segunda-feira, 8 de julho de 2019

Review: Frankenstein desencadenado

Frankenstein desencadenado Frankenstein desencadenado by Brian W. Aldiss
My rating: 5 of 5 stars

Excelente pastiche da novela de Mary Shelley. O autor começa com uma viagem no tempo até Genebra na época da redação do Frankenstein. Encontra inicialmente com o próprio personagem de Victor Frankenstein e fica deveras espantado por não saber da existência de uma referência histórica para o romance. Depois encontra a família Shelley e participa de uma noitada regada a vinho, conhaque e ópio com Lord Byron e o Dr. Polidori. A partir desse momento, a história passa a carnavalizar com o mito do Frankenstein no cinema contemporâneo e outros tropos de ficção científica.
Romance muito divertido de ler, principalmente quando se coteja com o romance original.

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domingo, 26 de maio de 2019

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Super-Herói ao Inverso. Conto de Herman Schmitz #Scifi #CapitãoBarbosa

Arte de Marcelo Galvan

SUPER-HERÓI AO INVERSO


Para Braulio Tavares

A GALÁTICA segue seu curso no espaço sideral. Hoje não transporta mais humanos, entretanto foi construída na antiga Terrassol e por eras vasculha toda a galáxia.

Agora, a velha nave pioneira e que por vezes chegou a ser guerreira, tem uma espécie de repouso nessas expedições científicas e turísticas pelos anéis da Via Láctea e imediações.

Sempre que se chega ao final do braço de Cygnus, se faz questão de levar a nave a um pequeno asteroide chamado de Bizarr, um objeto que circula a grande estrela de Luzir.

Nessa ocasião, se faz questão de volta-la de forma que sua proa se incline sobre o asteroide e o palco-visor do grande salão do Bar Já, o melhor de toda a espaçonave, se abra em close para a estátua equestre do Capitão Barbosa, esculpida na própria rocha de Bizarr.

Faz-se um circo em torno de uma simples escultura, que é a de homem montado sobre uma espécie de cavalo, num gesto de arremesso arrasador sobre o inimigo; as dimensões são muito superiores as do verdadeiro Capitão, e se lá em Nova Terrassol ele já era considerado bem mirrado, agora pareceria quase insignificante ao lado dessa estátua.

Depois dos aplausos com esse deslumbrante espetáculo, começa uma espécie de narrativa que varia muito pouco entre as suas apresentações.

— Da raça que a erigiu pouco sabemos. Sabemos somente que eram de fora da Via Láctea e das suas intenções que eram hostis, pois chegaram numa frota suicida, pilhando e dominando os planetas evoluídos que encontravam pela frente.

O nosso Conselho Galáctico Universal convocou as tropas estrelares dos Doze Mil Sóis para fazerem frente a essas naves inimigas e combaterem numa batalha que parecia de antemão destinada a se arrastar por eras.

Inesperadamente, as tropas foram desbaratadas e o inimigo avançava cada vez mais, já atravessando o centro da galáxia.

Foi então que se descobriu na terceira espiral, uma Nova Terrassol que estava clandestina desde o grande extermínio de toda vida inteligente de Terrassol.

A este povo audacioso e guerreiro, foi pedido auxílio em troca da liberdade.

Numa nova estratégia, foi designada a nave do Bravo Capitão Barbosa fazer frente a essas naves invasoras.

O Capitão Barbosa então, numa manobra que fez história, sobrepujou a nave mãe inimiga. Isso é conhecido de todos, o que não se descreve nos livros históricos é o modo como ele conseguiu esse poder, de fato e na verdade — um superpoder elevado ao inverso do poder.

Foi em sua própria nave que aconteceu a coisa. Na ponte de comando, o Tenente Machado invoca o conselho de guerra da nave para preparar um plano de batalha, o clima é tenso pois o Capitão insinua que a batalha já está perdida. A questão gira em volta da mesa. O Contra Mestre Siqueira Campos acusa o Capitão de estar com medo de perder a guerra. O Tenente Machado atravessa em defesa do capitão. As vozes se alteram.

De súbito, um brilho fosforescente reluz do Capitão. Os oficiais de comando contemplam estarrecidos a figura do seu capitão, rígida e catatônica.

O medo havia paralisado a face do capitão, a ideia da batalha o apavorou tanto que ele começou a inverter o curso dessa espera, criando um recuo diametral entre ele e as naves inimigas. O capitão Barbosa usou o seu próprio medo para afugentar o inimigo!

E foi assim que se iniciou o conhecido recuo diametral infinito, onde o paroxismo do medo levou um dos lados a se mover em direção oposta, criando um efeito diametralmente proporcional, de forma que o capitão incógnito da nave alienígena, recebendo o fluxo do terror do implacável Capitão Barbosa, iniciou por sua vez um recuo diametral na mesma proporção.

Foi então que eles quiseram honrar tal nobre inimigo, com uma reprodução aproximada — pois nunca se encontrariam nessa trajetória inversa — do que seria o tal Bravo Capitão Barbosa.

E essa estátua permanece ali com a face voltada para a escuridão interestelar como que a desafiar esses bárbaros conquistadores a não ousarem mais ultrapassar esse perímetro.

E mal sabem eles que o heroico Capitão Barbosa no fundo não foi mais que o maior de todos os covardes.


***
Herman Schmitz (grafados@gmail.com)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Review: Cita en la eternidad

Cita en la eternidad Cita en la eternidad by Robert A. Heinlein
My rating: 5 of 5 stars

Só li a primeira novela GULF por conta de uma pesquisa acadêmica. Trata-se de um fabuloso "tour de force" dividido em duas partes: a primeira é um thriller no estilo Alfred Hitchcock, com o uso bem aproveitado do MacGuffin que deixa o leitor em suspenso a cada página. A segunda parte, é uma aula de semântica geral, onde o aprendizado de uma língua derivada das atuais, mas extremamente econômica, levará algumas pessoas a um outro degrau na evolução humana, e serão os Super-homens a liderarem e se afastarem das pessoas normais e burras, tratando-se portanto, de uma espécie de programação neurolinguística destinada a separar a humanidade em duas correntes. Obviamente há elementos de extrema direita permeando o argumento, como a própria ideia de um ser humano superior aos outros física e mentalmente, evolução esta realizada de forma clandestina e arbitrária.
É uma novela longa com um final confuso e abrupto. Mas para quem estuda linguística deve ser leitura obrigatória.

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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Simulacron 3 Literatura e Cinema na ficção científica #RealidadeArtificial

Início do romance Simulacron 3 de Daniel F. Galouye (1964):

"Desde o início, era evidente que os acontecimentos da noite serviriam apenas para confirmar a reputação de Horace P. Siskin como um notável anfitrião.

Apenas com os três acrobatas de Tycho, Ele já nos havia presenteado com o entretenimento mais fascinante do ano. 

Mas quando Ele apresentou a primeira pedra hipnótica da região de Syrtis Majo, em Marte, superou a si mesmo.

Para mim, entretanto, o trio e a pedra, embora bastante interessantes, passaram a coisas corriqueiras antes que a festa terminasse. Porque eu falo com inteira autoridade quando digo que não há nada tão interessante como ver um homem... simplesmente desaparecer.

O que, incidentalmente, não era parte do espetáculo."


Esta história foi filmada por Rainer Werner Fassbinder, em uma mini-série de 2 episódios, intitulada em português:  "Mundo ao Telefone", 1973.


É uma trama construida em torno das simulações possíveis de serem realizadas por computadores. Tanto o livro como o filme foram anteriores aos formatos atuais de supercomputadores, mas conseguiram apresentar bem a questão de uma realidade tipo uma Matrix, utilizando somente as possibilidades da cibernética de Norbert Wiener, de forma amplificada à uma escala mundial.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Não Esquecido por Deus. Conto de Roberto Schima #Contos #Scifi


Não Esquecido por Deus
Roberto Schima




A tarde caía espessa e silenciosa feito um sopro ao apagar uma vela.
A Morte vagava a esmo pela floresta fria e úmida. Suas vestes em andrajos fundiam-se ao espesso nevoeiro, tornando-o mais escuro. Algo a atraíra para aquele lugar esquecido por Deus, mas o que seria?
Vagou por pântanos e charcos. E tudo silenciava a sua passagem. Quando tocava em alguma árvore, esta, imediatamente, perdia suas folhas, ressecava e transformava-se numa caricatura tétrica de garras apontadas para o céu.
Subitamente, a Morte ouviu algo. Vinha de lá adiante, atrás de um enorme carvalho, o qual era somente um vulto sombrio e imponente.
Caminhou para lá sem pressa, em seus passos de morte que mal tocavam o chão.
Então, atrás do tronco retorcido, coberto por líquens e musgos, avistou.
Era um recém-nascido. Fruto de um amor proibido, fora deixado ali para perecer.
Observou a figurinha miúda.
Nada surpreendente, vindo de um mundo onde as pessoas atiravam bebês no lixo, jogavam-nas do alto de edifícios ou despedaçavam-nas durante as guerras. Vira exemplos de sobra do quanto se sentia desnecessária, enquanto havia tanta gente disposta a cumprir o papel que lhe pertencia. A humanidade sempre tão disposta a dedicar à Morte milhares e milhares de oferendas fosse através do punho de uma espada ou da ponta de uma baioneta.
O único gesto de piedade fora o de envolver a criança em um cobertor. Era azul e tinha estrelas amarelas. Pobre imitação de um céu noturno que aquele bebê não conheceria.
A Morte aproximou-se, pronta a cumprir àquilo que era a razão de seu existir: privar a existência alheia.
Tão simples.
Tão fácil.
Estendeu seus braços descarnados para o recém-nascido. Ao menor toque de seus dedos, a vida esvair-se-ia feito água a escoar por um ralo. Exalou o hálito fétido e gélido do eterno sorriso de suas mandíbulas.
"Venha..."
Inesperadamente, o bebê deixou de chorar e abriu seus olhos.
As mãos da Morte estacaram a poucos centímetros do rosto rosado. E o que fez a criança a seguir deixou a Morte de queixo caído: sorriu-lhe.
Ali estava a personificação da pureza. Era só entrega, sem nenhum temor. Era só esperança sem nada pedir em troca. Era o alento que nada temia, sequer a própria morte. E a ela oferecia-se mediante um sorriso de quem nada tinha a oferecer e, tampouco, a perder. Tanto era assim que estendeu seus bracinhos magros de encontro ao par de mãos descarnado.
Em vez de agarrá-la imediatamente, a Morte recolheu seus braços, petrificada.
Muitos gritaram.
Muitos choraram.
Muitos desesperaram.
Todos se arrependeram.
Mas quantos haviam-lhe sorrido?
Nenhum.
E, em seu interior estéril, escuro e gelado, algo ocorreu. Algo... acendeu.
E a Morte, a grande ceifadora da vida, apanhou o bebê pelo cobertor, evitando tocar-lhe diretamente na carne macia e morna.
E a criança flutuou para longe da mata, do pântano, da bruma e do frio penetrante.
Distante dali, uma campainha tocou.
A mulher rechonchuda saiu de trás de sua mesinha a poucos metros e foi atender.
Sentiu o ar frio e um odor pungente de algo ruim. Torceu o nariz. Tossiu. Abraçou-se ante o calafrio que a dominara.
Olhou ao redor e nada percebeu ou ouviu.
Seria impossível alguém tocar a campainha e sair correndo sem ser visto. A área era grande e não haveria tempo de esconder-se.
Tais divagações logo tiveram fim ao reparar no pequeno embrulho a seus pés e seu valioso conteúdo. Isso sim, era-lhe uma cena familiar. Afastou as cobertas e admirou o rostinho de joelho e os olhos brilhantes. Mãos pequeninas imediatamente agarraram-lhe o dedo.
E o bebê sorria.
E a mulher levou-o para dentro, fechando a porta alta e branca. Sobre ela, a placa dizia: "Orfanato..."
E a Morte, um pouco mais além, viu a porta se fechar.
"Vá!"
E afastou-se daquele lugar repleto de vida e, sobretudo, de esperança, fundindo-se à escuridão no apagar de uma chama.
A noite chegou de mansinho.
Inúmeras estrelas cintilaram no céu.
E uma floresta fria, úmida e apavorante, de um modo estranho e inesperado, revelou-se um lugar não esquecido por Deus.



Pequena biografia:
Roberto Schima.
Nasci na cidade de São Paulo em 01/02/1961, o que agora me parece muito distante. Passei a infância imerso nos anos 60, período de várias transformações. Tive a felicidade de sentir o clima de entusiasmo em relação a "Conquista do Espaço" que hoje não existe mais - não obstante a Guerra Fria. Escrevi "Como a Neve de Maio" ("Isaac Asimov Magazine" nº 12, Ed. Record), "Limbographia" (contos), "O Olhar de Hirosaki" (romance), "Os Fantasmas de Vênus" (noveleta) etc. Participo da revista digital "Conexão Literatura", de Ademir Pascale, desde sua edição nº 37.
Informações: Google, Clube de Autores, agBook, Amazon ou nos links abaixo:


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Review: El planeta loco

El planeta loco El planeta loco by Robert Silverberg
My rating: 3 of 5 stars

Antologia semi-temática: "El volumen ha sido compuesto con aportaciones diversas que tienen un elemento en común: presentar las posibilidades de existencia de fuerzas sobrehumanas en el ser humano, y esbozar una aproximación a los problemas que podrían planteársele al hombre que dotado de potencias superiores, tuviera que convivir con el resto de la humanidad. La telepatía, la capacidad taumatúrgica, el drama del talento sobrehumano que no puede utilizarse por la mediocridad de su entorno, la precognición, son algunos de los temas que se abordan en estas historias con asombrosa riqueza de planteamientos y con evidente poder sugestivo."


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Women of Wonder. Michael Koelsch #Scifi #Atompunk

Women of Wonder. Michael Koelsch

Desafio dos 10 anos. Philippe Caza

Desafio dos 10 anos. Philippe Caza

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Review: El tiempo no es tan simple

El tiempo no es tan simple El tiempo no es tan simple by Various
My rating: 3 of 5 stars

Antologia temática sobre viagens no tempo. Quase todas as histórias já são bem conhecidas, mas para o leitor iniciante é sempre uma boa opção. Charles Beaumont escreve uma verdadeira piada em formato de conto. O ponto alto é Philip K. Dick com uma história de fenda temporal no seu melhor estilo.

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Review: Humor cósmico

Humor cósmico Humor cósmico by Joe Haldeman
My rating: 1 of 5 stars

Atualmente esses contos já estão meio sem graça, salvo por Henry Kuttner que ainda consegue me fazer rir...

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Review: Los mejores relatos de Ciencia Ficcion

Los mejores relatos de Ciencia Ficcion Los mejores relatos de Ciencia Ficcion by Various
My rating: 3 of 5 stars

Compilação de duas outras antologias, e com autores bem variados em termos de temática e de qualidade, mas alguns contos são bastante representativos da ficção científica dos anos 50. De maneira alguma se pode intitular "Los Mejores", "medio bueno" estaria mais de acordo...

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Review: Coma e Emagreça com Ficção Científica

Coma e Emagreça com Ficção Científica Coma e Emagreça com Ficção Científica by George R.R. Martin
My rating: 2 of 5 stars

Boa ideia mas na prática não convence muito... Os contos são desiguais e a tradução é deplorável. Vale pela introdução do Asimov que é bastante irônica e típica do mestre!

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Review: Dinosaurios

Dinosaurios Dinosaurios by Jack Dann
My rating: 4 of 5 stars

Ótima coletânea temática, com um boa introdução de Jack Dann y Gardner Dozois. O único porém são os contos antigos com o de L. Sprague de Camp (1956) que poderia ser eliminado, visto já se encontrar em dezenas de antologias sobre viagens no tempo.

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Review: biblioteca básica de ciencia ficción 4

biblioteca básica de ciencia ficción 4 biblioteca básica de ciencia ficción 4 by Various
My rating: 3 of 5 stars

Seleção temática de Domingo Santos, com boas histórias, algumas com muito humor...

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sábado, 12 de janeiro de 2019

The Science Fiction Book: An Illustrated HistoryThe Science Fiction Book: An Illustrated History by Franz Rottensteiner
My rating: 2 of 5 stars

Uma boa ideia que na prática ficou bastante aquém. Partindo de uma proposta bastante abrangente, o livro apresenta os principais tópicos temáticos da FC, mas de uma maneira superficial e muito resumida. As ilustrações, que deveriam ser o seu forte, são mal diagramadas na página e as capas dos pulps são de velhos e manuseados exemplares, que me pareceu amadorismo, pois em 1975 ainda se encontravam exemplares bem cuidados para serem fotografados. Um ponto positivo é que toca um pouco na FC fora do circulo anglo-americano, apresentando autores russos e europeus. Mas faltou muito para mostrar o que já havia nesta época.

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James Warhola #scifi #SpaceExplorer

James Warhola (Untitled)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Ed Valigursky #Scifi #Atompunk #Android

Ed Valigursky 
Used in 3 Titles:
1956, Amazing Stories, March [as by Edward Valigursky]
2011, "The Perfect Woman" and Other Stories, Robert Sheckley
2013, The Iron Virgin and Other Stories [as by Edward Valigursky] Milton Lesser

Our Friends from Frolix. Jim Burns #Scifi #Alien #Raypunk #PhilipK.Dick

Our Friends from Frolix. Jim Burns.
(P.K.Dick cover by Panther Books, UK, 1976)