Filhos do Fim do Mundo — Fábio M. Barreto – Prólogos Imortais da Ficção Científica
Filhos do Fim do Mundo Fábio M. Barreto Prólogo O resquício da forte tempestade ainda podia ser visto pelas janelas da delegacia quando o telefone tocou. As gotas caíam vagarosamente; a árvore de Natal iluminava o ambiente; quase ninguém de plantão. Ventava muito. Os olhos da Plantonista de Emergência estavam paralisados. Arregalados. Aterrorizados. Resultado da mescla da preparação na Academia com a resposta aos gritos arrasadores do outro lado da linha. O identificador de chamadas mostrava a origem da ligação: o hospital local. Ela tentava falar, mas não conseguia. Simplesmente ficou muda e imóvel. Outras ligações começam a preencher o painel virtual na tela do computador. Em meio aos gritos da mulher que ligava, a Oficiala de Comunicação compreendeu a mensagem e não entendia como ainda não havia desmaiado ou passado mal por conta do estômago embrulhado. A Enfermeira da maternidade gritava a plenos pulmões e repetia a mesma frase. Um mantra agourento e desconcertante até mesmo para u...