhor do cada um.


Inicia-se aqui uma série de antologias pessoais que refletem o essencial de cada autor. Comecemos com essas três:


***

1. Theodore Sturgeon - La Fuente Del Unicornio, 1953. 
(Ainda sem tradução em português)


Este é o livro de contos mais famoso de Theodore Sturgeon e também é o mais variado em termos de estilos e argumentos. Seus contos sempre surpreendem pelo clima insólito, sobrenatural e as vezes até alucinante em que ele nos coloca. É uma ficção científica terrestre que corre estreitamente entremeada na realidade, com personagens problemáticos e estigmatizados na sociedade. Suas histórias dão medo, algumas são tristes de chorar e outras de uma maldade irônica e cruel.

Entre os contos eu destacaria La fuente del unicornio, que é o conto de abertura e pertence ao gênero fantástico. Un plato de soledad e El mundo bien perdido, que retratam bem esse clima de que falei acima, outros de terror puro como El osito de felpa del profesor, Una manera de pensar e principalmente Las manos de Bianca, um verdadeiro clássico que em 1947 ganhou um importante prêmio da revista inglesa Argosy, no qual foi finalista Graham Greene.


RELATOS:


La fuente del unicornio (The silken swift, 1953) - El osito de felpa del profesor (The Professor's Teddy-Bear , 1948) - Las manos de Bianca (Bianca's Hands, 1947) - Un plato de soledad (Saucer of Loneliness, 1953) - El mundo bien perdido (The World Well Lost, 1953) - No era sicigia (It wasn't syzygy / The deadly ratio, 1948) - La música (The music, 1953) - Cicatrices (Scars, 1949) - Fluffy (Fluffy, 1947) - Sexo opuesto (The sex opposite, 1952) - ¡Muere, maestro, muere! (Die, Maestro, die!, 1949) - Compañero de celda (Cellmate, 1947) - Una manera de pensar (A way of thinking, 1953).



***


2. Robert Sheckley - Ciudadano Del Espacio, 1955.

(Também sem tradução em português)


Essa é a coletânea 'crème de la crème' de Sheckley. Seu humor sarcástico, seu estilo rápido e suas criaturas dementes e perdedoras jogam com situações quase reais, que mesmo ocorrendo em planetas distantes nos parecem levemente familiares por mostrarem a hipocrisia, a falsidade e o egoísmo humano.

Todos os contos são ótimos, mas para sentir o estilo, aqui um trechinho do conto "Un pasaje a Tranai" (A Ticket to Tranai, 1955) :

"La mayor parte de sus habitantes eran indiferentes al espectáculo de corrupción administrativa, tanto en los altos cargos como en los de menor importancia; no reparaban en el juego, en las guerras del hampa ni en el alcoholismo de los adolescentes. Estaban acostumbrados a que las rutas se hallaran en pésimo estado, los viejos depósitos de agua estallaran, las plantas de energía se vinieran abajo y los edificios decrépitos se derrumbaran. Mientras tanto, los amos construían casas propias cada vez mayores, piscinas más suntuosas y establos más cálidos. La gente estaba habituada. Pero Goodman no."

Qualquer semelhança, não é mera coincidência...

RELATOS: 


La montaña sin nombre (The Mountain Without a Name, 1955), El contador (The Accountant, 1954), Caza difícil (Hunting Problem, 1955), Un ladrón en el tiempo (A Thief in Time, 1954), Un hombre de suerte (Fortunate Person, The Luckiest Man in the World, 1955), No tocar (Hands Off, 1954), Algo a cambio de nada (Something for Nothing, 1954), Un pasaje a Tranai (A Ticket to Tranai, 1955), La batalla (The Battle, 1954), Autorización para delinquir (Skulking Permit, 1954), Ciudadano del espacio (Spy Story, Citizen in Space, 1955) e Preguntas ingenuas (Ask a Foolish Question, 1953). Esta última história é sobre oráculos, e poderia ser resumida hoje assim: Google - acerta a resposta para quem souber fazer a pergunta...




***

Henry Kuttner - Lo Mejor de Henry Kuttner II, 1975.

(sem tradução ao português)


Autor bastante versátil e que faleceu cedo demais (1915-1958), está bem representado nestes dois volumes com o seu melhor. Por um daqueles acasos editoriais este segundo volume contém os contos mais inquietantes do autor. Alguns deles foram escritos em parceria com a sua esposa Catherine L. Moore. Todas as suas histórias são marcadamente irônicas e de um humor causticante. Utiliza todos os temas possíveis, terror, fantasia, fantástico, ficção científica soft e hard.

RELATOS:

Hubo una vez un gnomo (A Gnome There Was), La gran noche (The Big Night), Solo pan de jengibre (Nothing But Gingerbread Left), El patrón hierro (The Iron Standard), Guerra fría (Cold War), De lo contrario (Or Else), Cesión de beneficios (Endowment Policy), Problema de alquiler (Housing Problem), Lo que necesita (What You Need), e Absalon (Absalom).





***

Espero que o mercado editorial brasileiro ainda acorde para essa literatura mais personalizada da ficção científica, e possa vir a publicar finalmente em português essas obras já clássicas (e de domínio público). 

Herman Schmitz, Londrina-PR.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Theodore Sturgeon - Venus Mais X (Excerto)



Sequencia extraída desse interessante romance de Theodore Sturgeon: Vênus Mais X.


O neném está dormindo e o intercomunicador eletrônico, cujo par está ligado a uma tomada entre o quarto de Karen e o de Davy, na outra casa, só emite um zunido baixo e constante de 60 ciclos. As mulheres ainda não voltaram do jogo de boliche. Tudo é muito tranquilo. Os dois homens estão tomando um drinque. Smitty está meio deitado sobre o sofá. Herb olha para o televisor que por sinal está desligado, mas a sua poltrona é muito confortável e, pela sua posição, é praticamente impossível olhar numa direção diferente. Então olha para a tela vazia e examina seus pensamentos. De vez em quando, formula um pensamento em voz alta. — Smitty?
— Hum.
— Basta dizer certas palavras a uma mulher e ela desliga.
— Que palavras?
— "Diferencial".
— Smitty se vira um pouco, coloca ambos os pés no chão e endireita levemente o corpo.
— "Transmissão" — murmura Herb. — "Potencial".
— Transmissão do que, Herb?
— Também "frequência". O que eu quero dizer é o seguinte: tome uma mulher em condições perfeitas, com bom senso e tudo o mais. Capaz de sutilezas maquiavélicas no jogo de bridge, e sem esforço aparente. Destas criaturas que sabem preparar a fórmula exata para a mamadeira e a esterilizam corretamente até o último segundo. Vai ver, uma criatura que tem um despertador automático na cabeça e que pode cozinhar um ovo de quatro minutos por quatro minutos certinhos, sem olhar para o relógio. Em suma, uma mulher com um bocado de intuição e de inteligência.
— Entendi.
— Certo. Daí, você começa a lhe explicar alguma coisa e usa uma destas palavras fatais. Por exemplo, você diz que finalmente dá para comprar um carro com dispositivo que consegue bloquear as duas rodas traseiras, de maneira a fazê-las revolver juntas, e assim você pode sair do lugar mesmo que a roda se encontre sobre o gelo. Vai ver que ela já leu alguma coisa a respeito, e então pede uma explicação. Daí você diz que é simples, aquele dispositivo apenas elimina o efeito do diferencial. No instante em que você pronuncia a palavra, você pode perceber que ela desliga. Então você explica que o diferencial não é uma coisa complicada, é só uma engrenagem na transmissão cujo efeito é permitir que a roda externa gire mais rápido que a interna. Mas enquanto você está falando, percebe que ela continua desligada, e ela continuará do mesmo jeito até que você mude de assunto. A mesma coisa acontece quando você menciona o termo "frequência".
— Frequência?
— Pois é. Falei em frequência ainda no outro dia, enquanto conversava com Jeannette e ela desligou. Então parei e disse, escute, pode me dizer o que é "Frequência"? Quer saber o que ela disse?
— Quero.
— Falou que era parte de um rádio receptor.
— Ah, diacho! Mulheres!
— Smitty, você não entendeu o que eu quis dizer. Ah, diacho, mulheres! para o raio que o parta. Você não pode encerrar o assunto dizendo apenas isto.
— Posso, sim. É muito mais simples.
— Mas a coisa me incomoda. Veja o termo "Frequência", é perfeitamente claro. Explica seu significado. "Frequente" quer dizer muitas vezes, e "frequência" mostra quantas vezes algo acontece. "Ciclos" é outro destes termos, e é perfeitamente claro: ao partir de um ponto, dá uma volta e retorna ao mesmo ponto. Ou então vai da frente para trás e de volta para a frente, que afinal significa a mesma coisa. Mas se você disser a uma mulher que se trata de uma frequência de oito mil ciclos por segundo, ela desliga duas vezes seguidas.
— Deve ser porque elas não têm uma mentalidade técnica.
— O que? Já lhe aconteceu de prestar atenção enquanto elas falam em roupas? Com gomos, preguinhas, cortes enviesados e costuras francesas duplas? Alguma vez você já observou uma mulher enquanto fica costurando numa daquelas máquinas com agulhas duplas, para frente e para trás, com lançadeira oscilante e autobobinante? Ou num escritório, em frente a uma máquina IBM?
— Está certo. Entretanto não consigo ver o que há de errado no fato delas não estarem com vontade de pensar e de entender o que é um diferencial.
— Viva! Agora, sim, você falou uma grande verdade. Elas não estão com vontade de pensar nas coisas. São capazes de manipular coisas muito mais complicadas. — Mas elas não querem. Explique-me, por quê?
— Vai ver que elas pensam que não é muito feminino, ou coisa assim.
— Quer me dizer o que há nisto que não é muito feminino? Elas votam, dirigem carros e fazem um trizilhão de coisas que antes eram prerrogativa masculina.
— Não fique quebrando a cabeça — reclama Smitty. Levanta do sofá, pega o copo vazio e se aproxima de Herb para pegar o dele. — Eu acho que se elas querem assim, devemos deixar que as coisas fiquem assim, Quer saber o que a Tillie comprou ontem? Um par de botas de laçar. Pois é, iguaizinhas às minhas. Deixem que continuem a existir as tais palavras que para elas são incompreensíveis. Vai ver, quando o guri ficar adulto, esta será a única maneira dele saber quem é seu pai e quem é sua mãe. Daí, vive la différence!

Vênus Mais X de Theodore Sturgeon (Resenha)



Vênus Mais X - Theodore Sturgeon


Vênus Mais X (Venus Plus X) é o último romance de Sturgeon e um dos mais interessantes. Charlie Johns, um cidadão norte-americano contemporâneo, descobre ao despertar que foi misteriosamente transportado para um outro mundo. Está rodeado por homens bonitos com roupas coloridas e vozes aflautadas. Eles habitam uma deliciosa utopia conhecida por "Ledom" (leia-se ao contrário). Campos de força os levam pelo ar desde o topo das torres altas até as perfeitas e aplainadas planícies de abaixo. São pessoas pacíficas e felizes, que dedicam seu tempo às artes e às ciências. Charlie supõe que estes são os sucessores do Homo sapiens no século XXV. Depois de ter sido implantada em seu cérebro a linguagem de Ledom, por meio de algum processo tecnológico misterioso, é convidado a visitar o local e a fazer todas as perguntas que ele quiser. Aparentemente, os cidadãos de Ledom o trouxerem a este seu paraíso, com o propósito de se verem novamente através dos olhos ignorantes de Charlie.

Um fator significativo da sociedade de Ledom transtornou profundamente a Charlie; os nativos não são "homens". Eles não são nem homem nem mulher, mas hermafroditas. Todos estão equipados com os órgãos genitais de ambos os sexos, e todos são capazes de dar à luz. Mas Charlie é um indivíduo progressista e com uma grande imaginação, "Embora não pretendesse ser um gênio, sempre tinha sido convencido de que o progresso é dinâmico, e que, quando alguém se junta a ele tem de se inclinar um pouco para a frente, como se fosse numa prancha de surf, porque se você ficar reto, vai se afogar." Na situação em que ele está agora, não tem mais jeito, e precisa se acostumar com tudo.

Sturgeon tem recheado esta história com uma série de capítulos curtos recriando os subúrbios dos Estados Unidos na década de sessenta . Vemos dois casais indo às compras, cuidando de crianças, jogando boliche... Este é um contraste com as maravilhas do mundo de Ledom, mas o objetivo principal é mostrar que, mesmo hoje, em nosso século XX, as distinções entre os sexos estão desaparecendo. Os moradores ricos dos subúrbios também estão a caminho do hermafroditismo, mesmo que eles/elas não percebam. Vênus Mais X é um prenúncio notável de FC feminista dos anos setenta. Ele tem uma pequena dívida com The Disappearance (1951), de Philip Wylie, um romance que imagina um mundo sem homens (e, reciprocamente, um mundo sem mulheres), mas o livro de Sturgeon continua sendo uma das especulações mais originais sobre o assunto do sexo.

(Resenha publicada em "Las 100 Mejores Novelas de Ciencia Ficción" de David Pringle e traduzida por Herman Schmitz).

Aproveite para baixar o Epub em português aqui: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Theodore+Sturgeon/VENUS+MAIS+X+-+Theodore+Sturgeon,2460327.epub



Theodore Sturgeon - Biblioteca


Acesse aqui a biblioteca de Theodore Sturgeon: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Theodore+Sturgeon


O Homem Sintetico Theodore Sturgeon.pdf                             935 KB
Sturgeon, Theodore - La barrera y otros relatos.pdf                1002 KB
Sturgeon, Theodore. [A] Regreso.pdf                                 614 KB
Sturgeon, Theodore. [N] Cuerpodivino.doc                            348 KB
Sturgeon, Theodore. [N] El bulldozer asesino.doc                    162 KB
Sturgeon, Theodore. [N] Mas que humano.doc                          539 KB
Sturgeon, Theodore. [N] Violacion Cosmica.pdf                       308 KB
Sturgeon, Theodore. [R] ...y Atrapar al Unicornio.doc                54 KB
Sturgeon, Theodore. [R] Cuando hay interes, cuando hay amo..        118 KB
Sturgeon, Theodore. [R] El hombre que aprendio a amar.doc            42 KB
Sturgeon, Theodore. [R] El monstruo.doc                              79 KB
Sturgeon, Theodore. [R] Los Ninos del Apacible Comediante...        130 KB
Sturgeon, Theodore. [R] Los Poderes de Xanadu.pdf                    63 KB
Sturgeon, Theodore. [R] Prodigio.doc                                 46 KB
Theodore Sturgeon - (Mundos Imaginarios) Cuerpo divino.pdf          665 KB
Theodore Sturgeon - Cuando hay interes, cuando hay amor.doc         118 KB
Theodore Sturgeon - Cuerpodivino.doc                                364 KB
Theodore Sturgeon - Deslumbrado.pdf                                  77 KB
Theodore Sturgeon - El bulldozer asesino.doc                        162 KB
Theodore Sturgeon - El Escalpelo De Occam.pdf                        53 KB
Theodore Sturgeon - El Hombre Que Aprendio A Amar.doc                42 KB
Theodore Sturgeon - El Hurkle Es Un Animal Feliz.pdf                 40 KB
Theodore Sturgeon - Extrapolación.doc                               109 KB
Theodore Sturgeon - La barrera y otros relatos.rtf                  729 KB
Theodore Sturgeon - La Educacion De Drusilla Strange.pdf             74 KB
Theodore Sturgeon - La Fuente Del Unicornio (cuentos).doc           759 KB
Theodore Sturgeon - La Navaja De Occam.doc                           89 KB
Theodore Sturgeon - Las Estrellas Son La Estigia.pdf                 92 KB
Theodore Sturgeon - Los Cristales Soñadores.pdf                     279 KB
Theodore Sturgeon - Los Ninos Del Apacible Comediante (196..        130 KB
Theodore Sturgeon - Los Poderes De Xanadu.pdf                        63 KB
Theodore Sturgeon - Mas Que Humano.pdf                             1274 KB
Theodore Sturgeon - Mundo Bien Perdido.htm                           55 KB
Theodore Sturgeon - Nascita Del Superuomo.pdf                       774 KB
Theodore Sturgeon - Nuevamente Sturgeon (cuentos).pdf               503 KB
Theodore Sturgeon - Regla De Tres.pdf                                85 KB
Theodore Sturgeon - Regreso.pdf                                     614 KB
Theodore Sturgeon - Sombras Chinescas.doc                            42 KB
Theodore Sturgeon - Un Camino A Casa.htm                             23 KB
Theodore Sturgeon - Violacion Cosmica.pdf                           308 KB
Theodore Sturgeon - Y A Atrapar Al Unicornio.doc                     72 KB
Theodore Sturgeon - Y Ahora Las Noticias.doc                         70 KB
Theodore-Sturgeon-Venus-mais-X-SCI-FI.doc                           584 KB
VENUS MAIS X - Theodore Sturgeon.epub

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ray Bradbury — Apresenta Theodore Sturgeon em um Antologia


Introdução à Antologia de Sturgeon: La Fuente del Unicornio
por RAY BRADBURY



Quizá la mejor manera de expresar lo que pienso de un cuento de Theodore Sturgeon sea explicar con qué minucioso interés, en el año 1940, abría por el medio cada relato de Sturgeon y le sacaba las tripas para ver qué era lo que lo hacía funcionar. Hasta ese momento yo no había vendido ningún cuento, tenía veinte años y fiebre por conocer los enormes secretos de los escritores de éxito. Miraba a Sturgeon con secreta y persistente envidia. Y la envidia, tenemos que admitirlo, es para un escritor el síntoma más seguro de la superioridad de otro autor. Lo peor que se puede decir del estilo de un escritor es que te aburre; lo más elogioso que se me ocurre sobre Sturgeon es que odiaba su maldito y eficiente ingenio. Y como él tenía lo que yo andaba buscando, originalidad (cosa siempre rara en las revistas populares), no me quedaba más remedio que volver una y otra vez a sus cuentos, atormentado de envidia, para disecarlos, desmontarlos, reexaminarles los huesos. No sé si de veras descubrí alguna vez el secreto de Sturgeon. Es muy difícil cortar el gas hilarante con un bisturí. La gracia y la espontaneidad son muy evasivas, materiales brillantes y gaseosos que pronto estallan y se esfuman. Levantas la mano para señalar un latido de fuegos artificiales en un cielo de verano, gritas " ¡Mira! ", y bajas el brazo porque, mientras tratabas de tocarla, la maravilla se desvaneció.

Sturgeon tiene muchos de los atributos de una magnífica traca con un potente trueno final. Hay en sus cuentos luces de Bengala y maravillosas culebras y volcanes de invención, humor y encanto. Y antes de emprender el viaje por este libro y sus correspondientes maravillas, quizá te convenga hacerte una radiografía de las glándulas. Porque es evidente que el señor Sturgeon escribe con las glándulas. Y si no lees con las glándulas funcionando correctamente, este libro no es para ti.

Pero escribir con las glándulas es una ocupación precaria. Muchos escritores tropiezan con sus propios intestinos y caen a una muerte terrible, entre retorcidas masas de tripas, en las fauces de la negra y muy malvada máquina de escribir. Eso no pasa con Sturgeon, porque es evidente que sus vísceras, a medianoche, proyectan un increíble resplandor sobre todos los objetos cercanos. En un mundo de falsa solemnidad y enorme hipocresía, es maravilloso encontrar cuentos escritos no sólo con ese voluminoso objeto arrugado que hay por encima de los ojos sino, sobre todo, con los vigorosos ingredientes de la cavidad peritoneal.

Ante todo, Sturgeon parece amar la escritura, y deleitarse con relatos felices de ritmo trepidante. Es cierto que algunos de los cuentos incluidos en este libro no son monumentos a la alegría sino, aviesamente, fríos y verdes edificios de miedo. Hay que recomendar este libro a esos médicos oscuramente inescrupulosos que suelen despachar los violentos extremos de enfriamiento y calentura de sus pacientes diciendo que el resultado inevitable es la gripe.

No conozco personalmente al señor Sturgeon, pero desde hace algún tiempo sus cartas estallan en mi buzón, y después de algunos días de conjeturas he llegado a la conclusión de que el señor Sturgeon es un niño que se ha escapado de su casa un día de primavera y ha buscado refugio y alimento bajo un puente, un gnomo pequeño y brillante que usa pluma y tinta rápidas y papel blanco mientras escucha, allá arriba, el trueno de un mundo intemporal. Y ese gnomo increíble, bajo su estruendoso puente, al no poder ver el mundo secreto que le pasa por encima, se ha formado sus propios conceptos acerca de esa oculta civilización. Allí arriba, ¿quién sabe?, podría ser el año 1928, o 2432, o 1979. Parte de la imagen que tiene está sacada de una manera de vivir que ha adivinado con divertida precisión a partir de los sonidos de las pisadas y de los ruidos y las voces de la gente que pasa por lo alto; el resto es pura fantasía e invención, un gigantesco carnaval distorsionado pero más real todavía a causa de su irrealidad. Nos vemos retratados en poses grotescas, en plena actuación.

Espero conocer algún día a Sturgeon. Iré a hacer alguna excursión a pie por el centro y el este, por caminos rurales y por senderos de sicómoros, y me detendré en cada puente a escuchar y mirar y esperar, y quizá una tarde de verano, en el silencio propio de esos días, miraré hacia abajo y al pie de un arco de esquisto encontraré al señor Sturgeon escribiendo con pluma y tinta. No será fácil encontrarlo, pues todavía no he entendido qué tipo de puente prefiere, si los puentes altos, metálicos y arquitectónicos como el de Brooklyn y el de San Francisco, o puentes de arroyo pequeños, olvidados, cubiertos de musgo, donde cantan los mosquitos y el silencio es verde. Cuando haya entendido las dos mitades de su escindida personalidad de escritor, iniciaré la caminata. Y si al llegar a algún puente solitario es de noche, reconoceré su escondite por el puro y brillante resplandor que emiten sus vísceras, que permitirá ver hasta el otro extremo del prado y la montaña más lejana.

Mientras tanto, felicito al señor Sturgeon diciendo que todavía lo odio .

RAY BRADBURY
Los Ángeles, 1948

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Isaac Asimov - A Nave das Sombras (Antologia de Contos)


A Nave das Sombras, coletânea de contos de Ficção Científica vencedoras do prêmio Hugo, o Oscar da FC, e comentadas por Issac Asimov.

Com histórias de Fritz Leiber, Theodore Sturgeon, Poul Anderson e Larry Niven — todos grandes nomes.

Scan da série argonauta 395, bem melhor de ler no computador que no livro em papel.

Leia agora no SlideShare A Nave das Sombras http://www.slideshare.net/hermanschmitz/a-navedassombras-the-hugo-winers-ed-issac-asimov




***