Biblioteca Pós-humana: Filhos e Amantes de D. H. Lawrence, 1913

Sons and Lovers
D. H. Lawrence
1913
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"Sons and Lovers", escrito por D. H. Lawrence, é um romance publicado em 1913 que explora a vida de uma família em uma cidade mineira da Inglaterra. Enquanto o livro foi escrito muito antes do termo "pós-humanismo" ser cunhado, podemos analisar certos aspectos da obra à luz desse conceito.

O pós-humanismo é uma abordagem filosófica e cultural que questiona a centralidade do ser humano no mundo, desafiando a ideia tradicional de identidade e buscando uma visão mais ampla que inclua tanto os seres humanos quanto as tecnologias e o ambiente. Nesse sentido, "Sons and Lovers" apresenta elementos que podem ser interpretados dentro dessa perspectiva.

Um aspecto fundamental do pós-humanismo é a rejeição da dualidade entre o corpo e a mente. Lawrence explora essa interação complexa entre o corpo e a consciência em seus personagens principais. Por exemplo, Paul Morel, o protagonista, está preso em um relacionamento simbiótico com sua mãe, que o impede de desenvolver sua própria individualidade. A figura materna é retratada como uma força poderosa que molda as experiências de Paul, seu desejo, e suas perspectivas.

Essa dinâmica mãe-filho pode ser interpretada como uma forma de questionar a ideia de uma identidade humana individual e autônoma, pois Paul está em constante conflito entre suas próprias necessidades e desejos e as expectativas e influências de sua mãe. Essa luta interna reflete a complexidade das relações humanas e a forma como as identidades são construídas em interação com o ambiente e os outros.

Além disso, o pós-humanismo também aborda a relação entre os seres humanos e a tecnologia. Embora "Sons and Lovers" não se concentre diretamente nesse aspecto, a presença da industrialização e da mineração na trama do livro é relevante. A descrição do ambiente industrial e da exploração das minas de carvão pode ser interpretada como uma crítica ao modo como a tecnologia e o progresso podem afetar negativamente a natureza humana e a conexão com o mundo natural, isso sem contar as descobertas recentes da "epigenética".

Em suma, embora "Sons and Lovers" não tenha sido escrito com a intenção explícita de se enquadrar nas categorias do pós-humanismo, é possível identificar elementos na obra que ressoam com as preocupações e questionamentos desse movimento filosófico. A complexa relação entre corpo e mente, a interação entre os seres humanos e seu ambiente social e tecnológico e a busca por uma identidade individual são temas presentes no romance de Lawrence, que podem ser explorados sob a luz do pós-humanismo.


Biblioteca Pós-humana: The Prelude – William Wordsworth, 1805

The Prelude
William Wordsworth
1805
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"The Prelude" é um poema épico autobiográfico escrito por William Wordsworth, um dos maiores poetas românticos ingleses. O poema descreve a jornada da vida do autor, desde a infância até a idade adulta, e é considerado uma das suas obras mais importantes.

Ao olhar para o poema a partir de uma perspectiva pós-humanista, podemos notar alguns temas e ideias que ressoam com essa corrente de pensamento. O pós-humanismo é uma abordagem filosófica que busca questionar a noção de humanidade e explorar as relações entre humanos e tecnologia. Isso inclui ideias sobre a evolução do ser humano, a inteligência artificial e a ética em torno dessas questões.

Em "The Prelude", podemos notar um interesse de Wordsworth na natureza e na experiência humana em relação a ela. O poema descreve a relação do autor com a natureza, desde suas primeiras experiências na infância até suas reflexões sobre a natureza como adulto. Essa preocupação com a natureza e sua importância para a vida humana pode ser vista como uma resposta às preocupações pós-humanistas em torno da relação entre tecnologia e natureza.

Além disso, "The Prelude" também aborda temas relacionados ao desenvolvimento humano e à evolução da consciência. O poema descreve a jornada do autor em direção a uma compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo ao seu redor, e essa jornada é vista como um processo contínuo de desenvolvimento pessoal. Essa abordagem pode ser vista como uma resposta à preocupação pós-humanista em torno do futuro da evolução humana e do papel que a tecnologia pode desempenhar nesse processo.

Em resumo, "The Prelude" de William Wordsworth aborda temas que ressoam com a abordagem pós-humanista, como a relação entre humanos e natureza e a evolução da consciência. Embora o poema tenha sido escrito há muito tempo, ainda pode ser relevante para as discussões atuais sobre o futuro da humanidade e a relação entre humanos e tecnologia.


Link para o poema original: http://triggs.djvu.org/djvu-editions.com/WORDSWORTH/PRELUDE1805/Download.pdf 

Link para uma Tese com a tradução para o Português: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/27573/TES_PPGLETRAS_2022_AGUIAR_ANGIULI.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Biblioteca Pós-humana: The Man That Was Used-Up - Edgar Allan Poe, 1839

The Man That Was Used-Up
Edgar Allan Poe
1839
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O conto "The Man That Was Used-Up" de Edgar Allan Poe, publicado em 1839, apresenta um personagem que é descrito como um modelo perfeito de eficiência e utilidade, mas que, ao mesmo tempo, parece ser uma figura estranhamente inumana e mecânica. Do ponto de vista do pós-humanismo, esse conto pode ser interpretado como uma reflexão sobre a relação entre o ser humano e a tecnologia, bem como sobre a natureza fluida e maleável da identidade humana.

Em "The Man That Was Used-Up", Poe descreve um personagem que é exaltado por sua habilidade em lidar com as demandas da sociedade, mas que, ao mesmo tempo, é desprovido de características humanas distintas. Ele é descrito como uma "máquina humana" ou "um homem mecânico", que é capaz de realizar suas tarefas de maneira eficiente, mas que não tem uma identidade claramente definida. Ele é um homem que foi "usado até o fim", uma figura que foi reduzida a uma série de funções úteis, mas que perdeu sua humanidade no processo.

Do ponto de vista do pós-humanismo, essa descrição evoca preocupações sobre o potencial para a tecnologia de reduzir os seres humanos a máquinas eficientes e úteis, ao mesmo tempo em que esvazia sua identidade e individualidade. Essa figura mecânica também sugere a possibilidade de que, à medida que a tecnologia avança, as fronteiras entre o humano e o mecânico possam se tornar cada vez mais difusas, levando a uma nova forma de existência pós-humana.

Por outro lado, o conto também sugere que a identidade humana pode ser fluida e mutável, e que a tecnologia pode desempenhar um papel na reconstrução ou reinvenção da identidade humana. O personagem principal do conto é capaz de assumir uma nova identidade depois de sofrer um acidente e ser reconstruído com partes artificiais do corpo. Essa transformação sugere que a identidade humana pode ser construída e reconstruída de maneiras que antes não eram possíveis, graças ao avanço da tecnologia.

Em última análise, o conto de Edgar Allan Poe "The Man That Was Used-Up" pode ser visto como uma reflexão sobre as possibilidades e preocupações apresentadas pelo pós-humanismo, e sobre a natureza em constante evolução da identidade humana na era da tecnologia.

Conheça a versão do conto em espanhol (El hombre que se gastó)  aqui: https://www.literatura.us/idiomas/eap_segasto.html

Biblioteca Pós-humana: Summer on the Lakes, in 1843 - Margaret Fuller, 1844

Summer on the Lakes, in 1843
Margaret Fuller
1844

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"Summer on the Lakes" é um livro de viagens escrito pela escritora, jornalista e crítica americana Margaret Fuller. O livro foi publicado originalmente em 1844 e descreve as experiências de Fuller durante sua viagem aos Grandes Lagos americanos em 1843.

Durante a viagem, Fuller visitou várias cidades e locais importantes, incluindo Chicago, Milwaukee, Mackinac Island e Niagara Falls. Ela também passou algum tempo com os nativos americanos que habitavam a região e discutiu suas culturas e tradições em detalhes.

Além de descrever as paisagens e as pessoas que ela conheceu durante a viagem, Fuller também usou o livro como uma oportunidade para expressar suas opiniões políticas e filosóficas. Ela escreveu sobre a questão da escravidão nos Estados Unidos, o papel das mulheres na sociedade e a importância da educação.

O livro é considerado um importante trabalho literário e histórico, não apenas por suas descrições vívidas das paisagens e culturas das Grandes Lagos, mas também por sua contribuição para os debates sociais e políticos da época. Margaret Fuller é reconhecida como uma das principais intelectuais e escritoras do século XIX e "Summer on the Lakes" é um exemplo de seu trabalho influente.

Embora "Summer on the Lakes" tenha sido publicado em 1844, seu impacto no pensamento pós-humanista é evidente em várias de suas ideias centrais. Uma das principais características do pós-humanismo é a preocupação com a relação entre humanos e outras formas de vida, bem como com a influência da tecnologia e da ciência na evolução do ser humano. Essas questões são abordadas de várias maneiras no livro de Fuller.

Uma dessas maneiras em que Fuller aborda a relação entre humanos e outras formas de vida é por meio de sua análise das culturas e tradições dos povos nativos americanos que ela conheceu durante a viagem. Ela destaca sua preocupação com a forma como a colonização europeia afetou essas culturas, mas também enfatiza a necessidade de entender e respeitar essas tradições, como parte da diversidade cultural do mundo.

"Summer on the Lakes" contribui para o pensamento pós-humanista através da análise que faz da relação entre o ser humano e a natureza. Ela descreve as paisagens naturais das Grandes Lagos com uma linguagem poética, mas também destaca a importância de preservar esses recursos naturais para as gerações futuras.

Em suma, "Summer on the Lakes" é uma obra que oferece insights valiosos sobre a relação entre humanos e outras formas de vida, bem como sobre a importância da preservação da natureza, da igualdade de gênero e da educação.


Biblioteca Pós-humana: A filha de Rappaccini de Nathaniel Hawthorne, 1844

A filha de Rappaccini
Nathaniel Hawthorne
1844
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"Rappaccini's Daughter" é um conto gótico escrito por Nathaniel Hawthorne em 1844, que conta a história de um jovem estudante chamado Giovanni que se apaixona pela filha do Dr. Rappaccini, Beatrice. O conto é ambientado em uma cidade italiana do século XVIII e explora temas de amor proibido, ciência desumana e manipulação genética.

O Dr. Rappaccini é um cientista que trabalha em um jardim secreto onde ele cultiva plantas com propriedades venenosas. Beatrice, sua filha, é criada no meio dessas plantas e desenvolve uma imunidade a elas. Giovanni é atraído pela beleza e pureza de Beatrice, mas logo descobre que ela é também venenosa e que seu pai a criou como uma espécie de experiência científica.

Em termos de pós-humanismo, "Rappaccini's Daughter" apresenta algumas ideias que são relevantes para esse movimento filosófico. Uma das principais é a noção de que a ciência e a tecnologia podem ter consequências imprevisíveis e perigosas. O Dr. Rappaccini é um exemplo de um cientista que está disposto a ir longe demais em sua busca pelo conhecimento, sem se importar com as implicações éticas ou morais de suas experiências.

Além disso, o conto aborda a questão da manipulação genética, que é um tema central do pós-humanismo. Beatrice é uma espécie de "ser pós-humano", criada por seu pai como uma mistura de humano e planta, e dotada de habilidades sobrenaturais. A forma como o Dr. Rappaccini a trata é emblemática da maneira como os seres pós-humanos podem ser vistos como objetos de estudo e experimentação.

Por fim, "Rappaccini's Daughter" também levanta questões sobre a natureza da identidade humana e a relação entre seres humanos e não humanos. Beatrice é vista como uma criatura estranha e perigosa por causa de sua imunidade às plantas venenosas, mas também é uma figura trágica e vulnerável que anseia por amor e aceitação. Essa tensão entre o estranho e o familiar, o humano e o não humano, é uma das principais preocupações do pós-humanismo.

Em resumo, "Rappaccini's Daughter" é um conto que toca em várias questões relevantes para o pós-humanismo, como a ética da ciência e da tecnologia, a manipulação genética, a identidade humana e a relação entre seres humanos e não humanos. É uma história sombria e fascinante que continua a ressoar com os leitores de hoje.


Biblioteca Pós-humana: The Coming Race - Edward Bulwer-Lytton, 1871

The Coming Race
Edward Bulwer-Lytton
1871

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"The Coming Race" é um romance de ficção científica escrito pelo autor britânico Edward Bulwer-Lytton em 1871. A história se passa em um mundo subterrâneo, habitado por uma raça avançada e pacífica de seres humanoides, conhecidos como "Vril-ya". O termo "Vril" é derivado da palavra sânscrita para "força vital", e é a fonte da habilidade dos habitantes deste mundo para realizar feitos aparentemente mágicos.

O protagonista do romance é um explorador chamado Adam, que acidentalmente descobre a entrada para o mundo subterrâneo enquanto viaja pelo Himalaia. Lá, ele é levado para a cidade de "Vril-ya", onde ele é inicialmente tratado com desconfiança pelos habitantes locais, mas eventualmente se torna amigo de um deles, chamado Zee.

Ao longo do romance, Bulwer-Lytton explora temas como o amor, a política, a religião e a tecnologia. Ele retrata a sociedade Vril-ya como uma utopia, com uma estrutura social altamente organizada e governada por líderes sábios e benevolentes. No entanto, a sociedade é vista como ameaçada por outras raças subterrâneas, que são retratadas como sendo malévolas e violentas.

Embora tenha sido escrito há mais de um século, "The Coming Race" continua a ser um trabalho influente na ficção científica. Sua descrição de uma sociedade utópica governada por tecnologia avançada tem sido citada como uma inspiração para obras posteriores, como "Utopia" de H. G. Wells e "Brave New World" de Aldous Huxley. O conceito de "Vril" também foi adotado por grupos ocultistas do século XIX, que acreditavam que ele representava uma fonte de energia cósmica e espiritual.

Há uma relação entre "The Coming Race" e o pós-humanismo, uma vez que o romance explora temas que são centrais para a discussão atual sobre a relação entre a tecnologia e a humanidade. 

O romance de Bulwer-Lytton apresenta uma sociedade subterrânea de seres humanoides altamente avançados, que utilizam uma fonte de energia mística conhecida como "Vril" para alcançar feitos aparentemente mágicos. Essa descrição pode ser vista como uma expressão de uma visão transumanista, que busca aprimorar a humanidade por meio da tecnologia.

Além disso, a história também aborda a questão do que acontece quando a tecnologia e a ciência ultrapassam os limites humanos e tornam-se forças que governam a sociedade. A sociedade Vril-ya é governada por uma elite de líderes sábios e benevolentes, que usam a tecnologia para controlar a população e manter a ordem. Esse tipo de estrutura social pode ser visto como uma forma de governança tecnocrática, que coloca a tecnologia e a ciência acima da vontade humana.

Dessa forma, "The Coming Race" apresenta uma visão futurista que é relevante para o pós-humanismo, uma vez que questiona a relação entre a tecnologia e a humanidade e os possíveis caminhos que podem ser tomados em um mundo cada vez mais tecnológico.