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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DISTRITO FEDERAL, romance de Luiz Bras — Resenha Crítica



BRAS, Luiz. Distrito Federal. São Paulo, Editora Patuá, 2014. 280 págs. Ilustrado.

     Luiz Bras é um heterônimo. De quem, não interessa agora, pois ele está vivo e atuante e não queremos atrapalhar isso. Só me arrisco a revelar que este não é o seu único heterônimo. O que é ótimo. Segundo a pequena biografia em seu livro, nasceu em 22 de abril de 1968, em Cobra Norato, pequena cidade da mítica Terra Brasilis (sic). Atualmente reside em São Paulo. É ficcionista e coordenador de laboratórios de criação literária. Lançou o livro de contos Paraíso Líquido em 2010 e no ano seguinte um livrinho mágico de ensaística autocrítica: Muitas Peles, inteiramente dedicado à ficção científica no Brasil. Em 2012 o romance Sozinho no Deserto Extremo e no início de 2014 publicou também o livro de minicontos Pequena Coleção de Grandes Horrores.
 
    
     Distrito Federal é um livro de capa dura e com 280 páginas, o tipo de livro que para em pé sozinho. Folhando-o ao acaso, se nota uma tipografia e uma estética única. É de uma arquitetura telegráfica, em staccato, como uma epopeia, uma ode, ou um cantares, uma obra que certamente conterá maravilhas... 

     Pois foi justamente assim que me aconteceu... Sinceramente, tive um sobressalto quando comecei a lê-lo. É um livro de difícil classificação, pois ele se encaixa em diversas situações literárias, tanto como um longo poema, ou um romance, dependendo muito da visão do leitor e também da maneira como se o lê.

     O centro nervoso do livro é a corrupção e o encanto midiático gerado em torno dessa praga disseminada hoje em todo o Brasil. É assim que alguns seres mitológicos do nosso folclore, cybermutantes, de um jeito meio alienígenas, comandados por um curupira elétrico de uma extrema capacidade olfativa, e um bando de sacis malucos, auxiliados por boitatás, cucas, entre outros, que perseguem políticos corruptos e empresários corruptores, freneticamente, e logo passam a executá-los, com inúmeros requintes de crueldade, conjuntamente a uma facção secreta de humanos auxiliares que se intitulam a Máquina Macunaíma e são convocados para a vingança do povo idiotizado. Aí começa a carnificina. À medida que se avança na história, há mais e mais requinte nessas execuções, com verdadeiras instalações e performances de horror, onde se retalham governadores, secretários de educação, secretários de saúde, nos saguões de hotéis em Fortaleza, Porto Alegre, ou Manaus... Há sempre mais e mais visibilidade nas notícias internas da história, pois o livro tem uma espécie de agência noticiosa que vai contabilizando as execuções e narrando os detalhes mais sórdidos; é um emaranhado tupinipunk, que vai levando o leitor pela alta esfera vertiginosa dos políticos, socialites, âncoras de jornais, e até uma espécie de alter ego do próprio leitor, com uma vozinha fina, intimando uma participação com conselhos e ironias bem apropriadas.

     Classificar Distrito Federal como uma ficção científica de raiz, poderia ser comprometedor, hesito em fazer isso, pois a história é narrada com muitos elementos da ficção científica próxima do subgênero cyberpunk, mas tem algo na forma como o autor apresenta a questão que transcende o gênero, que o eleva ao nível de um surrealismo tupicyberpunk, e essa imersão num certo ciberespaço, na brain-net como o autor define, com esses personagens-espíritos clamando vingança, que são mais como avatares de um ambiente virtual do que seres tangíveis, não nos leva efetivamente a uma transcendência espaço temporal no imaginário da FC, mas se revela como uma importante reflexão em torno da ética, do humanitário, das manipulações de massa e dos jogos de poder. E eu vejo aí mais um hiper-realismo que um futurismo, uma fenomenologia emblemática do vingador, desencadeada na hora da leitura, por um curupira assassino inconsciente, que irá fazer a sua justiça na mesma intensidade e crueldade desses podres poderes. E assim, o leitor tem uma espécie de vingança pessoal com essa leitura.

     Em relação à estilística, a obra possui uma escritura cíclica, há uma divisão em células temáticas, que se aderem uma às outras por contato, com a repetição de algumas sentenças, como o rodopio de um curupira, que vai revelando mais e mais fatos relacionados entre si. O que aproxima muito o texto da poesia, do poema em prosa e também do fluxo de consciência.

     Outro encanto do autor é o uso da segunda pessoa, para nos colocar dentro do livro, como um leitor personagem que sai do texto. Para exemplificar melhor vou mostrar um pequeno trecho:

     (...) Se você calar a cacofonia que agita teus pensamentos, logo notará o sussurro que viaja no labirinto de canos & fios atrás das paredes. (p.212).

     O livro tem algumas ilustrações como essa da capa, realizadas por Teo Adorno, com a estética do recorte, das montagens psicodélicas de um curupira destruidor que vai deixando o seu rastro com pedaços de órgãos, de vísceras, de corações retalhados, e de símbolos cabalísticos, em forma de estratos antropomórficos dessa realidade alternativa que nos mostra o romance. Essas ilustrações são como um respiro visual na densidade temática da obra, pausa, às vezes, necessária nessa leitura.

     Portanto, Distrito Federal não é um livro do tipo fácil de ler, sua temática, seu estilo, sua ficção científica, são peças que precisam ser remontadas na mente do leitor, e nem todos gostam de ir tão ao fundo nas ideias, entretanto, aos leitores privilegiados que imergirem nesse Distrito Federal, com certeza serão recompensados na medida certa, terão um mapa completo da podridão existencial em que está a política brasileira, a mídia nacional e o completo abandono do indivíduo pensante.



Por Herman Schmitz
Escritor de Ficção Científica


Versão em PDF para download no site da Academia.edu, no seguinte link: https://www.academia.edu/11066786/Distrito_Federal_de_Luis_Braz_-_Resenha_Cr%C3%ADtica

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Alienígenas na Ficção Científica em 4 Livros Básicos

Entendemos por alienígenas qualquer criatura viva, originária de fora do planeta Terra, e apesar das abdução e dos mais diversos graus de encontros, a ciência atual ainda não possui nenhum indício formal da existência de seres extraterrestres.
Já fazem muitos séculos que filósofos e pessoas de bom senso percebem o fato evidente de que, se essas estrelas todas houvessem sido acesas somente para abrilhantarem as nossas noites, certamente seria um desperdício divino.
Mas enquanto não nos chegam as evidências, nos resta imaginar esses habitantes e para nos auxiliar nesse percurso temos os livros de ficção científica.
Foi somente no final do século XIX, com o início do processo de globalização, surgidas do aperfeiçoamento da cartografia e do telescópio, é que se pensou na possibilidade real de haverem seres inteligentes habitando mundos como o nosso, e que esses seres poderiam nos alcançar algum dia desses.
O mapeamento rudimentar do planeta Marte que expôs os desenhos dos canais marcianos de forma intencionalmente parecidas com as nossas redes de rodovias e ferrovias, provocou nas mentes um conceito festivo de que o nosso planeta vizinho era tão habitado como o nosso.
E foi neste cenário que H. G. Wells escreveu "A Guerra dos Mundos".
Este é sem dúvida alguma o primeiro livro relevante a explorar o tema da invasão alienígena, no caso uma invasão marciana, na Terra. Seu sucesso foi aumentado grandemente após a transmissão radiofônica na rede CBS por Orson Wells e que provocou pânico nos Estados Unidos em 30 de outubro de 1938, por ser confundida com uma invasão real. Depois disso foram feitas várias versões pra o cinema, a mais próxima do livro é a de 1953, dirigida por Byron Haskin.
Com essa temática da invasão à Terra surgiram inúmeros livros, filmes e seriados para televisão, porém as invasões muito escandalosas logo deram lugar às invasões silenciosas e discretas, bem mais perigosas e dramáticas.
O Romance "Os Manipuladores" (The Puppet Masters) de 1951 é o primeiro a tratar o tema deste modo, no qual os alienígenas são uma espécie de estrelas-do-mar, com uma mente coletiva e que grudam-se nas pessoas e comandam-nas como se fossem marionetes. O romance foi adaptado para o cinema em 1994 (Sob o Domínio dos Aliens) dirigido por Stuart Orme e com Donad Sutherland no papel principal. O livro ainda é considerado bem superior ao filme.
Em 1955, Jack Finney, um autor quase desconhecido na época tanto quanto hoje, lança o livro "Os Invasores de Corpos" (The Body Snatchers), relatando uma invasão alienígena de uma espécie de esporos inteligentes que são absorvidos pelos humanos enquanto estão dormindo, causando-lhes uma letargia gradativa até se transformarem em uma espécie de vagem ou casulo, e depois que suas mentes são drenadas, elas são substituídas por cópias alienígenas destituídas de emoções, e o processo vai se repetindo na vizinhança. Uma história absorvente, escrita em uma época de grande preocupação com a invasão do comunismo no mundo, daí talvez o enorme sucesso da primeira versão para o cinema, lançada já no ano seguinte em 1956: "Invasion of the Body Snatchers" (Vampiros de Almas), dirigida por Don Siegel. O remake de 1978 dirigido por Philip Kaufman e por coincidência também com Donald Sutherland como protagonista, é bem superior nos efeitos e na dramaticidade, porém se distancia um pouco da história original.
"A Aldeia dos Malditos" (The Midwich Cuckoos, o livro foi renomeado depois do filme de 1960 para Village of the Damned) de 1957, é do inglês John Wyndham, escritor prolífico e bastante conhecido nos anos 40 e 50, dotado de um estilo que ele mesmo intitulou de "fantasia lógica", foi muito influenciado por H. G. Wells, e escreveu diversas histórias sobre alienígenas ou monstros, sempre ressaltando a inabilidade humana nesse contato. Este é o seu livro mais importante, especialmente depois da excelente versão de Wolf Rilla para o cinema em 1960.
A história começa com um desmaio coletivo na pequena cidade de Midwich no interior da Inglaterra, que deixou toda a população inconsciente por um breve período e logo todos voltam à normalidade. Passado alguns meses, todas as mulheres da cidade descobrem que estão grávidas e vão dando à luz estranhas crianças, com olhos brilhantes, fantásticos poderes extrassensoriais, e visivelmente agressivas com a humanidade, deixando bem claro as suas intenções de dominação alienígena. 
Esta história foi refilmada em 1995 (A Cidade dos Amaldiçoados) por John Carpenter, mas a versão de 1960 ainda é bastante superior tanto cinematograficamente como em relação à proximidade com a história original do livro.

Bom, esta é a primeira parte de uma série de resenhas sobre os livros mais importante com o tema do alienígena na ficção científica. Para quem desejar ler os originais e não encontra-los em papel, deixo também o link para a versão digital que encontrei na internet:

A Guerra dos Mundos: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Temas/Aliens/H.+G.+Wells+-+A+Guerra+dos+Mundos,35220166.pdf

Amos de Títeres: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Temas/Aliens/Robert+A.+Heinlein+-+Amos+de+t*c3*adteres,35219855.pdf

Os Invasores de Corpos: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Temas/Aliens/Jack+Finney+-+Os+Invasores+de+Corpos,35220040.epub

Los Cuclillos de Midwich: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Temas/Aliens/John+Wyndham+-+Los+Cuclillos+De+Midwich,35220006.pdf


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Frederik Pohl - EL DIA DE LA ESTRELLA NEGRA (Resenha e PDF)


Leia online o PDF agora: http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/31271705

Resenha de Domingo Santos

EL DIA DE LA ESTRELLA NEGRA
Frederik Pohl

Como dijo recientemente un crítico, "aunque sólo hubiera escrito Mercaderes del espacio (y aunque fuera en colaboración con C. M. Kornbluth), Frederik Pohl merecería un lugar de honor en la historia de la ciencia ficción". A esta obra, sin embargo (que indudablemente señaló todo un hito en el género), yo me atrevería a añadir otras: Homo Plus, Pórtico..., y, por supuesto, ésta.

El día de la estrella negra (no me pregunten el simbolismo del título, por favor) es a mi juicio una de las obras más originales de Frederik Pohl. Empieza como una sobrecogedora antiutopía: Rusia y los Estados Unidos se han destruido mutuamente en una alocada y devastadora guerra nuclear, y tras ella China ha ocupado su lugar como primera potencia mundial, con la India como eterno enemigo. Lo que queda de los Estados Unidos ha sido ocupado por los chinos, que han iniciado una lenta reconstrucción y mantienen el país bajo una benigna esclavitud, más cultural que física. El primer tercio de la novela se encarga de pintarnos este cuadro realista, tan convincente como aterrador. Pero Pohl es incapaz de limitarse a esto como planteamiento de uno de sus libros. Y, así, pronto aparece una nave desconocida, y una lejana colonia espacial de estadounidenses acérrimos que suenan con reconquistar su gloriosa nación, así como una raza alienígena de animales de compañía hechos inteligentes por sus antiguos amos desaparecidos...

Con todos estos elementos, Pohl construye un relato que puede leerse a múltiples niveles. Debajo de la apasionante aventura superficial, que entusiasmará a cualquier aficionado a la ciencia ficción, subyacen capa tras capa de significados. No tengo intención revelarles aquí ninguno de ellos (ni siquiera, repito, el simbolismo del título). Lo único que les pido es: léanla, y no se queden en la primera capa. No duden en escarbar. Les aseguro que se verán ampliamente recompensados.

DOMINGO SANTOS

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Olaf Stapledon — Hacedor de Estrellas (Prefácio de 1937)



Hacedor de Estrellas - Olaf StapledonPrefacio do autor

En un momento en que Europa corre peligro de una catástrofe mayor que la de 1914, este libro podría considerarse una inútil distracción; la defensa del mundo civilizado contra el barbarismo moderno es hoy desesperadamente urgente.

Jorge Luis Borges - Prólogo a Hacedor de Estrellas de Olaf Stapledon


Jorge Luis Borges

Nota preliminar à Hacedor de Estrellas de Olaf Stapledon

Hacia 1930, ya bien cumplidos los cuarenta años, William Olaf Stapledon abordó por primera vez el ejercicio de la literatura. A esta iniciación tardía se debe el hecho de que no aprendió nunca ciertas destrezas técnicas y de que no había contraído ciertas malas costumbres. El examen de su estilo, en el que se advierte un exceso de palabras abstractas, sugiere que antes de escribir había leído mucha filosofía y pocas novelas o poemas. En lo que se refiere a su carácter y a su destino, más vale transcribir sus propias palabras: «Soy un chapucero congénito, protegido (¿o estropeado?) por el sistema capitalista. Sólo ahora al cabo de medio siglo de esfuerzo, he empezado a aprender a desempeñarme. Mi niñez duró unos veinticinco años; la moldearon el Canal de Suez, el pueblito de Abbotsholme y la Universidad de Oxford. Ensayé diversas carreras y periódicamente hube de huir ante el inminente desastre. Maestro de escuela, aprendí de memoria capítulos enteros de la «Escritura», la víspera de la lección de historia sagrada. En una oficina, de Liverpool eché a perder listas de cargas: en Port Said, candorosamente permití que los capitanes llevaran más carbón que el estipulado. Me propuse educar al pueblo: peones de minas y obreros ferroviarios me enseñaron más cosas de las que aprendieron de mí. La guerra de 1914 me encontró muy pacífico. En el frente francés manejé una ambulancia de la Cruz Roja. Después: un casamiento romántico, hijos, el hábito y la pasión del hogar. Me desperté como adolescente casado a los treinta y cinco años. Penosamente pasé del estado larval a una madurez informe atrasada. Me dominaron dos experiencias: la filosofía y el trágico desorden de la colmena humana... Ahora, ya con un pie sobre el umbral de la adultez mental, advierto con una sonrisa que el otro pisa la sepultura».

La metáfora baladí de la última línea es un ejemplo de la indiferencia literaria de Stapledon, ya que no de su casi ilimitada imaginación. Wells alterna sus monstruos —sus marcianos tentaculares, su hombre invisible, sus proletarios subterráneos y ciegos— con gente cotidiana; Stapledon construye y describe mundos imaginarios con la precisión y con buena parte de la aridez de un naturalista. Sus fantasmagorías biológicas no se dejan contaminar por percances humanos.

En un estudio sobre «Eureka» de Poe, Valery ha observado que la cosmogonía es el más antiguo de los géneros literarios; pese a las anticipaciones de Bacon, cuya «Nueva Atlántida» se publicó a principio del siglo XVII, cabe afirmar que el más moderno es la fábula o fantasía de carácter científico. Es sabido que Poe abordó aisladamente los dos géneros y acaso inventó el último; Olaf Stapledon los combina, en este libro singular. Para esta exploración imaginaria del tiempo y del espacio, no recurre a vagos mecanismos inconvincentes sino a la fusión de una mente humana con otras, a una suerte de éxtasis lúcido, o (si se quiere) a una variación de cierta famosa doctrina, de los cabalistas, que suponían que en el cuerpo de un hombre pueden habitar muchas almas, como en el cuerpo de la mujer que está por ser madre. La mayoría de los colegas de Stapledon parecen arbitrarios o irresponsables; éste, en cambio, deja una impresión de sinceridad, pese a, lo singular y a veces monstruoso de sus relatos. No acumula invenciones para la distracción o el estupor de quienes lo leerán; sigue y registra con honesto vigor las complejas y sombrías vicisitudes de su sueño coherente.

Ya que la cronología y la geografía parecen ofrecer al espíritu una misteriosa satisfacción, agregaremos que este soñador de Universos nació en Liverpool el 10 de mayo de 1886 y que su muerte ocurrió en Londres el 6 de septiembre de 1950. Para los hábitos mentales de nuestro siglo, «Hacedor de estrellas» es, además de una prodigiosa novela, un sistema probable o verosímil de la pluralidad de los mundos y de su dramática historia.

Jorge Luis Borges

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Vênus Mais X de Theodore Sturgeon (Resenha)



Vênus Mais X - Theodore Sturgeon


Vênus Mais X (Venus Plus X) é o último romance de Sturgeon e um dos mais interessantes. Charlie Johns, um cidadão norte-americano contemporâneo, descobre ao despertar que foi misteriosamente transportado para um outro mundo. Está rodeado por homens bonitos com roupas coloridas e vozes aflautadas. Eles habitam uma deliciosa utopia conhecida por "Ledom" (leia-se ao contrário). Campos de força os levam pelo ar desde o topo das torres altas até as perfeitas e aplainadas planícies de abaixo. São pessoas pacíficas e felizes, que dedicam seu tempo às artes e às ciências. Charlie supõe que estes são os sucessores do Homo sapiens no século XXV. Depois de ter sido implantada em seu cérebro a linguagem de Ledom, por meio de algum processo tecnológico misterioso, é convidado a visitar o local e a fazer todas as perguntas que ele quiser. Aparentemente, os cidadãos de Ledom o trouxerem a este seu paraíso, com o propósito de se verem novamente através dos olhos ignorantes de Charlie.

Um fator significativo da sociedade de Ledom transtornou profundamente a Charlie; os nativos não são "homens". Eles não são nem homem nem mulher, mas hermafroditas. Todos estão equipados com os órgãos genitais de ambos os sexos, e todos são capazes de dar à luz. Mas Charlie é um indivíduo progressista e com uma grande imaginação, "Embora não pretendesse ser um gênio, sempre tinha sido convencido de que o progresso é dinâmico, e que, quando alguém se junta a ele tem de se inclinar um pouco para a frente, como se fosse numa prancha de surf, porque se você ficar reto, vai se afogar." Na situação em que ele está agora, não tem mais jeito, e precisa se acostumar com tudo.

Sturgeon tem recheado esta história com uma série de capítulos curtos recriando os subúrbios dos Estados Unidos na década de sessenta . Vemos dois casais indo às compras, cuidando de crianças, jogando boliche... Este é um contraste com as maravilhas do mundo de Ledom, mas o objetivo principal é mostrar que, mesmo hoje, em nosso século XX, as distinções entre os sexos estão desaparecendo. Os moradores ricos dos subúrbios também estão a caminho do hermafroditismo, mesmo que eles/elas não percebam. Vênus Mais X é um prenúncio notável de FC feminista dos anos setenta. Ele tem uma pequena dívida com The Disappearance (1951), de Philip Wylie, um romance que imagina um mundo sem homens (e, reciprocamente, um mundo sem mulheres), mas o livro de Sturgeon continua sendo uma das especulações mais originais sobre o assunto do sexo.

(Resenha publicada em "Las 100 Mejores Novelas de Ciencia Ficción" de David Pringle e traduzida por Herman Schmitz).

Aproveite para baixar o Epub em português aqui: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Theodore+Sturgeon/VENUS+MAIS+X+-+Theodore+Sturgeon,2460327.epub



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ray Bradbury — Apresenta Theodore Sturgeon em um Antologia


Introdução à Antologia de Sturgeon: La Fuente del Unicornio
por RAY BRADBURY



Quizá la mejor manera de expresar lo que pienso de un cuento de Theodore Sturgeon sea explicar con qué minucioso interés, en el año 1940, abría por el medio cada relato de Sturgeon y le sacaba las tripas para ver qué era lo que lo hacía funcionar. Hasta ese momento yo no había vendido ningún cuento, tenía veinte años y fiebre por conocer los enormes secretos de los escritores de éxito. Miraba a Sturgeon con secreta y persistente envidia. Y la envidia, tenemos que admitirlo, es para un escritor el síntoma más seguro de la superioridad de otro autor. Lo peor que se puede decir del estilo de un escritor es que te aburre; lo más elogioso que se me ocurre sobre Sturgeon es que odiaba su maldito y eficiente ingenio. Y como él tenía lo que yo andaba buscando, originalidad (cosa siempre rara en las revistas populares), no me quedaba más remedio que volver una y otra vez a sus cuentos, atormentado de envidia, para disecarlos, desmontarlos, reexaminarles los huesos. No sé si de veras descubrí alguna vez el secreto de Sturgeon. Es muy difícil cortar el gas hilarante con un bisturí. La gracia y la espontaneidad son muy evasivas, materiales brillantes y gaseosos que pronto estallan y se esfuman. Levantas la mano para señalar un latido de fuegos artificiales en un cielo de verano, gritas " ¡Mira! ", y bajas el brazo porque, mientras tratabas de tocarla, la maravilla se desvaneció.

Sturgeon tiene muchos de los atributos de una magnífica traca con un potente trueno final. Hay en sus cuentos luces de Bengala y maravillosas culebras y volcanes de invención, humor y encanto. Y antes de emprender el viaje por este libro y sus correspondientes maravillas, quizá te convenga hacerte una radiografía de las glándulas. Porque es evidente que el señor Sturgeon escribe con las glándulas. Y si no lees con las glándulas funcionando correctamente, este libro no es para ti.

Pero escribir con las glándulas es una ocupación precaria. Muchos escritores tropiezan con sus propios intestinos y caen a una muerte terrible, entre retorcidas masas de tripas, en las fauces de la negra y muy malvada máquina de escribir. Eso no pasa con Sturgeon, porque es evidente que sus vísceras, a medianoche, proyectan un increíble resplandor sobre todos los objetos cercanos. En un mundo de falsa solemnidad y enorme hipocresía, es maravilloso encontrar cuentos escritos no sólo con ese voluminoso objeto arrugado que hay por encima de los ojos sino, sobre todo, con los vigorosos ingredientes de la cavidad peritoneal.

Ante todo, Sturgeon parece amar la escritura, y deleitarse con relatos felices de ritmo trepidante. Es cierto que algunos de los cuentos incluidos en este libro no son monumentos a la alegría sino, aviesamente, fríos y verdes edificios de miedo. Hay que recomendar este libro a esos médicos oscuramente inescrupulosos que suelen despachar los violentos extremos de enfriamiento y calentura de sus pacientes diciendo que el resultado inevitable es la gripe.

No conozco personalmente al señor Sturgeon, pero desde hace algún tiempo sus cartas estallan en mi buzón, y después de algunos días de conjeturas he llegado a la conclusión de que el señor Sturgeon es un niño que se ha escapado de su casa un día de primavera y ha buscado refugio y alimento bajo un puente, un gnomo pequeño y brillante que usa pluma y tinta rápidas y papel blanco mientras escucha, allá arriba, el trueno de un mundo intemporal. Y ese gnomo increíble, bajo su estruendoso puente, al no poder ver el mundo secreto que le pasa por encima, se ha formado sus propios conceptos acerca de esa oculta civilización. Allí arriba, ¿quién sabe?, podría ser el año 1928, o 2432, o 1979. Parte de la imagen que tiene está sacada de una manera de vivir que ha adivinado con divertida precisión a partir de los sonidos de las pisadas y de los ruidos y las voces de la gente que pasa por lo alto; el resto es pura fantasía e invención, un gigantesco carnaval distorsionado pero más real todavía a causa de su irrealidad. Nos vemos retratados en poses grotescas, en plena actuación.

Espero conocer algún día a Sturgeon. Iré a hacer alguna excursión a pie por el centro y el este, por caminos rurales y por senderos de sicómoros, y me detendré en cada puente a escuchar y mirar y esperar, y quizá una tarde de verano, en el silencio propio de esos días, miraré hacia abajo y al pie de un arco de esquisto encontraré al señor Sturgeon escribiendo con pluma y tinta. No será fácil encontrarlo, pues todavía no he entendido qué tipo de puente prefiere, si los puentes altos, metálicos y arquitectónicos como el de Brooklyn y el de San Francisco, o puentes de arroyo pequeños, olvidados, cubiertos de musgo, donde cantan los mosquitos y el silencio es verde. Cuando haya entendido las dos mitades de su escindida personalidad de escritor, iniciaré la caminata. Y si al llegar a algún puente solitario es de noche, reconoceré su escondite por el puro y brillante resplandor que emiten sus vísceras, que permitirá ver hasta el otro extremo del prado y la montaña más lejana.

Mientras tanto, felicito al señor Sturgeon diciendo que todavía lo odio .

RAY BRADBURY
Los Ángeles, 1948

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Larry Niven & Jerry Pournelle - Juramento de Fidelidad (Resenha)

Juramento de Fidelidad

LARRY NIVEN & JERRY POURNELLE

Larry Niven (nacido en 1938) y Jerry Pournelle (nacido en 1933) son los representantes de la Nueva Derecha en la ciencia ficción norteamericana. Su cf tiende a ser tecnofílica, militarista y de una persistente "tozudez". La paja en el ojo de Dios (1974), la primera novela que escribieron en colaboración, fue un bestseller, y podría clasificárselo como una anticuada ópera espacial, de la cual The Encyclopedia of Science Fiction dice: "Diversos comentaristas han criticado el libro por lo que consideran chauvinismo respecto de la humanidad, su incoherencia entre un argumento imaginativo y unos personajes anticuados, y una postura política conservadora". Otro trabajo reciente, El martillo de Lucifer (1977), es un mero panfleto a favor de los científicos e ingenieros norteamericanos y contra el movimiento ecologista, el pacifismo y otras doctrinas de tinte moderado. También fue un gran éxito comercial. Juramento de fidelidad (Oath of Fealty) es el más interesante de los libros de Niven y Pournelle, una novela más impregnada de verdadero sentido del debate que de mero sermón. La dedicatoria dice con acierto: "A Robert A. Heinlein, quien nos ha enseñado todo sobre cómo hacerlo".

La novela está escrita en el probado y auténtico estilo de la ficción moderna de los bestseller, muchos personajes de diferentes niveles sociales, cada uno con un "problema" personal, rápidos cambios de escenografía, y un sistema cerrado, la "arcología" denominada Todos Santos, que funciona como una sociedad global en pequeña escala. Allí donde en Arthur Hailey había un aeropuerto o un hotel, Niven y Pournelle nos presentan un enorme edificio de cincuenta plantas, de casi seis kilómetros de largo y equipado con cintas rodantes, acceso a los trenes subterráneos y un iceberg cercano para proveerse de agua. En el "sistema total" de esta pequeña ciudad viven y trabajan doscientas cincuenta mil personas: desde sus balcones pueden contemplar los barrios bajos del Gran Los Ángeles, y sentirse superiores. Sus vidas están reguladas por el sistema informatizado de Todos Santos, MILLIE: son vigilados por hombres armados, y guardan una suerte de lealtad feudal a su infatigable Administrador, un entrañable dictador llamado Art Bonner.

Bonner, y uno o dos personajes más, son seres humanos adaptados especialmente. Han sido dotados de "implantaciones" enormemente caras, dispositivos craneales que les permiten comunicarse directamente con MILLIE, lo cual hace innecesaria la existencia de burócratas intermediarios; Bonner es capaz de gobernar sabiamente Todos Santos gracias a que puede acceder inmediatamente a un conocimiento completo de sus propias funciones: está al tanto de todo lo que sucede, en todas partes. Si no fuera por este práctico dispositivo de ciencia ficción, y la gran competencia del señor Bonner, que se da por sentada, el lector podría poner en cuestión el buen funcionamiento de esta compleja arcología (recuerda a Rascacielos, de J. G. Ballard, pero es improbable que Niven y Pournelle hayan leído esa novela). Los habitantes de Todos Santos no se preocupan por sus propios y obscuros deseos: en cambio, tienen un enemigo exterior contra el cual luchar. "¿Habéis seguido las noticias?", pregunta un personaje. "Los FROMATES, los Amigos del Hombre y la Sociedad de la Tierra, siguen intentando sabotear a Todos Santos. Por no mencionar a otros diversos grupos aborrecibles. Y preparan un chantaje para sacar dinero. Bombas de olor. Nidos de avispas. Ese tipo de cosas, en general, pero a veces los terroristas llegan a niveles realmente horribles, como la granada que mató una docena de personas en la Arcología Central de la Corona, en Kansas."

La historia de la novela comienza con la intrusión de ciertos jóvenes rebeldes en las entrañas de la arcología. Llevan una falsa bomba -su propósito es hacer propaganda-, pero el sistema defensivo de Todos Santos cree que están verdaderamente armados, y los asfixia con gas. Gran parte de la trama gira alrededor de las consecuencias políticas de este incidente y del análisis de los aciertos y los errores del caso. El más "patriota" de los habitantes de la arcología defiende un lema horrible: "Piensa en ello como evolución en acción". Es el punto de vista del darwinismo social e, implícitamente, el de los autores.  Juramento de fidelidad no es un libro muy verosímil pero, como descripción del desarrollo dinámico de un futuro cercano, formula una cantidad de preguntas válidas y no las contesta a la ligera.


Primera edición: Simon & Schuster, Nueva York, 1981.
Primera edición en castellano: Acervo, Barcelona, 1983.

Fuente: David Pringle - Las 100 Mejores Novelas de La Ciencia Ficción

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Bilênio - J.G. Ballard (Resenha)


Billenium de J. G. Ballard


Superpopulação, ou alguma situação artificial forçando as pessoas a viver em proximidade, tem sido um tema recorrente na obra de JG Ballard, mas raramente ele ou qualquer outro escritor pintou um quadro tão eficaz e terrível como neste conto do início de sua carreira. O protagonista acaba de realizar o estado invejável de ter alugado uma pequena porção de uma escada como sua nova casa, a primeira vez que ele teve um espaço seu próprio durante toda a sua vida. Embora ele meça menos de quatro metros de comprimento, seus visitantes expressam alegria e inveja sobre sua vista panorâmica.

Não há trégua lá fora. O tráfego motorizado é inexistente, porque as ruas são tão cheios de pedestres que existem até ocasionais congestionamentos durante os quais multidões ficam bloqueadas no lugar, por horas ou mesmo dias. Todas as portas das residências pessoais têm de abrir para fora porque não há espaço suficiente para que se abram interiormente. Fora das cidades cheias, a paisagem efetivamente deixou de existir, sendo substituída por fazendas industriais necessárias para alimentar a população de bilhões da Terra. As ondas de claustrofobia em massa tornaram-se uma ameaça à saúde pública.

O protagonista é forçosamente uma criatura de hábitos, movendo-se apenas na direção para onde os pedestres estão fluindo, fora de contato com sua família, pois é muito difícil alcançar o bairro onde moram. Ele enfrenta uma nova crise, quando seu proprietário descobre que seu espaço alocado é um pouco mais que as dimensões máximas permitidas para uma única pessoa e o expulsa. Ele e um amigo resolvem morar juntos e alugam um quarto novo, menor do que o anterior, mas eles têm o prazer de descobrir que por trás de uma parede há uma área muito maior, que de alguma forma foi esquecida quando as novas repartições foram construídas. Eles se espantam ao descobrir que eles realmente podem estender os braços para fora e para os seus lados, sem tocar alguém ou alguma coisa.

Sua alegria pela descoberta transborda, mas infelizmente, eles  convidam duas jovens a partilhar o lugar ampliado por eles, mesmo que isso reduza a área aberta de forma dramática. Em seguida, uma tia idosa é acomodada em um pequeno cubículo, e como uma coisa leva a outra, a sua sala secreta fica realmente mais lotada do que espaço de comum de aluguel. Há humor na perda definitiva do protagonista, mas o humor é sombrio. Embora a situação que Ballard descreve pode ser exagerada satiricamente, aborda uma questão que é ainda mais relevante hoje do que quando a história foi escrita pela primeira vez.


Fonte: Enciclopédia da Ficção Científica - Don D'Ammassa.

J. G. Ballard - El Mundo Sumergido (Resenha)

El Mundo Sumergido de J. G. BALLARD

El mundo sumergido (The Drowned World) se publicó en los Estados Unidos en agosto de 1962 en una deplorable edición de bolsillo, y pasó prácticamente inadvertida. Cuando apareció la edición británica de tapas duras, en enero de 1963, la respuesta fue completamente distinta. Kingsley Amis escribió entonces: "Nos hallamos ante algo sin precedentes en este país, una novela de un autor de ciencia ficción que puede juzgarse de acuerdo con los patrones más exigentes... Quizá Ballard sea el más imaginativo de los sucesores de Wells".

James Graham Ballard (nacido en 1930) pasó su niñez en Shanghai, pero desde los quince años vivió en Inglaterra. En 1956 publicó sus primeros cuentos breves, y con El mundo sumergido se convirtió en el talento indiscutiblemente más poderoso y original de la cf británica. La historia transcurre en el siglo veintiuno; las fluctuaciones de la radiación solar han fundido los casquetes polares de la Tierra y han elevado el nivel de los mares. Todas las tierras bajas han quedado inundadas, las temperaturas medias han subido y la vida civilizada sólo subsiste en los círculos Ártico y Antártico. La novela está ambientada en Londres y sus alrededores, una ciudad convertida en un pantano. El doctor Robert Kerans es miembro de una expedición que estudia la fauna y la flora de esta nueva Era Triásica. Solitario, escoge el abandonado Hotel Ritz como lugar para acampar, entre los murciélagos, las iguanas, los helechos y los mohos que son ahora sus habitantes naturales. Comienza a tener sueños extraños que le sugieren que parte de su mente está descendiendo en un "viaje nocturno" a los profundos abismos del remoto pasado biológico de la humanidad.

Es un relato cautivante, que la densa y exquisita prosa de Ballard describe minuciosamente. Culmina con una nota en apariencia perversa que desconcertó a algunos lectores de su época, pues Kerans decide hundirse cada vez más en el mundo anegado, en busca de los "paraísos olvidados del sol renacido". Este propósito lo llevará irremisiblemente a la muerte, aunque antes le proporcionará satisfacción psicológica. Lo que Ballard ha hecho en realidad es invertir las prioridades de la "clásica" novela inglesa catastrófica (El día de los trífidos, de Wyndham, o La muerte de la hierba, de Christopher). En su novela, el desastre resulta bienvenido porque el paisaje que ha producido coincide con el estado mental del héroe. La tarea de Kerans es surrealista, en busca de una verdad psíquica. Es justo hablar de surrealismo, ya que la influencia de los pintores del movimiento surrealista ha marcado a Ballard mucho más que a ningún otro escritor. El Londres inundado de su novela se parece a unos de los mágicos bosques de Max Ernst; el libro incluso podría haberse llamado Europa después de la lluvia. Al mismo tiempo, Ballard tiene un estilo muy personal. Como en el mejor de sus primeros cuentos breves -reunidos en Las voces del tiempo (1963) y Playa terminal (1964)-, el lenguaje de esta novela se distingue por el uso vivaz de terminología médica y biológica, así como por la riqueza de las referencias mitológicas y artísticas. Ballard es uno de los escasos escritores de cf que ha combinado con éxito elementos científicos y artísticos en una prosa impecable, logrando concentrar en una sola oración todo el suspenso que a otros autores les demanda libros enteros. Aunque no guste a todo el mundo, Ballard es el tipo de autor cuya obra acaba por ser adictiva para el lector, pues es una voz verdaderamente única.

Primera edición: Berkley Books, Nueva York, 1962.Primera edición en castellano: Minotauro, Barcelona, 1968.Edición más reciente: Minotauro, Barcelona, 1987.
Fonte: David Pringle - Las 100 Mejores Novelas de la Ciencia Ficción.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

El planeta errante (The Wanderer) de Fritz Leiber - resenha.


FRITZ LEIBER
El planeta errante


Si este libro se titulara Las cien mejores novelas fantásticas, Fritz Leiber (nacido en 1910) merecería por lo menos tres artículos. Ha escrito menos obras notables de ciencia ficción que de horror sobrenatural y espada y hechicería. Entre los primeros suele citarse como la mejor la novela corta El gran tiempo (1961). Personalmente prefiero El planeta errante (The Wanderer), que es una novela larga, ambiciosa y de lectura fácil y amena.

Comienza con un eclipse de Luna. En todo el mundo la gente mira al cielo, y en rápida sucesión aparece una docena de personajes: astrónomos aficionados, fanáticos de ciencia ficción, entusiastas de los platillos voladores, y otros, todos brillantemente descritos. Es una narración con muchas tramas. La principal concierne a Paul Hagbolt, Margo Gelhorn, y a su gato Miau, durante un viaje nocturno en California del Sur. Se encuentran con una reunión, al aire libre, de observadores de ovnis. Repentinamente, las estrellas se desplazan hacia el lado obscuro de la Luna y un nuevo planeta se hace visible. Es el Errante, cuatro veces más grande que la Luna; en la cara visible tiene la forma del símbolo YinYang, mitad oro, mitad púrpura: un enorme objeto no identificado que supera la imaginación de los fanáticos de los platillos voladores; un mundo artificial que ha viajado a través del hiperespacio y se ha detenido en nuestro sistema solar para reabastecerse en la Luna.

La abrupta llegada del Errante produce catastróficos efectos gravitatorios. Don Merriam, un astronauta norteamericano, consigue escapar de la Luna en una pequeña nave espacial justo en el momento en que la Luna comienza a rajarse por la mitad y partirse en dos. Es atraído a la superficie del Errante y descubre que se trata de un planeta hueco, habitado por toda clase de seres inteligentes. Mientras tanto, California se ve sacudida por terremotos, y los océanos de todo el mundo comienzan a crecer provocando fortísimas marejadas. Mucha gente muere. Paul, Margo y su gatito están a punto de ser absorbidos por un tsunami cuando un "platillo volador" -una versión en miniatura del mismo Errante- desciende y los salva. La nave, repleta de flores y cubierta de espejos, es pilotada por una hermosa felina (Paul llega a llamarla Tigerishka), quien confunde a Miau con un ser inteligente. Al advertir su error, y aprendiendo inglés por telepatía, se refiere despreciativamente a Paul llamándolo "mono". Sin embargo, entre el hombre y la mujer-gata surge cierta amistad, que culmina en un acto de amor físico. Tigerishka explica de dónde viene el Errante y por qué: es un planeta a la deriva que escapa de una civilización intergaláctica, superpoblada y decadente, y le da una visión perturbadora del cosmos:

Un estanque puede llenarse de infusorios casi tan rápidamente como un pozo de aguas estancadas. Un continente puede llenarse de conejos casi tan rápidamente como un prado cualquiera. Y la vida inteligente puede expandirse hasta los confines del universo -confines que están por doquier- con la misma rapidez con que llega a la madurez en un solo planeta.

Los planetas de un trillón de soles pueden poblarse de constructores de naves tan rápidamente como los de uno solo. Diez millones de trillones de galaxias pueden infectarse con el deseo del pensamiento - ¡esa gran epidemia!- tan rápidamente como una sola.

La vida inteligente se expande con más rapidez que la peste. Y la ciencia crece de un modo más incontrolable que el cáncer.

Al fin Paul se une a Don Merriam en el Errante y ambos vuelven sanos y salvos a la Tierra, antes de que el artefacto regrese al hiperespacio, precisamente tres días después de su llegada.

El planeta errante es en parte una novela de desastre, en parte una ópera espacial. Leiber enriquece el libro con incontables referencias a la mitología, la religión, las artes y la cf. Los personajes hablan permanentemente. A pesar de que su trama es un paquete de sorpresas, no se trata de una pieza de ficción hábilmente escrita como bestseller, sino de una obra sumamente excéntrica, casi enciclopédica, un compendio de los amplísimos intereses y obsesiones de su autor. Aunque fue bien acogida por parte de los lectores cuando su publicó por primera vez, El planeta errante es hoy una novela olvidada, a la que muy rara vez se menciona en los estudios críticos de ciencia ficción. Yo creo que es la obra maestra de Leiber y que requiere una revalorización.


Primera edición: Ballantine, Nueva York, 1964.
Primera edición en castellano: Edhasa, Barcelona, 1967.
Edición más reciente: Edhasa, Barcelona, 1988.



Fonte: David Pringe - Ciencia Ficción - Las 100 mejores novelas

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Fritz Leiber - Esposa Hechicera (Resenha)


FRITZ LEIBER
Esposa hechicera


Fritz Leiber (nacido en 1910) es un maestro de la ficción de horror sobrenatural moderna. El telón de fondo tradicional de los cuentos de horror escalofriantes -castillos que se derrumban en medio de bosques obscuros, mansiones solitarias en páramos asolados por el viento- no son para él. Por lo común, sus relatos se sitúan en las ciudades y villas de la América contemporánea, y conciernen a personas brillantes y a la moda cuyas vidas son trastocadas espantosamente por terrores inexplicables. Otros escritores han seguido su ejemplo (entre ellos, autores de éxito comercial como Ira Levin y Stephen King), pero Leiber fue el primero: su obra pionera Esposa hechicera (Conjure Wife) fue publicada originalmente en Unknown Worlds en 1943. El texto ampliado para la versión en libro contiene una serie de referencias a bombas atómicas y otros fenómenos posteriores a 1945, pero esencialmente es el mismo relato que horrorizó y deleitó primero a los lectores del tiempo de la guerra en la revista de John W. Campbell.

La trama se basa en la hechicería en el marco de un campus universitario. Norman Saylor, un profesor de sociología bastante joven, descubre que su mujer, Tansy, ha estado practicando en secreto la "magia de conjuro de los negros". Ella colecciona cortauñas, pelo, clavos de herradura y hasta basura de cementerios, y usa estos elementos, junto con otros detritos poderosos, para hacer encantos que protejan de la mala suerte y las malas influencias. Norman es un académico racional y autor de un libro titulado Paralelismos en la superstición y la neurosis. Está horrorizado por las pruebas de conducta primitiva que hay en su propia casa y pide a Tansy que abandone su infantil insensatez. Ella se rebela al principio, pero luego cede, y juntos destruyen todos sus enseres mágicos. Inmediatamente las cosas empiezan a ir mal para Norman en su trabajo cotidiano. Un estudiante suspendido lo amenaza con un revólver, una chica se queja de que la molesta, y las autoridades de la universidad empiezan a interrogarlo por irregularidades sin importancia de su vida privada...

Tansy le revela que ella no es la única "bruja" del campus. Durante años ha protegido a su marido de las actitudes maliciosas de las esposas de otros miembros de la facultad, que ahora intentan destruir la carrera de Norman. Lo atacan de diversos modos, y no menos a través de su mujer, que ahora es vulnerable al efecto maligno de todos sus hechizos. Cuando Tansy es atormentada por un demonio que trata de robarle el alma, Norman se ve obligado a renunciar a todos sus prejuicios y a aprender las habilidades de esa misma "magia de conjuro" que antes despreciaba. Sólo así puede evitar que su mujer se convierta en un zombie, y salvar a la vez su propio trabajo y su reputación académica. Finalmente acaba con las monstruosas matronas de la universidad mediante una combinación de saber esotérico tradicional y moderno conocimiento académico.

Esposa hechicera es una novela aterradora y al mismo tiempo divertida, basada en la idea paranoide de los hombres de que todas las mujeres realmente son brujas. Está anticuada en ciertos aspectos obvios -ahora somos mucho más conscientes del sexismo y el racismo implícitos en toda la base de la narración-, pero no obstante sigue siendo un relato sobre lo sobrenatural muy original e influyente. Hasta puede ejercer un fuerte atractivo sobre lectores femeninos, pues la idea central de la novela es de alguna manera un deliberado intento de socavar la dominación intelectual masculina: un sueño de venganza cómico-terrorífico de las mujeres contra el arrogante orgullo masculino.

Primera edición: Twayne, Nueva York, 1953
Primera edición en castellano: Martínez Roca, Barcelona, 1989 


Fonte: David Pringle - Literatura Fantastica Las 100 Mejores Novelas

sábado, 18 de janeiro de 2014

Gene Wolfe - El Libro del Sol Nuevo (Resenha)


GENE WOLFE
El Libro del Sol Nuevo

En una sociedad de corporaciones medievales, donde unas navescohetes de otro tiempo forman las torres de las ciudadelas, un joven se acerca a la madurez. El mundo está regido por el Autarca de la Casa Absoluta, emplazada en algún sitio al norte de la Ciudad Imperecedera. Nuestro héroe es un aprendiz de torturador (afortunadamente, al lector se le ahorran casi por completo los detalles de ese antiguo oficio) que comete el crimen de mostrarse compasivo con una "cliente" de la corporación, y en consecuencia es expulsado de la laberíntica ciudad. Los primeros capítulos están dominados por imágenes de muerte tumbas, mazmorras, bibliotecas sin luz, aguas estancadas y sirven como contrapunto del tema principal, la búsqueda del Sol Nuevo. Ésta es la más larga de las novelas contemporáneas de cf, y una de las mejores. Comprende cuatro volúmenes: La sombra del torturador (The Shadow of the Torturer, 1980), The Claw of the Conciliator (1981), The Sword of the Lictor (1982) y The Citadel of the Autarch (1983), que suman en total 1.200 páginas. Una obra monumental, evidentemente, y en ciertos aspectos una obra terminal: es difícil imaginar que alguien emprenda seriamente otra historia semejante.

Es la historia de un futuro muy, muy lejano, en el que la Tierra ha cambiado por completo. Ha sobrevivido a una era glacial, las nacionesestado de nuestros días hace mucho que han desaparecido, y la humanidad ha abandonado la exploración del espacio (una de las imágenes más encantadoras y recurrentes es la de "la verde playa de la Luna", pues en algún momento olvidado de la historia la Luna ha reverdecido). En 1950, el autor norteamericano Jack Vance escribió una novela que bordeaba la ciencia ficción con el título de La Tierra moribunda, combinando la imagen de un futuro lejano con la imaginación y la fantasía de un país de hadas (a esta especie híbrida de ficción suele llamársela science fantasy). Wolfe ha reconocido la influencia del libro de Vance en su propia obra maestra, que es precisamente la historia de la "tierra que muere", tema explotado también por otros escritores además de Vance y que Wolfe ha vuelto ahora redundante. Pero diferencia importante y que varios críticos han soslayado El Libro del Sol Nuevo (The Book of the New Sun) no es de ninguna manera una obra de fantasía. Es auténtica ciencia ficción. Los prodigios que se describen son racionales, y todo se explica en términos de ciencia real o de extrapolaciones verosímiles.

Wolfe utiliza muchos de los clichés de la fantasía moderna, o del género de espada y hechicería, redimiéndolos y transformándolos. El héroe del libro, Severian el Torturador, tiene una gran espada llamada Terminus Est, y la utiliza para matar monstruos y hombres. Severian encuentra en el caminos seres y acontecimientos aparentemente sobrenaturales. Descubre una joyatalismán, la Garra del Conciliador, con la que puede curar a los enfermos. Todos estos temas, y muchos más, pertenecen a la tradición de la fantasía heroica, aunque aquí se despliegan, con ingenio, y a veces con belleza, como ciencia ficción. Existe el riesgo de que algunos de ellos pasen inadvertidos al lector común: puede ser necesario un conocimiento de todo el repertorio de convenciones de la cf para apreciar los trucos que Wolfe pone en acción con tanta inteligencia.

En efecto, es una novela sumamente inteligente y sumamente bien escrita, muy elogiada por los pares de Wolfe: "Wolfe es tan bueno que me deja sin habla", dice Ursula Le Guin, y Algis Budrys agrega: "Simplemente sobrecogedor". A mí me impresiona particularmente el extraño lenguaje. En lugar de inventar su propia terminología a partir de nada, como han hecho tantos autores de cf y de fantasía, a menudo con pobres resultados, Wolfe utiliza palabras exóticas tomadas del griego, del latín, del francés antiguo y de otras fuentes. Este vocabulario, utilizado con exactitud y resonancia da un múltiple sentido de realidad al mundo que describe. Me parece que no me equivoco si digo que no hay en el libro ni una sola palabra inventada: un tour de force filológico, y un bienvenido descanso, por no obligarnos a pronunciar los trabalenguas sin sentido que tan a menudo se encuentran en la cf.

Primera edición: Simon & Schuster, Nueva York, 19801983.
Primera edición en castellano (La sombra del torturador): Minotauro, Barcelona, 1990.



(Resenha de DAVID PRINGLE, Ciencia Ficción - Las 100 mejores novelas)


Gene Wolfe - La quinta cabeza de Cerbero (Resenha)


GENE WOLFE
La quinta cabeza de Cerbero

Imagínense una enorme y vieja casa cuya entrada está custodiada por una estatua de Cerbero, el mítico perro de tres cabezas. Figúrense un niño sensible que crece en esa casa misteriosa. Él y su hermano son atendidos por infatigables sirvientes y vigilados por una tía excéntrica que parece flotar silenciosamente a lo largo de los múltiples pasillos de la mansión. Al caer la noche, un padre autoritario y distante convoca a los niños a su estudio, donde lleva a cabo con ellos absurdos experimentos psicológicos. "Tengo un obscuro recuerdo de estar de pie no puedo decir a qué edad ante esa gigantesca puerta tallada. La puerta se cerraba, y el mono tullido sobre el hombro de mi padre se apretaba contra aquella cara de halcón, con la bufanda negra y la bata roja debajo de hileras e hileras de libros y cuadernos de notas muy gastados detrás de ellos, y el nauseabundo olor de formaldehído que llegaba desde el laboratorio, más allá del espejo corredizo." ¿Es este hombre en realidad el padre del niño? El joven héroe es también el narrador de esta historia engañosa: no se nos dice su nombre; su padre se dirige a él como "Número Cinco". La preocupación central de la vida del narrador consiste en explorar sus orígenes, desvelar el misterio de su nacimiento.

Todo esto parece gótico puro, y lo es. Sin embargo, el libro es también ciencia ficción auténtica, pues tiene como escenario un sistema solar distinto al nuestro, en un futuro remoto. Los planetas gemelos de Sainte Croix y Saint Anne han sido colonizados por francoparlantes de la Tierra. La Casa de Cerbero, o Maison du Chien, está ubicada en la ciudad principal de Sainte Croix, y en realidad es un prostíbulo para la clase alta. El narrador y su hermano son cuidados por un tutor robótico, una máquina inteligente llamada Mr Million, con el patrón cerebral de un hombre muerto hace tiempo. La tía de los niños flota realmente en el aire, pues tiene un dispositivo eléctrico de levitación debajo de la falda para compensar sus ya débiles piernas. Y el "padre" del narrador no es realmente su padre en el sentido normal de la palabra: es el hermano clónico del héroe, el número cuatro de una serie horripilante de autorrepeticiones. Los relatos sobre reproducciones clónicas reproducción artificial asexual a partir de células de un solo "progenitor" se pusieron de moda durante los años setenta; éste tal vez sea el mejor de todos ellos.

El autor posee un notable talento para combinar motivos y temas futuristas con un sentido lóbrego y abrumador del pasado. Aquí las tecnologías son antiguas, y hacen pensar en perversidades, y la nueva sociedad interestelar es algo así como el Antiguo Oriente: "Mr Million insistió en detenerse una hora en el mercado de esclavos ... No era un mercado grande ... y a menudo los vendedores y los esclavos parecían amigos; se habían reunido muchas veces frente a distintos propietarios y habían descubierto la misma carencia. Mr Million ... observó el remate, inmóvil, mientras nosotros nos pateábamos los tobillos y masticábamos el pan frito que él nos había comprado. Había portadores de literas, con nudos de músculos en las piernas, y asistentes de baño de estúpidas sonrisas; esclavos rebeldes encadenados, con los ojos atontados por la droga o brillantes de feroz imbecilidad; cocineros, sirvientes domésticos, y otros cien...".

Gene Wolfe (nacido en 1931) es un veterano de la guerra de Corea y ex ingeniero. Empezó tarde a escribir ciencia ficción y sus primeros cuentos breves aparecieron a finales del sesenta. La quinta cabeza de Cerbero (The Fifth Head of Cerberus) fue su primer libro importante, y también una obra realmente extraordinaria. Formado por tres novelas de diferente estilo pero estrechamente vinculadas, es uno de los libros mejor escritos de toda la cf moderna, y una obra maestra de equívocos, sutiles indicios y revelaciones aparentemente casuales. Malcolm Edwards la describió acertadamente en The Encyclopedia of Science Fiction como "una exploración verdaderamente imaginativa sobre la naturaleza de la identidad y la individualidad".

Primera edición: Scribner's, Nueva York, 1972.
Primera edición en castellano: Acervo, Barcelona, 1978.

(Resenha de DAVID PRINGLE, Ciencia Ficción - Las 100 mejores novelas)



Gene Wolfe - Peace (Resenha)



GENE WOLFE
Peace

Esta novela conmovedora y delicadamente escrita empieza de un modo decepcionante: "El olmo plantado por Eleanor Bold, la hija del juez, cayó la noche pasada". El que habla es Alden Dennis Weer, un hombre de unos sesenta años cuya historia oiremos. Gradualmente nos enteramos, a medida que leemos este relato sobre la apacible vida en el Medio Oeste de Estados Unidos, de que Alden Weer probablemente sea un fantasma, muerto aun antes de que se empezase el libro. Quizá no puede descansar en paz hasta que haya rendido este homenaje a todas las personas y poderes que han modelado su existencia.

Continúan las decepciones. Esperamos el relato directo de la historia de una vida, pero de hecho Weer tiene sorprendentemente poco que decirnos sobre él mismo. Proliferan las digresiones, hasta el punto de que constituyen la mayor parte de la novela. Los personajes secundarios llevan a cabo la acción, y nos ofrecen cuentos dentro de cuentos, algunos de sabor chino o irlandés, pero la mayoría de ellos americanos y todos muy bien contados. Las vinculaciones entre las partes en apariencia dispares son sutiles: el lector tiene que buscar claves constantemente, y ésta puede ser una tarea fastidiosa para algunos. De un modo categórico, éste no es un libro para impacientes. Pero las recompensas son sustanciosas para quienes perseveran; yo no vacilo en proclamar que la novela de Gene Wolfe es una obra maestra.

Llegamos a conocer a la madre, el abuelo y la niñera (todos ellos muertos ya) de Weer. También conocemos a su excéntrica tía Olivia, un personaje verdaderamente maravilloso, y a sus tres ardorosos pretendientes. Oímos el cuento de la vida de cada pretendiente, y disfrutamos de sus palabras, sus historias increíbles, sus voces sumamente personales. Todos están ahora muertos y llegamos a comprender que en realidad estamos leyendo un "Libro de los Muertos" o, más exactamente (en una deliberada referencia a H. P. Lovecraft), una versión de El Necronomicón, el Libro que une a los Muertos. Todas estas voces muertas hablan claramente de los muertos, afirmando sólo el hecho de que existieron, fueron; y en medio de todo el humor y lo estrafalario, el efecto final tiene gran patetismo.

En una de las primeras escenas, el joven Alden Weer va de picnic con su tía Olivia y uno de los pretendientes, el profesor Peacock. Visitan una caverna donde todos ellos por turno observan un cráneo humano y deciden no mencionarlo. "Los indios vivieron aquí, ¿no es verdad?", pregunta el chico. "Preindios dice el profesor. El pueblo aborigen que vivió aquí hace unos diez mil años, cruzó el estrecho de Bering y luego se estableció en Indianola, Indian Lake, Indianapolis y varios otros lugares, puntos en los que se vieron obligados a convertirse en indios para justificar los nombres de lugar." Mucho, mucho más tarde, casi en la última escena de la novela, Weer escucha a un viejo granjero que se lamenta de la desaparición de las viejas costumbres agrícolas: "Mi propia granja, cuando yo haya desaparecido, desaparecerá también. Tuve tres hijos, y ninguno de ellos la quiere". Estas anécdotas, y docenas de otras a través de toda la novela, tienen el mismo tema: incontables miles de vidas han desaparecido antes, cada una con su propia historia y su propia voz idiosincrásica.

Wolfe adopta muchas de esas voces en este hermoso libro, y su oído para la descripción oral es soberbio. Llegamos a creer en todas esas personas muertas, sentimos su vida vibrante. Gene Wolfe (nacido en 1931) es ahora muy conocido por El libro del sol nuevo (19801983), una pentalogía, y por obras recientes de literatura fantástica como Free Live Free (1984) y Soldado de la niebla (1986). Peace [Paz] es una obra temprana relativamente poco tenida en cuenta, tranquila, subestimada y probablemente insuperable.

Primera edición: Harper & Row, Nueva York, 1975



(Resenha de DAVID PRINGLE, Literatura fantástica
Las 100 mejores novelas, Una selección en lengua inglesa, 1946-1987.)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Todos Sobre Zanzibar - John Brunner (Resenha)



JOHN BRUNNERTodos sobre Zanzíbar

Novela aún más larga que Duna, de Frank Herbert, la obra más conocida de Brunner difiere notablemente de la de Herbert en casi todos los aspectos. Lo más llamativo de esta novela es que no trata de crear un mundo fantástico de la nada sino que emprende la tarea mucho más difícil de describir qué características podría tener nuestro mundo real dentro de tres o cuatro décadas. Brunner nos muestra el planeta Tierra en el umbral del siglo veintiuno: superpoblado, inestable, dominado por gigantescas corporaciones y los medios de comunicación. El libro se concentra en los Estados Unidos, aunque partes importantes de la narración están ambientadas en África y el Lejano Oriente, demostrando algo esquemáticamente las diferencias entre países desarrollados, en desarrollo y subdesarrollados. Es una novela increíblemente ambiciosa. Aunque despareja, el esfuerzo del autor merece ser apreciado. Antes de Todos sobre Zanzíbar (Stand on Zanzibar), John Brunner (nacido en 1934) era conocido sobre todo por las óperas espaciales que comenzó a escribir desde muy joven, aunque también había publicado obras más importantes, por ejemplo, The Brink (1959), un thriller acerca de la guerra nuclear en un futuro cercano; El hombre completo (Telepathist, 1964), acerca de un joven deforme con asombrosos poderes mentales, y The Squares of the City (1965), un largo libro con una historia compleja basada en una partida de ajedrez.

En cuanto a su estructura, Todos sobre Zanzíbar tiene una gran deuda con el novelista de izquierdas John Dos Passos, conocido sobre todo por la trilogía titulada U.S.A. (19301936). Dos Passos había pretendido abordar la totalidad de la vida norteamericana durante los primeros años de este siglo, tomando técnicas del cine, la prensa popular y la investigación sociológica para dar verosimilitud y actualidad a sus ficciones. John Brunner emula los métodos de John Dos Passos con bastante éxito. Todos sobre Zanzíbar está entretejida con gran cantidad de capítulos cortos que llevan por cabezales "Contexto", "El mundo del espectáculo" y "Seguimiento con primeros planos". Sirven para completar los detalles de la intrincada sociedad que Brunner pinta. Muchos de los capítulos de "Contexto" consisten en citas del sociólogo popular imaginario Chad C. Mulligan. Con una especie de sofisticada mezcla de Marshall McLuhan y Alvin Toffler, Mulligan proporciona un comentario a menudo agudo, a veces escandaloso, de la humanidad del siglo veintiuno. Es el personaje más memorable de la novela.

Sin embargo, los personajes principales son dos hombres que comparten el mismo apartamento en Nueva York. Norman House es negro y trabaja para la General Technics, una poderosa corporación multinacional. Donald Hogan es blanco y está empleado como agente secreto del gobierno. El hilo principal de la historia sigue a estos dos hombres a medida que se ven implicados en grandes descubrimientos científicos y las consecuencias políticas que provocan en África y Asia. Es un mundo violento y con problemas demográficos; el título de la novela se refiere a la suposición de que alrededor del año 2010 toda la humanidad estará hacinada codo contra codo en la isla de Zanzíbar, de 640 millas cuadradas. Las calles de la ciudad se han vuelto peligrosas a causa de los "muckers" gente atacada de locura homicida y de periódicos impulsos violentos. Mientras tanto, la General Technics ha construido un superordenador llamado Shalmaneser, que puede ayudar a encontrar una solución genética a los problemas humanos. Algunos aspectos del relato pueden parecer hoy pasados de moda. Shalmaneser es como un dinosaurio cibernético, una extrapolación de los grandes ordenadores de los años cincuenta y sesenta, que tiene en realidad escasa semejanza con el desarrollo de la informática en los últimos quince años. No obstante, el libro nos da una vívida y poderosa sensación de desesperación y decadencia. Entre otras cosas, se refiere a la eugenesia, a la discriminación social, al sexo, a las drogas, a la delincuencia juvenil, a la capacidad de penetración de los medios de comunicación, a los conflictos internacionales, al lavado de cerebro y a la contaminación. Es todavía uno de los bocados más sustanciosos de "futurismo" que nos haya dado cualquier escritor de cf.

Quizá sorprenda a los lectores descubrir que John Brunner es un autor británico. Sus últimas novelas, como la tenebrosa visión de la degradación ambiental titulada El rebaño ciego (The Sheep Look Up, 1972), también tienen personajes norteamericanos y escenarios internacionales. No cabe duda de que se trata de uno de esos raros ingleses, como Arthur C. Clarke o Ian Watson, que no están parroquialmente obsesionados con el estado del tiempo de su propio país.

Primera edición: Doubleday, Garden City, 1968.
Primera edición en castellano: Acervo, Barcelona, 1979.

Fuente: DAVID PRINGLE
Ciencia Ficción
Las 100 mejores novelas
Una selección en lengua inglesa, 1949-1984.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Harry Harrison - ¡Hagan sitio! ¡Hagan sitio! (Resenha)


HARRY HARRISON
¡Hagan sitio! ¡Hagan sitio!

La ciencia ficción, más que establecer nuevas tendencias, sigue fácilmente la moda. Extrae ideas de las ciencias, de la sociología popular y de los suplementos dominicales de los periódicos, las recrea y las exagera hasta convertirlas en imágenes de pesadilla del Futuro. Los años cincuenta fueron la gran década de los relatos sobre bombas nucleares, y prácticamente todas las novelas de ciencia ficción se referían a las consecuencias de una guerra nuclear, mientras que en la década del sesenta el tema principal fue la explosión demográfica y la contaminación. A mediados de esa década la idea de que la población mundial se duplicaría en el año 2000 se transformó en un lugar común y esa idea sembró el terror en muchos corazones. ¡Hagan sitio! ¡Hagan sitio! (Make Room! Make Room!) es una de las manifestaciones clásicas de ese terror (otra es Todos sobre Zanzíbar, de John Brunner, a la que me referiré más adelante). Harrison agrega a su novela una lista de unas cuarenta "Sugerencias para una lectura posterior", que no son obras de ficción y abarcan desde Malthus a Vance Packard y J. K. Galbraith. De ese material nacieron muchas historias de ciencia ficción.

La novela está ambientada en el año 1999 en Nueva York, ciudad en la que 35 millones de personas compiten por agua y espacio. El héroe, Andy Rusch, es un policía. A pesar de tener un sueldo fijo, se ve obligado a compartir un apartamento de un ambiente con otro hombre, Sol Kahn, de setenta y cinco años. Sol es una suerte de filósofo autodidacta, y resulta imposible evitar la impresión de que se trata de un sustituto del autor (en 1999 Harry Harrison rondará los setenta y cinco años). Cuando un adolescente mata a un extorsionador del lugar, Rusch se embarca en la persecución del asesino. Tiene una relación con la antigua novia del muerto, y finalmente la mujer se muda al pequeño apartamento. Sol muere después de participar en un motín callejero entre "Ancianos". Rusch continúa buscando al asesino, pero lo encuentra cuando el asunto ya se ha enfriado. No hay sensación de triunfo. La mujer se marcha, y Rusch tiene que seguir viviendo sin ella y sin Sol, solitario en medio de una ciudad hormigueante.Es una historia sencilla,sin ningún sensacionalismo, sin heroísmo, dignamente narrada, con detalles muy cuidados y conmovedores. No es una novela de misterio, pues desde el primer momento el lector sabe quién es el asesino, pero el autor utiliza la historia del crimen para describir una ciudad permanentemente en crisis. Es bastante más que Ed McBain en un escenario de findumillenium.

La Nueva York de Harrison, donde todo el mundo vive de hamburguesas y harina de avena EnerG, y recoge agua de un depósito regulador en la calle, probablemente no esté muy lejos de las realidades de una ciudad del Tercer Mundo, como Calcuta, en la década del sesenta. Es reconfortante ver esas verdades proyectadas en el futuro de la nación más rica del mundo. Incluso aunque en 1999 Nueva York no se parezca a lo que Harrison se imagina, ésta será una novela verdadera.

Harry Harrison (nacido en 1925) es más conocido por sus cuentos humorísticos de aventuras, como Estafador interestelar (The Stainless Steel Rat, 1961), y por sus burlescas travesuras de cf, como Bill, héroe galáctico (1965) y The Technicolor Time Machine (1967). ¡Hagan sitio! ¡Hagan sitio! es su obra más seria y comprometida. Fue una pena que cuando se la llevó al cine, con el título Soylent Green (1973), se trivializara la historia agregándole episodios de canibalismo y otras truculencias que no figuran en el libro. Una excelente novela de cf se convirtió en otra película mediocre.


Primera edición: Doubleday, Garden City, 1966.
Primera edición en castellano: Acervo, Barcelona, 1976.

Resenha de DAVID PRINGLE
Ciencia Ficción — Las 100 mejores novelas
Una selección en lengua inglesa, 1949-1984.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Clifford D. Simak - Projeto Papa (resenha)


Clifford D. Simak - Projeto Papa.

Projecto Papa (no original Project Pope), é um romance de ficção científica escrito por Clifford D. Simak, publicado pela Colecção Argonauta com os números 311 e 312.

Sinopse

As vidas de Thomas Decker, um garimpeiro misterioso, Jason Tennyson, um médico fugitivo, e Jill Roberts, uma intrépida jornalista, cruzam-se casualmente em Fim do Nada, um planeta perdido na Periferia da Galáxia, habitado por alguns poucos humanos e robôs. Os robôs criaram uma organização que denominam "Vaticano" (Vaticano-17, para ser mais exato), em cuja estrutura as máquinas são monges, cardeais e há até mesmo um papa-computador, tido como infalível. Mas o culto da velha religião cristã da Terra, como os protagonistas logo irão descobrir, é apenas a fachada para um empreendimento muito maior.

Temas

Os robôs criados por Clifford D. Simak estão entre alguns dos mais interessantes de toda a ficção científica. Sendo criações humanas, eles refletem anseios de seus criadores, como a busca por uma religião verdadeira. Mas, também como extensões do próprio Homem, não se contentam com respostas fáceis e estão prontos para ir mais além – mesmo que isso signifique abandonar o objetivo original que os trouxeram, mil anos atrás, da Velha Terra para a Periferia da Galáxia.

Curiosamente, talvez sejam os humanos do Fim do Nada, aqueles que mais acreditam na concretização da busca original e cuja reação a uma eventual mudança de rumo pode pôr tudo a perder. A par disso, um grupo de robôs "conservadores" decide recolocar o Projeto no rumo traçado na Terra e para isso, aproveitam-se de uma descoberta fortuita feita no âmbito do ambicioso Programa de Busca do Vaticano.

Dos protagonistas humanos, apenas a repórter Jill Roberts chegou a Fim do Nada deliberadamente. Inicialmente, ela esperava escrever uma grande matéria; em pouco tempo, descobre que possui ali material para escrever muitos livros, o que lhe permitiria aposentar-se como jornalista. Jason Tennyson envolveu-se numa intriga palaciana no mundo feudal de Gutshot e, sem a mínima possibilidade de provar sua inocência, teve de embarcar como clandestino na primeira nave que partiu do planeta. Finalmente, Thomas Decker é um mistério até para os robôs do Vaticano; ninguém sabe como ele chegou ao Fim do Nada, e, embora mantenha algum contato com a comunidade humana, vive à margem da mesma, numa cabana na floresta. Até a chegada de Tennyson, possuía apenas um amigo. Um amigo invisível.

Projeto Papa e o Brasil

Projecto Papa é a fonte direta de inspiração de um dos mais antigos fanzines brasileiros, o Notícias... do Fim do Nada, editado trimestralmente desde 1991 em Porto Alegre pelo médico e pesquisador de ficção científica Ruby Felisbino Medeiros. Felisbino compara a cidade onde mora com a Periferia da Galáxia descrita no livro de Simak, um lugar onde bons livros de FC demoram meses para chegar…

Wikipédia

domingo, 24 de novembro de 2013

Alfred Bester - Las estrellas, mi destino (Resenha e ePUB)


ALFRED BESTER
Las estrellas, mi destino

El título (The Stars My Destination) es engañoso, ya que no se trata de una novela acerca de un viaje a las estrellas. La acción tiene lugar dentro de nuestro sistema solar, y en gran parte en la Tierra. Sin embargo, se inicia en el espacio, en una nave averiada y a la deriva, en cuyo interior sobrevive un hombre. Es Gulliver Foyle, asistente mecánico de tercera clase, que ha sobrevivido por sus propios medios durante 170 días. Otra nave espacial, el Vorga, ignora las señales luminosas de socorro y pasa junto a él sin detenerse. Ese acto indiferente de inhumanidad galvaniza a Foyle; de "prototipo del hombre común" pasa a convertirse en un apasionado ángel de venganza, decidido a sobrevivir, escapar y cazar a los dueños y a la tripulación del Vorga. Se las arregla para llevar su maltrecha nave al asteroide Sargasso, un depósito de chatarra en órbita habitado por los "únicos salvajes del siglo veinticuatro, descendientes de un equipo de investigación científica, perdidos y abandonados en el cinturón de asteroides dos siglos antes". Esa gente lo recibe con alegría, le tatúan la cara de modo que termina pareciendo una máscara maorí, y luego intentan casarlo con una de las mujeres. Obsesionado por la venganza, Foyle encuentra un cohete que funciona y se va del asteroide, camino a la Tierra.

La colorida cultura que Bester pinta en este libro es aún más extravagante que la que describiera en El hombre demolido. La teleportación por medios mentales ocupa el lugar de la ESP que describió en la primera novela. La capacidad de trasladarse a distancias cortas usando sólo el poder de la mente se cree que fue descubierta por un hombre llamado Jaunte, y de ahí que el acto de teleportación se conozca como jaunting. Es una habilidad que ha de aprenderse, pero que conduce a enormes cambios sociales. "Hubo rebeliones campesinas cuando la gente pobre capaz de practicar la teleportación abandonó los suburbios de las ciudades para instalarse en las llanuras y en los bosques ... Hubo una revolución en los edificios de viviendas y de oficinas, y hubo que construir laberintos y dispositivos de protección para evitar que los edificios fueran ilegalmente ocupados por medio del jaunting. Hubo enfrentamientos, pánico, huelgas y hambrunas a medida que las industrias prejaunting quebraban ... Olas de crímenes barrían los planetas y los satélites a medida que los delincuentes practicaban jaunting por las noches ... Como la sociedad luchaba contra los peligros sexuales y morales del jaunting, hubo un horrible retorno al peor puritanismo victoriano..." Es una buena historia, aunque a veces parece improbable.

Al regresar a la Tierra, Gully Foyle aprende a practicar jaunting. También se familiariza con muchas otras cosas mientras trata de vengarse de Presteign de Presteign, el poderoso propietario de la flota espacial a la que pertenece el Vorga. La escena cambia rápidamente, de la excéntrica mansión de Presteign en Nueva York, habitada por una hermosa hija albina que sólo puede ver la gama del infrarrojo, a una prisión emplazada en inconmensurables cavernas debajo de los Pirineos, y de allí a la "Fábrica de Extravagancias" en Trenton, donde Foyle se hace quitar el tatuaje facial. En cierto momento se enfrenta con un "grupo quejoso de pacientes operados recientemente, hombres pájaros con alas batientes, sirenas que se arrastran como focas, hermafroditas, gigantes, pigmeos, gemelos de dos cabezas, centauros y una esfinge plañidera". La inventiva de Bester es prodigiosa; su maníaca alegría, contagiosa.

La tensión de la historia aumenta con tremenda energía: las acciones pasan con rapidez de la Tierra al espacio exterior y nuevamente a la Tierra; de Canberra a Shanghai, a Roma y una vez más a Nueva York, mientras Foyle persigue a sus enemigos, enfrentando a cada uno de los miembros de la tripulación del Vorga. La trama se hace cada vez más complicada un breve resumen sería imposible y se resuelve finalmente en un espectacular clima sinestésico en el que unas inestables torres de tipografía se desploman a lo largo de las páginas. La Tierra queda casi destruida por el superexplosivo PyrE, pero Foyle logra acabar con la guerra distribuyendo la peligrosa sustancia entre la población, diciendo: "Yo he ventilado a los cuatro vientos el último secreto. A partir de ahora no hay secretos... Yo he devuelto la vida y la muerte a quienes hacen la vida y la muerte". Incluso se convierte en el primer hombre capaz de teleportarse a las estrellas. Resuena aquí una nota de esperanza e idealismo, conclusión apropiada para una de las novelas norteamericanas de cf más justamente celebradas.

DAVID PRINGLE

Ciencia Ficción
Las 100 mejores novelas
Una selección en lengua inglesa, 1949-1984


Download: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Alfred+Bester/Alfred+Bester+-+Las+Estrellas+mi+destino,1910926.epub 

sábado, 25 de maio de 2013

Ray Bradbury - As Crônicas Marcianas (Resenha e Capas)


RAY BRADBURY
Crónicas marcianas


Ray Bradbury (nacido en 1920) ha sido considerado durante mucho tiempo como el mejor escritor norteamericano de cuentos breves. Éste fue el libro que cimentó su reputación. Es una colección de cuentos, estrechamente relacionados entre sí, acerca de la exploración y la colonización del planeta Marte. Debido al tema y al hecho de que la mayoría de los cuentos han aparecido en las insignificantes revistas de cf de finales de la década del cuarenta, es natural suponer que se trata de un libro inequívocamente de ciencia ficción. Pero, en realidad, esta calificación muchas veces se ha discutido, ya que el propio Bradbury no da muestras de interés por la ciencia como tal. Sus cohetes espaciales parecen petardos; sus marcianos, fantasmas en la noche de Halloween, mientras que el paisaje marciano es una árida versión del Medio Oeste norteamericano. Además, Bradbury era conocido como asiduo colaborador de Weird Tales (una revista de temas fantásticos y de terror) y ha publicado desde entonces El vino del estío (1957) y La feria de las tinieblas (1962), fantasías de magia infantil, muy alejados de los intereses de la cf. Ninguno de los cuentos marcianos de Bradbury apareció en Astounding S-F, la revista más importante de ciencia ficción "dura", es decir, "racionalista". El editor de esa revista, el purista John W. Campbell, había rechazado los cuentos de Bradbury. Puede ser que los cuentos tuvieran "magia", pero no había en ellos nada de física; eran casi blasfemos por su falta de rigor en cuestiones de tiempo y espacio.

Al menos así parecía. A partir de 1950 la moderna ciencia ficción se ha diversificado mucho, y el radicalismo de Bradbury hoy parece mucho más tímido. Yo, sin duda, afirmaría que Crónicas marcianas (The Martian Chronicles) pertenece a la categoría de la cf, puesto que utiliza todos los recursos de la ficción interplanetaria, así como motivos tan familiares como la telepatía, la invisibilidad y el amenazante holocausto nuclear. Lo innovador en la obra de Bradbury fue su utilización de todos estos elementos en función de sus propios fines, con prescindencia de las opiniones más generalizadas acerca de cómo debería escribirse un buen cuento de cf. Puso mucho más énfasis en el estilo y en la forma que en los detalles técnicos o en la verosimilitud científica, lo que ofendió la sensibilidad ya endurecida de editores y autores que se habían formado con las revistas norteamericanas de cf de los años treinta y cuarenta. Su recompensa fue su asombroso éxito popular y de crítica: el mundo literario se interesó en él y fue invitado a escribir para las mejores revistas literarias, así como para Hollywood. Con el clamor posterior que despertó su obra, se ha pasado por alto la influencia de Bradbury sobre el género de cf: a pesar de la oposición de ciertos círculos, se transformó en modelo para muchos escritores jóvenes, quienes aunque no lo emularon, sintieron que les había ayudado a liberarse y a ser ellos mismos.

Así pues, Crónicas marcianas es una obra históricamente importante. Hoy parece anticuada; su poesía, a veces, afectada; su tristeza, apenas algo más que sentimental; pero las mejores páginas tienen todavía una cualidad mágica. Mi cuento preferido es "Aunque siga brillando la luna", en el que una banda de maleantes de la Tierra comienza a saquear las ciudades vacías de Marte. Uno de esos hombres se rebela y gana las colinas como defensor solitario de la cultura marciana muerta. Finalmente es apresado y fusilado, pero no antes de que sus acciones hayan hecho tomar conciencia a los demás de su comportamiento erróneo. La atmósfera crepuscu-lar de este cuento impregna gran parte del resto del libro. También me gusta el capítulo llamado "Fuera de temporada", con su evocación de las naves marcianas de arena: "El viento empujó la nave sobre el antiguo fondo del mar, sobre cristales enterrados hacía mucho tiempo, y las columnas, los muelles desiertos de mármol y bronce, las ciudades muertas y las laderas moradas quedaron atrás..."

Primera edición: Doubleday, Garden City, 1950.

Tirado de: DAVID PRINGLE — Ciencia Ficción - Las 100 mejores novelas.


Veja também a arte de algumas capas deste livro: https://plus.google.com/photos/103998711237758699926/albums/5945778350194559473