Contos Rápidos — Boas notícias para o departamento de vendas (Henry Slesar)


BOAS NOTÍCIAS PARA O DEPARTAMENTO DE VENDAS









Swanson entrou na sala de reuniões com um ar de indiferença executiva que até mesmo seus oponentes mais ferrenhos consideraram admirável. Todos sabiam que aquele era o dia em que ele teria que responder por seu fracasso como principal executivo da UHC, a maior empresa de vestuário masculino do mundo. Mas Swanson parecia perfeitamente à vontade; e embora soubessem que sua postura era uma pose, seus oponentes não conseguiam evitar a inquietação diante de sua indiferença. O presidente do conselho abriu a reunião sem preâmbulos e imediatamente passou para o relatório de vendas. Todos conheciam o conteúdo daquele relatório, que havia sido distribuído secretamente a cada diretor. Em vez de ouvir a lista de prejuízos, o conselho observava a expressão de Swanson, tentando avaliar sua reação àquela denúncia implacável de sua má gestão.

Finalmente, chegou a vez de Swanson falar.

"Senhores", começou ele, sem o menor tremor na voz, "como já ouvimos, as vendas de roupas masculinas têm sido desastrosas desde a guerra. A queda nos lucros não foi surpresa para nenhum de nós, mas não são essas perdas que nos interessam discutir hoje. O que nos interessa é a previsão de que as vendas cairão ainda mais em um futuro próximo. Senhores, eu contesto essa previsão do Departamento de Vendas; acredito que, em pouco tempo, as vendas aumentarão como nunca antes!"

Um murmúrio de espanto percorreu a sala; na outra extremidade da longa mesa, alguém deu uma risada ácida.

"Sei que minha previsão parece improvável", continuou Swanson imperturbavelmente, "e pretendo esclarecê-la da melhor forma possível hoje, antes que vocês saiam desta sala. Mas primeiro, gostaria de apresentar a vocês um relatório notável de um homem notável: o Professor Ralph Entwiller, da Fundação Americana de Eugenia."

Pela primeira vez, o homenzinho pálido, sentado na cadeira de convidado ao lado do presidente, ergueu a cabeça. Inclinou-se perante a assembleia e começou a falar em voz quase inaudível.

“O Sr. Swanson pediu-me para vir aqui hoje para falar convosco sobre o futuro”, começou ele.

—Mas eu não sei nada sobre o comércio de roupas masculinas. Minha área é a eugenia, e me especializo no estudo dos efeitos biológicos da radiação…

"Você se importaria de ser um pouco mais específico?", interrompeu Swanson.

—Não, claro que não. Eu lido, senhores, com mutações, mutações que em breve se tornarão a norma. Já hoje, a porcentagem de recém-nascidos mutantes está se aproximando de sessenta e cinco por cento, e acreditamos que aumentará ainda mais…

“Não entendo”, murmurou o presidente. “O que tudo isso tem a ver com…”

Swanson sorriu. "Ah, isso tem muito a ver com a situação." Ele empurrou as lapelas do paletó com os polegares, observando os rostos curiosos e intrigados ao redor da mesa.

— Perguntem a ele como são esses mutantes! Antes de mais nada, senhores, vamos vender o dobro de chapéus.



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Título original: Merchant – © 1960 HMH Publishing Co. Inc.

Tradução: Herman A. Schmitz (& Google Translator)

Ilustração: ChatGPT

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