quinta-feira, 30 de julho de 2015

A Ilha dos Abençoados — Luciano de Samósata (Descrição)

A 17th-century fictional portrait of Lucian of Samosata by the English painter William Faithorne.

A ILHA DOS ABENÇOADOS


Com cerca de 800 quilômetros de comprimento, no Oceano Atlântico. Terra de um povo que se veste de cor purpura com belas teias de aranha. Apesar de não terem corpo, conseguem mover-se e falar como os seres mortais. Tem a aparência de espíritos nus, cada um deles coberto por uma teia de aranha que lhes da forma ao corpo.

A ilha e comprida e plana, governada por Radamantus, natural de Creta. A capital da ilha, também chamada Abençoada, foi construída em ouro com muralhas de esmeralda. Tem sete portas fabricadas a partir de uma unica peca de canela, e as estradas que atravessam a cidade são de marfim. Ha templos a todo o tipo de deuses, feitos de berilo e contendo altares elevados de ametista, usados para sacrifícios humanos: não se aconselham os visitantes especialmente impressionáveis pela visão de sangue a assistir a cerimonia. Em torno da cidade corre um rio de um perfume requintado, com 15 metros de profundidade e facilmente navegável, sete rios de leite e oito de vinho, e há fontes de água, mel e perfume. Os banhos públicos da cidade são grandes edifícios de cristal, aquecidos com canela; as banheiras contêm água e orvalho quente.

Os viajantes não encontrarão na Ilha dos Abençoados a escuridão da noite ou a luz do dia a que estão habituados. A ilha esta permanentemente imersa na penumbra, como se o sol ainda não tivesse nascido. Aqui e sempre Primavera e só sopra um vento, o zéfiro. O pais e rico em todo o tipo de flores e todo o tipo de plantas; as videiras pro duzem cachos de uvas 12 vezes por ano; as macieiras, as romãzeiras e outras árvores dão frutos 13 vezes por ano, porque no mês de Minossa produzem duas vezes. O trigo produz não só feixes já prontos, mas também belíssimos pães, que crescem nas extremidades da planta como cogumelos.


Luciano de Samósata, História Verdadeira, séc. II.

Um comentário:

  1. O que não entendo é, quando falam na história da FC,
    citarem Luciano, só por causa da passagem pela Lua.
    Não há nada de científico aí, nem mesmo levada em
    conta sua época. Pura fantasia.

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