quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Terrassol de Herman Schmitz — Juliana Gonçalves (Jornal de Londrina)

Em Terrassol, Herman Schmitz usa a ficção científica para criticar o progresso materialista

Contos em linguagem coloquial resultam em livro lançado pela Atrito Arte





Juliana Gonçalves
jgoncalves@jornaldelondrina.com.br
28/01/2015 00:50



(Crédito: Roberto Custódio/JL)


Uma civilização dizimada pelo mau uso de seus recursos naturais e dominada por alienígenas. Parece sinopse de filme, mas essa é a proposta de Terrassol, o livro de contos lançado em Londrina pelo escritor Herman Schmitz. Por meio da fantasia e da ironia, o autor faz uma importante crítica ambientalista e provoca a reflexão sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da humanidade.

Publicado pela Atrito Arte, com ilustrações de Marcelo Galvan Leite, Terrassol é um livro infanto-juvenil que, garante o autor, também é atraente ao público que se interessa por textos irônicos e bem humorados. “Quem gosta de histórias em quadrinhos, por exemplo, certamente vai gostar”, avisa Schmitz.

A obra reúne 25 contos das diferentes linhas da ficção científica, abordando diferentes ciências, como ecologia, biologia, psicologia, realidade virtual, clonagem, física, neurologia, entre outras. Os contos levam em consideração a precisão científica com relação às leis e as teorias, o que faz com que a obra tenha também certo caráter didático e de divulgação científica.

Alguns deles têm um estilo mais retrô, outros seguem uma linha mais surrealista e outros se espelham na ficção científica dos anos 1940, utilizando da ironia para tratar de fatos atuais. Em tempos de estações invertidas e escassez de água, o enredo não poderia ser mais atual.

“Tem duas histórias no livro que falam da manipulação do clima e da poluição do planeta Terrassol, como é chamado pelos alienígenas. A destruição teria sido causada pelos terráqueos, que acabaram com a atmosfera do planeta”, antecipa o autor. Os contos podem ser lidos separadamente, mas só no último a reunião dos textos fará sentido para o leitor.

O texto, segundo o próprio autor, tem influências do rádio, segmento que já foi explorado por ele. “É um texto rápido e coloquial, resultado do trabalho de locução e declamação de poesias. Alguns, se lidos em voz alta, ficam mais expressivos”, sugere.

Gênero restrito

Originalmente, os contos foram escritos em forma de poemas, mas a restrição da literatura brasileira com relação ao gênero fez com que o autor adaptasse as obras. “Os contos de ficção científica já são raros no Brasil. Poesia, então, é ainda mais difícil”, justificou. “As histórias dos contos de ficção científica são boas, mas as pessoas não têm referência e isso faz com que esse gênero da literatura seja bastante discreto por aqui”, acrescenta.

Numa tentativa de disseminar o gênero, Schmitz mantem o blog marcianoscomonocinema.blogspot.com.br, onde posta textos seus e de outros autores que se dedicam aos contos de ficção científica.

“Minha formação na ficção científica se deu através de livros portugueses e espanhóis porque não há nem traduções aqui no Brasil. Quem quer conhecer o gênero, tem que ler em outros idiomas”, explica.

Serviço:
Terrassol – Livro de contos de Herman Schmitz. Editora Atrito Arte. À venda pelo e-mail da editora atritoart@gmail.com ou no e-mail do autor hermanschmitz@ig.com.br (a R$20) e no Sebo Capricho (Londrina na R. Mato Grosso, 211, a R$25).

Relação com o gênero é antiga
Terrassol é o segundo livro publicado por Schmitz. Sua primeira obra, Os Maracujás, lançado em 2007, é uma coletânea de poesias filosóficas. Mas já é antiga a proximidade da ficção científica com o trabalho desse curitibano radicado em Londrina há mais de 20 anos.

“Ainda lá em Curitiba, nos anos 80, eu escrevi uma peça, que depois foi até apresentada no Filo, que se chamava Avantpirada, cuja temática era a visita de uma nave alienígena à capital”, lembra.

Além do teatro e da literatura, Schmitz também já se dedicou à música. A banda Radicais Livres foi criada, segundo ele, para divulgar suas produções literárias.

“Com a música, a gente fazia a leitura de poesias que foram publicados n’Os maracujás”, conta. Atualmente, além de escrever novos contos de ficção científica, Schmitz está concluindo uma peça de teatro que trata da tecnofobia. “É um esquete de um ato e será meu próximo livro. Fala de pessoas que têm paranoia por causa do excesso de tecnologia”, antecipa.


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