O Homem Ilustrado — Ray Bradbury – Prólogos imortais da Ficção Científica
O Homem Ilustrado Ray Bradbury PRÓLOGO Foi por uma tarde quente de princípios de Setembro que encontrei, pela primeira vez, o Homem Ilustrado. Percorria a última etapa de uma viagem a pé, de quinze dias, pelo Wisconsin. Ao cair da noite parei para comer alguma carne de porco com feijões e um biscoito. Preparava-me para me estender a ler quando o Homem Ilustrado surgiu no alto da colina e ficou um momento imóvel, a silhueta recortada contra o céu. Ignorava, nesse momento, que ele estava Ilustrado. Reparei, unicamente, que era alto, que outrora fora bem musculado mas, agora, por qualquer razão, tinha tendência para engordar. Lembro-me que possuía uns braços longos e umas mãos grossas, mas o rosto, no alto do corpo maciço, era como o de uma criança. Pareceu pressentir a minha presença, pois não me olhou quando pronunciou as primeiras palavras: — Sabe onde poderei encontrar trabalho? — Lamento, mas não sei — respondi. — Ainda não consegui um emprego durável nestes últimos quarenta anos. Fa...