domingo, 9 de fevereiro de 2020

Marte e a Mente do Homem - Arthur C. Clarke



Arthur C. Clarke: "Mesmo que agora não haja vida em Marte, haverá ao terminar este século".

Foi um compatriota de Arthur Clarke, Sir Isaac Newton, quem primeiro teve a ideia de um satélite artificial. Newton, no entanto, não chegou a propor que a Inglaterra lançasse o seu satélite; tal proeza seria impossível tecnologicamente no século dezessete. Mas em um de seus livros, Principia, ele formulou a idéia de um canhão, instalado em cima de uma montanha, que fosse disparando projéteis com alcance cada vez maior, até que um deles pudesse subir além da atmosfera, ou, ignorando-a, conseguisse entrar em órbita. E um dos descendentes intelectuais de Newton foi quem primeiro reconheceu a importantíssima e extremamente útil aplicação da técnica que nos permite estabelecer um sistema de comunicações através dos oceanos, ou mesmo através do mundo. Não foi alguém do Laboratório Bell ou de outro centro de pesquisas semelhante, e sim Arthur C. Clarke que, muito tempo antes da ideia se transformar num projeto em andamento, propôs a construção de satélites artificiais. Clarke é famoso pelo seu filme que posteriormente se transformou em livro (contrariando a regra geral), 2001, Uma Odisséia no Espaço, e, tendo em vista o assunto de que estamos tratando, não pode deixar de ser feita uma referência à outra obra sua, o livro "As Areias de Marte". Devo começar de forma análoga à de Ray Bradbury. Foi Edgar Rice Burroughs quem despertou meu interesse, e eu hoje em dia o considero um escritor muito subestimado. Um homem capaz de criar o personagem mais conhecido no mundo da ficção não devia ser tão pouco considerado! É claro que não resta muita coisa do seu Marte, e sua ciência foi sempre um tanto duvidosa. Ainda me lembro que mesmo quando eu era garoto, achava um tanto estranho aquele negócio de rochedos de ouro puro incrustados de pedras preciosas. Acho até que pode vir a ser um exercício interessante para um estudante de geologia para ver como um fenômeno desses poderia vir a ser provocado.

Outro escritor a quem faço questão de pagar meu tributo, em parte por ter vivido uma vida tão tragicamente curta, é Stanley G. Weinbaum, cuja "Odisséia Marciana" foi editada por volta de 1935. E finalmente, como não podia deixar de ser, a outra grande influência que tive foi a do nosso sábio de Boston. Pode-se dizer o que se quiser sobre sua competência como observador, mas não se pode negar o seu poder de propagandista, e acredito mesmo que ele mereça um certo crédito por ter pelo menos conservado a ideia da astronomia planetária viva e ativa durante um período em que de outra forma talvez tivesse sido negligenciada. Certamente que ele causou muitos prejuízos, em diversos aspectos, mas, levando-se em conta tudo o que tem acontecido, talvez os benefícios originados de sua ação possam ser considerados maiores.

Seja como for, fiquei comovido um dia desses quando visitei o Observatório Lowell pela primeira vez e dei uma olhada através do seu telescópio de 26 polegadas, ao lado do qual Lowell foi enterrado. Afligiu-me ver que seus documentos foram negligenciados e que estão espalhados de qualquer maneira. E por causa disto, iniciei uma série de providências que devem vir a resultar na ordenação metódica do seu trabalho, e, com alguma sorte, em sua publicação. Sejam quais forem as tolices que ele tenha escrito, espero que algum dia batizemos qualquer coisa em Marte com o seu nome, e estou certo de que ele não será esquecido neste campo do conhecimento humano.

O nome de H. G. Wells também foi citado, e muito merecidamente, claro. Muito ele fez por Marte, e sua obra está viva até hoje. O diretor de cinema George Pal, com sua montagem de A Guerra dos Mundos, está no mesmo caso.

Estamos vivendo agora um momento realmente histórico em relação a Marte. Não vou fazer nenhuma predição, porque isto seria tolice, mas, seja o que for que aconteça, sejam quais forem as descobertas dos próximos dias, semanas ou meses, a verdade é que a fronteira do nosso conhecimento está se deslocando inevitavelmente para mais longe.

Ele já envolveu a Lua. Ainda temos muito a aprender a respeito da Lua, e eu estou certo de que mesmo lá encontraremos muitas surpresas. Mas a fronteira está se deslocando, e nossa atitude está mudando com ela. Estamos constatando, e isto é uma grande surpresa, que a Lua, e creio que também Marte e partes de Mercúrio, bem como, e muito especialmente, o próprio espaço sideral por si só, são meios ambientes benignos — não necessariamente à vida orgânica, mas à nossa tecnologia. Claro que são benignos, se comparados com a Antártida ou os abismos oceânicos, onde já estivemos. Esta é uma ideia de que o público ainda não se apercebeu, mas é um fato.

É bem possível que a fronteira biológica passe por Marte e siga até Júpiter, onde imagino que haja muita coisa a nossa espera. E não apenas eu — o próprio Carl Sagan já levantou a hipótese de que Júpiter pode apresentar um meio ambiente mais favorável à vida de que qualquer outro planeta, inclusive a própria Terra. Seria sensacional se se viesse a comprovar a veracidade desta ideia.

Para concluir, uma predição: mesmo que agora não haja vida em Marte, haverá ao terminar este século.

… Para Onde Vamos? Isaac Asimov - Introdução

Antologia organizada por Issac Asimov

Introdução

De há muito considero a ficção científica como um instrumento em potencial, inspirador e útil, para o ensino. Para esta antologia, portanto, selecionei dezessete histórias que, penso eu, podem inspirar curiosidade e podem conduzir o estudante dentro dos esquemas de indagação de seu interesse particular, que mais o entusiasmem, que podem até mesmo determinar a futura diretriz da sua carreira.

Isto não quer dizer, entretanto, que todas as histórias são cientificamente corretas, embora, naturalmente, algumas sejam realmente acuradas pelos padrões do nosso tempo. Afinal de contas a história de ficção científica não pode ser (exceto por inspiradora conjectura) mais acurada do que torna possível o conhecimento científico dos nossos tempos. Uma história escrita em 1925 somente por acidente pode ser acurada, em parte, com referência a Plutão, o nono planeta; a situação é similar quanto a histórias, sobre a bomba atômica, escritas em 1935; sobre satélites artificiais, escritas em 1945; sobre quasars, escritas em 1955 e assim por diante.

Em muitas histórias de ficção científica um princípio cientifico é deliberadamente destorcido, com a finalidade de tornar possível um determinado enredo.É uma realização que pode ser conseguida com perícia por um autor versado em ciência ou de modo canhestro por um outro menos versado na matéria. Em ambos os casos mesmo no último, a história pode ser útil. Uma lei da natureza que é ignorada ou destorcida, pode suscitar mais interesse, algumas vezes, do que uma lei da natureza que é explicada. São possíveis os eventos apresentados na história? Se não o são, por que não? E ao tentar responder a tal pergunta o estudante pode algumas vezes aprender mais a respeito da ciência, do que com uma série de demonstrações corretas feitas em salas de estudo.

Esta antologia foi preparada, portanto, obedecendo a diferentes níveis.

Em primeiro lugar, as dezessete histórias aqui reunidas são todas de boa qualidade, engenhosas e excitantes, cada uma à sua maneira. Todos os que assim desejarem podem lê-las pelo prazer que por si mesmas oferecem, sem fazer nenhum esforço consciente para com elas aprender algo, podendo mesmo ignorar totalmente os comentários particulares que faço depois de cada uma delas.

Para os desejosos de uma investigação mais profunda, escrevi depois de cada história umas poucas centenas de palavras de comentário, abordando os pontos científicos apresentados em cada uma delas, apontando a sua validade ou, algumas vezes, explicando os erros cometidos.

Finalmente, depois de cada comentário, adicionei uma série de sugestões e perguntas destinada a conduzir a curiosidade do leitor em direções possivelmente proveitosas. Tais sugestões e perguntas não são simples nem têm a intenção de sê-lo. Na realidade, algumas vezes, formulo perguntas para as quais as respostas não são conhecidas. A despeito disto não faço sugestões e não existem respostas no final do livro. Apresento, entretanto, no final, um apêndice de dois itens para cada história que pode interessar aos que se sentirem fascinados pelos pontos científicos abordados. A Leitura Adicional pode não fornecer as respostas às perguntas por mim apresentadas, mas responderá a outras questões que não cheguei a formular, mas que secretamente podem ter ocorrido ao leitor.

E até mesmo tal apêndice, embora tosco e não-específico, apresento com relutância – porque desejo que o leitor sinta-se inteiramente à vontade e chegue às suas próprias conclusões. Não desejo apresentar respostas, mas sim estimular o pensamento. Não desejo oferecer soluções, mas dar causa àquela espécie de curiosidade que pode ser o início de uma diretriz própria.

Afinal de contas não existe nenhuma exigência para que os leitores acompanhem todas as linhas – ou uma única que seja – da investigação que sugiro, mas alguns deles podem fazê-lo, movidos pelo desejo que as histórias contidas nesta antologia venham a inspirá-los, ainda que tal desejo tenha sido nutrido por uma única dessas histórias.

Se tal acontecer, sentir-me-ei imensamente mais recompensado por cada leitor que venha a achar excitante ainda que apenas uma das tramas sugeridas e venha a lançar-se na busca de maior conhecimento, do que poderia sentir-me por apenas ter organizado uma interessante antologia

E os leitores que se sentirem assim envolvidos, serão também imensamente mais recompensados.

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*** Literatura e Ciência***

1.  UMA ODISSÉIA MARCIANA – Stanley G. Weinbaum

Existe Vida em Outros Planetas? – Poul Anderson (Croweli-Collier, 1963)
Não Estamos Sozinhos – Walter Sullivan (M 1964)

2.  NOITE – Don A. Stuart

Limites da Astronomia – Fred Hoyle (Harper, 1955)
Grandes Idéias e Teorias da Cosmologia Moderna – Jagjit Singh (Dover, 1961)

3.  E O DIA SE FEZ – Lester del Rey

A Humanidade em Formação – William Howelis (Doub 1959)
O Homem, o Tempo e os Fósseis – Ruth Moore (2 ed., Knopf, 1961)

4.  O PLANETA PESADO – Milton A. Rothman

O Tempo nos Planetas – George Obring (Doubieday, 1966)
A Terra, a Lua e os Planetas – Fred L. Wbipple (3 ed., Harvard University Press, 1968)

5.  A CASA QUADRIMENSIONAL – Robert A. Heinlein

Uma Revisão na Geometria – Irving Adiei (John Day, 1966)
Introdução à Geometria – H. S. Coxetcr (2 cd., Wiley, 1969)

6.  PROVA– Hal Clement

O Sol – Giorgio Abetti (MacMlllan, 1957)
As Estrelas - W. ICruse e W. Dieckvoss (University of Michigan Press,  1957)

7.  UM METRÔ CHAMADO MÕBIUS - A. J. Deutsch

Conceitos Intuitivos em Topologia Elementar – B. H. Amold (Prentice-Hall, 1962)
Experiências em Topologia – Stephen Barr (‘rhomas Y. Croweli, 1964)

8.  TENSÃO DE SUPERFÍCIE – James Blish

Células: Sua Estrutura e Função – E. I Mercar (Doubieday, 1962)
O Cortejo da Vida – Alfxed S. Romer (World, 1968)

9.  MÉDICO DO INTERIOR - William Morrison

Vida nos Planetas – Robert Tocquet (Grove, 1962)
Vida no Universo – Michacl W. Ovenden (Doubieday, 1962)

10.  OS BURACOS AO REDOR DE MARTE - Jerome Bix

Um Estudo Elementar da Mecânica Celestial – Ryabov (Dover, 1961)
A Astronáutica Para Professores de Ciências - John G. Meitner (Wfflcy, 1965)

11.  OS PASTOS SUBMERSOS – Axthur C. Clarke

O Mar – Lconard Engel
As Baleias – E. 1. SIijpcr (Basic Books, 1962)

12.  A CAVERNA DA NOITE - .James E. Gunn

Encontro Marcado na Lua - RiCharci S. Lewis (Vildng, 1968)
Até a Lua - John NoMe Wilford (Bantapi, 1969)

13.  PANO DE PÓ – HalClement

Guia Pictórico da Lua – Dinsmorc Alter (nomas Y. CroweU, 1967)
Bagagem Para Levar à Lua – NeiI P. Ruzic (Putnasn, 1965)

14.  PATÉ DE FOIE GRAS – lsaac Asimov

Traços Isotópicos na biologia - Martin 1’. Kamen (3 cd., Acadenile Press, 1957)
Isótopos – 1. L. Putnain (Peican, 1960)

15.  OMNILINGUA – H. Beam Piper

O Livro do Horizonte dos Mundos Perdidos – Leonaxd Cottxeli (American Heritage, 1962)
A Rocha de Dano: A Estória de Henry Rawlinsbn – Robert Silverberg (Helt,
Rinehart e Winston, 1966)

16.  O GRANDE SALTO – Walter S. Tevis

As Leis da Física – Milton A. Rothman (Basie Books, 1003)
Compreensão da Física – Isaac Asimov (Volume 1, Walker, 1966)

17.  ESTRELA–NÊUTRON – Lany Niven

As Marés – Edward P. Clancy (Doubieday, 1968)
Os Espantosos Pulsars – Science Year, 1969, p 37 (Fie Enterprises, 1969)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

The Neutral Stars, 1973 - Dean Ellis #Scifi

The Neutral Stars, 1973 - Dean Ellis
Ilustração utilizada no romance de John Kippax e Dan Morgan.

Agent of Chaos, 1970 - Dean Ellis #Scifi

Agent of Chaos, 1970 - Dean Ellis

Ilustração para a capa do romance "Agent of Chaos" de Norman Spinrad. 1978

A Fall of Moondust, 1974 - Dean Ellis #Scifi

A Fall of Moondust, 1974 - Dean Ellis
Ilustração utilizada no romance homônimo de Arthur C. Clarke

sábado, 26 de outubro de 2019

The Marsformation of the Earth #SciFi #VeryShortStories


Art: Marcelo Galvan

The Marsformation of the Earth

Terraform a planet is torn will so similar to Earth. The term first appeared in the American magazine Astounding Science Fiction in July 1942 in Jack Williamson's Orbit of Collision, which in turn was inspired by a book by Konstantin Tsiolkovsky, written on a log tree trunk, around the Russian city of Kaluga in 1900.

One morning on January 30, 1900, in the main square of the small town of Kaluga, the figure shrouded in tufts does not even feel the cold of autumn, for its eyes are metallized like two spheres of lead and their hair thin and disheveled indicates madness or genius.

All little madness is silly. If it is to be madness, let it be full with visions and hallucinations. This is what the few passers-by of the square think.

With encouraging eyes, typical of the Russian people, they encourage the comrade to climb into the gazebo and speak.

Let us say the character is nothing new, it is the new guest of mathematician Tsiolkovsky - who lives in a log cabin on the outskirts of the city. The contact with the master's advanced ideas drove the little thought he already had. In addition, then from time to time he appears in the city, climbs the bandstand and begins an endless harangue about the 21st century Martian invasion.

However, today your countenance is more focused. His figure rises majestically (which piques curiosity with what will come next).

— Kaluga unbelievers, this night dawn I had the illumination that made me glimpse the whole plan of these Martian invaders. At first, they will be just a few dots coming out of the Martian sky towards Earth. Scientists will find that they are just spots on the Martian surface. They will only realize the terrible truth when these ships approach and circle the earth, pouring into our atmosphere the toxic gases of carbon dioxide, methane, and ozone. Immediately, the damp green grass, the reeds and the plants will be opaque and gray. Their sheets of smoke and soot will cover every city on the planet. Moreover, over these dark cities, dozens of arm-wrestling machines will dig the ground into the bowels of the planet. Many noble gases and oil will be found. Now, this is no longer precious. The boiling oil swims with pleasure, and its flaming, hissing tentacles rush into flames upon the proud and upon the vehicles of the proud, who fall in droves, chanting the sad roar of the terrified. However, the plan of these invading Martians is far more terrible. Only channels and channel, and channels will be left over the earth, made with great grooves in the concrete, scratched from cast iron, and at the bottom of them the post-chemicals of a completely devastated technology. The Man - this collection of rare skeletons - his clothes, his coins, his fierce tongue, are completely certain of extinction. Then the oceans will slowly warm, reddening as if at last the blood of the last ghosts of the human circus is also diluted in suffocating foam. It is not long before the runaway heat, the thaw, the released gases and all sorts of decomposed organic matter reverse into a toxic rain that germs the red bacteria of Martian cells in the air. See, unbelievers. It's all over! In the rear a softly hissing ship will appear. From a lower opening the scornful enemy will leap. The whole earth will tremble. The Portal gave way, at last. These ships have only one mission: THE MARSFORMATION OF THE EARTH! And when they are done, all of the earth will have only one quicksand, red in color…

In this, the prophetic character kneels in ecstasy, with open arms and bright eyes, facing the planet Mars.

Another figure approaches the square, is Professor Tsiolkovsky , who by his deafness could not understand all the words of his guest, but in the name of the reputation of recognized teachers feels the duty to climb the bandstand and drag the indiscreet guest of the square. .

— Gentlemen, sorry about that fellow. It's just a pilgrim I landed on. This will not be repeated. Promise.

Moreover, apologizing here and there, the teacher led the strange visitor to the city gates, repelling his own concepts.

The people in the square stomp their feet for warmth and prepare to go to work. This whole story of Marsformation is surely just a way for the madman to imitate the wise.

Certainly…

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Herman Augusto Schmitz

Originally published in Portuguese in the book "Terrassol" in 2014.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Review: Frankenstein desencadenado

Frankenstein desencadenado Frankenstein desencadenado by Brian W. Aldiss
My rating: 5 of 5 stars

Excelente pastiche da novela de Mary Shelley. O autor começa com uma viagem no tempo até Genebra na época da redação do Frankenstein. Encontra inicialmente com o próprio personagem de Victor Frankenstein e fica deveras espantado por não saber da existência de uma referência histórica para o romance. Depois encontra a família Shelley e participa de uma noitada regada a vinho, conhaque e ópio com Lord Byron e o Dr. Polidori. A partir desse momento, a história passa a carnavalizar com o mito do Frankenstein no cinema contemporâneo e outros tropos de ficção científica.
Romance muito divertido de ler, principalmente quando se coteja com o romance original.

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