Ah, meu pai! — Charles Beaumont – Conto completo
AH, MEU PAI! Charles Beaumont Para Pollet, o tempo nada mais era do que uma grande rodovia: uma rodovia deslumbrante e deserta esperando para ser usada. — Existem atalhos, sem dúvida — ele costumava dizer — e também curvas que são muito fechadas, excessivamente perigosas, mesmo para a velocidade mais lenta. Contudo, não é impossível que um homem realmente inteligente consiga um dia enfrentá-los. É evidente que o Sr. Pollet esperava ser este homem. Ele dedicou 37 dos seus 57 anos a esse projeto, com dedicação e fé monomaníacas. Ele tinha poucos relacionamentos... e nenhum amigo. Sua esposa tinha medo dele. E ele era persona non grata nos círculos científicos, pois quando não estava murmurando seu jargão favorito sobre o “continuum espaço-tempo” e o “nó do passado”, ele tinha o hábito de bater nas pessoas com o cotovelo pontiagudo enquanto defendia seu ponto de vista, com a pergunta famosa e irritante: — Então, qual é a sua opinião? Se eu voltasse no tempo e matasse meu pai...