terça-feira, 5 de agosto de 2014

Filmografia de Ficção Científica — 1950

O Cinema de ficção científica nos anos 50


Nos anos 40 o cinema de ficção científica perdeu o fôlego inicial e se perdeu em pouquíssimas produções de rotina, no entanto, a próxima década haveria se ser a mais fecunda no gênero de toda a história do cinema americano.


Alguns fatores contribuíram para isso, entre eles estão a guerra da Coreia, as conturbadas tensões internacionais, como o início da guerra fria, da black list, dos espiões, das experiências nucleares, da bomba de hidrogênio nas mão dos russos... E neste cenário, começou no cinema americano o ciclo dos filme patrióticos, filmes anti-comunistas e militaristas, se aproveitando justamente desse medo de um holocausto nuclear ou de uma invasão comunista na América, como favoráveis à criação de histórias de ficção científica, levando assim os produtores de Hollywood a investirem bastante neste gênero.

Destination Moon (Destino à Luade Irving Pichel (1950)

Este filme é um divisor de á
guas no gênero, pois é a primeira tentativa de se fazer uma história realista de uma viagem espacial, expondo problemas práticos da vida no espaço, como a falta de gravidade, a preciosidade do oxigênio, o uso de roupas adequadas, a dificuldade em se fazer consertos no espaço e outros fatores científicos ignorados pelos filmes de ficção cientifica anteriores.

O roteiro foi uma adaptação dos livros Rocket Ship Galileo de Robert A. Heinlein, lançado em 1947, e também do seu outro romance O Homem que Vendeu a Lua, escrito em 1949 mas lançado somente em 1951. Robert Heinlein se envolveu tanto neste projeto que chegou a ser consultor técnico do filme, e para aproveitar o lançamento do filme, publicou com as suas anotações feitas para o roteiro, o conto longo (novelette) Destination Moon na revista Short Stories Magazine,
 o qual, às vezes, é confundido como a origem do filme.

É uma obra de autor, que segue a ideia Heinleniana das viagens espaciais não serem uma conquista de nenhum governo em particular, mas serem um consórcio econômico, envolvendo empresários, cientistas e empresas de propaganda, e todas vendem e financiam as viagens espaciais como as empresas de aviação fazem hoje em dia. É uma ideia que ainda não aconteceu, mas já existe um certo encaminhamento neste sentido.

O mais interessante nesse filme hoje, é poder assistir o estilo Heinlein de pensar, o seu alter ego, ali em em ação, na nossa frente e sempre com o senso do Big Business, pois afinal, se trata de uma viagem à lua. O filme tem uma espécie de sotaque Heinlein o tempo inteiro, e também marca o início dessa colaboração de autores contemporâneos com os estúdios de Hollywood.

"Destination Moon"
E como curiosidade, insere um desenho animado do Pica Pau (aos 12 minutos) para explicar os efeitos da gravidade a um grupo de empresários.


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