domingo, 4 de janeiro de 2015

O DESAPARECIMENTO DE HONORÉ SUBRAC — Guillaume Apollinaire

Kitasono Katue - La Disparition d’Honoré Subrac - 1960

O DESAPARECIMENTO DE HONORÉ SUBRAC
Conto de Guillaume Apollinaire


Apesar das mais minuciosas buscas, a polícia não conseguiu elucidar o mistério do desaparecimento de Honoré Subrac.

Ele era meu amigo e, como eu conhecia a verdade a respeito de seu caso, considerei meu dever colocar a justiça a par do que se passara. O juiz que recolheu minhas declarações assumiu para comigo, depois de ouvir meu relato, um tom de polidez tão assustado que não tive qualquer dificuldade para entender que me tomava por louco. Disse-lhe isso. Ele se tornou ainda mais polido e então, levantando-se, empurrou-me em direção à porta e vi seu escrivão, de pé, punhos cerrados, prestes a pular sobre mim se eu bancasse o alucinado.

Não insisti. O caso de Honoré Subrac é, de fato, tão estranho que a verdade parece inacreditável. soube-se pelas notícias dos jornais que subrac passava por ser original. Fosse inverno ou verão, ele vestia apenas um casacão e nos pés só usava chinelos. Era muito rico e, como sua maneira de vestir me surpreendesse, perguntei-lhe um dia a razão:

— É para me despir mais depressa, em caso de necessidade — respondeu ele. — Com o tempo, a gente se acostuma a sair com pouca roupa. Passa-se muito bem sem roupas de baixo, meias e chapéu. Vivo assim desde os vinte e cinco anos de idade e nunca fiquei doente.

Tais palavras, em vez de me esclarecerem, aguçaram minha curiosidade.

"Mas afinal", pensei, "por que Honoré Subrac precisa se despir tão depressa?".

E eu fazia um sem-número de suposições...



Numa noite em que voltava para casa — poderia ser uma hora, 1h15 — ouvi meu nome pronunciado em voz baixa. Pareceu-me vir da muralha perto da qual passava. Parei, desagradavelmente surpreso.

— Não há mais ninguém na rua? — recomeçou a voz. — Sou eu. Honoré Subrac.

— Mas onde você está? — exclamei, olhando para todos os lados sem conseguir fazer ideia do lugar onde meu amigo poderia estar escondido.

Descobri apenas o famoso casacão estendido na calçada, ao lado de seus não menos famosos chinelos.

"Eis um caso", pensei, "no qual a necessidade forçou Honoré Subrac a se despir num piscar de olhos. Vou finalmente conhecer um belo mistério." E disse em voz alta:

— A rua está deserta, meu amigo, pode aparecer!

De repente. Honoré Subrac de alguma maneira se desprendeu da muralha contra a qual eu não o avistara. Estava completamente nu e, antes de tudo, apanhou seu casacão que vestiu e abotoou o mais depressa que pôde. Calçou- se a seguir e, em tom decidido, falou comigo acompanhando-me até minha porta:

— Você ficou surpreso! — disse ele. — Mas entende agora a razão pela qual me visto de modo tão estranho. Entretanto, não compreendeu como consegui escapar tão completamente de seu olhar. É muito simples. Só deve ver nisso um fenômeno de mimetismo... A natureza é uma boa mãe. Ela concedeu aos filhos que são ameaçados pelos perigos e que são fracos demais para se defenderem o dom de se confundir com o que os cerca... Mas você conhece tudo isso. Sabe que as borboletas se parecem com as flores, que alguns insetos se assemelham a folhas, que o camaleão pode assumir a cor que melhor o dissimula, que a lebre polar se tornou branca como as regiões glaciais por onde, tão covarde quanto a de nossas campinas, foge quase invisível.

"É assim que esses frágeis animais escapam de seus inimigos por uma engenhosidade instintiva que modifica seu aspecto.

"E eu, a quem um inimigo persegue sem trégua, eu, que sou medroso e me sinto incapaz de me defender numa luta, sou como esses animais: confundo- me, à vontade e por terror, com o meio ambiente.

"Exerci pela primeira vez essa faculdade instintiva há um certo número de anos. Eu tinha 25 anos e, em geral, as mulheres me achavam agradável e bem-apessoado. Uma delas, que era casada, testemunhou-me tanta amizade que não pude resistir. Ligação fatal!... Uma noite, estava eu na casa da minha amante. Seu marido, por assim dizer, havia partido por vários dias. Estávamos nus como divindades quando de repente se abriu a porta e o marido surgiu, revólver na mão. Meu pavor foi indescritível e só quis uma coisa, covarde que era e que sou ainda: desaparecer. Encostando-me à parede, desejei me confundir com ela. E o acontecimento imprevisto realizou-se de imediato. Fiquei da cor do papel pintado e, meus membros se achatando num estiramento voluntário e inconcebível, pareceu-me que eu aderia à parede e que ninguém mais me via. Era verdade. O marido me procurava para me matar. Ele havia me visto e era impossível que eu tivesse fugido. Ficou enlouquecido e, voltando sua raiva contra a mulher, matou-a com selvageria com seis tiros de revólver na cabeça. Então se foi, chorando desesperadamente. Depois de sua partida, por instinto, meu corpo retomou sua forma normal e sua cor natural. Vesti-me e consegui sair dali antes que chegasse alguém... Conservei desde então essa feliz faculdade, que tem a ver com o mimetismo. O marido, não me tendo matado, dedicou sua existência ao cumprimento dessa tarefa. Persegue-me há muito tempo pelo mundo todo e eu acreditava ter-lhe escapado vindo viver em Paris. Mas vi esse homem, alguns instantes antes que você passasse. O terror me fazia bater os dentes. Só tive tempo para me despir e me confundir com a muralha. Ele passou perto de mim, olhando com curiosidade para aquele casacão e aqueles chinelos abandonados na calçada. Você percebe como tenho razão de me vestir sumariamente. Minha faculdade mimética não se poderia manifestar se eu estivesse vestido como todos os outros. Eu não conseguiria me despir depressa o bastante para escapar de meu carrasco e é preciso, antes de tudo, que eu esteja nu, para que minhas roupas, achatadas contra a muralha, não tornem inútil meu desaparecimento defensivo."

Cumprimentei Subrac por uma faculdade da qual eu tinha provas e que invejava...

Nos dias que se seguiram, eu só pensava naquilo e me surpreendia, por qualquer motivo, concentrando minha vontade com o objetivo de modificar minha forma e minha cor. Tentei me transformar em ônibus, em torre Eiffel, em acadêmico, em ganhador da loteria. Meus esforços foram em vão. Aquilo não era para mim. Minha vontade não tinha força suficiente e além disso me faltava aquele bendito terror, aquele formidável perigo que despertara os instintos de Honoré Subrac...

Eu não o via já há algum tempo quando ele um dia apareceu, descontrolado:

— Aquele homem, meu inimigo — disse ele —, me espreita por toda parte. Consegui escapar três vezes, exercendo minha faculdade, mas estou com medo, estou com medo, meu amigo.

Vi que havia emagrecido, mas evitei dizer-lhe.

— Só lhe resta uma coisa a fazer — declarei. — Para escapar de um inimigo tão implacável: vá embora! Esconda-se numa aldeia. Deixe-me cuidar de seus negócios e vá para a estação de trem mais próxima.

Ele me apertou a mão, dizendo:

— Venha comigo, eu lhe suplico. Estou com medo!


Na rua, caminhamos em silêncio. Honoré Subrac virava constantemente a cabeça, com ar inquieto. De repente, deu um grito e começou a fugir livrando- se de seu casacão e de seus chinelos. E vi que um homem vinha atrás de nós, correndo. Tentei pará-lo. Mas ele me escapou. Tinha um revólver que apontava na direção de Honoré Subrac. Este acabava de alcançar um comprido muro de quartel e desapareceu como por encanto.

O homem do revólver parou estupefato, lançando uma exclamação de raiva e, como para se vingar do muro que parecia lhe ter roubado a vítima, descarregou seu revólver no local em que Honoré Subrac havia desaparecido. Depois se foi, correndo...

Juntou gente, a polícia veio dispersar. Chamei então meu amigo. Mas ele não me respondeu.

Tateei a muralha, ela ainda estava morna e percebi que, das seis balas do revólver, três haviam atingido a altura do coração de um homem, enquanto as outras haviam arranhado o gesso, mais alto, lá onde me pareceu distinguir, vagamente, o contorno de um rosto.



Título original: La Disparition D'Honeré Subrac, 1910
Tradução de Celina Portocarrero

Um outro fim do Rei Artur - Joe Kennedy


O Fim de Artur - Joe Kennedy


Sempre gostei muito do Rei Artur. Especialmente depois daquela noite em que ele evitou que eu ficasse convertido em um pinguim por toda a vida.

Tudo começou quando Merlin o Mago chegou em casa por volta das onze da noite. Vinha do baile anual dos Bruxos e Bruxas, e estava mais cheio de vinho que um barril. E bêbado, agitou um dedo na minha direção e exclamou:

— Converte-te em pinguim!

E eu me converti em um pinguim. Contemplei no espelho e notei que não era um pinguim de todo feio. Assentei as penas. Logo fui para a geladeira e me sentei dentro dela, disposto a ficar ali até que a bebedeira de Merlin já estivesse passado.

Por volta da uma da manhã ouviu-se um golpe violento na porta da frente. Merlin continuava roncando. Os golpes foram soando mais fortes. Depois de um breve espaço de tempo se ouviu um tremendo rangido e a porta arrebentou.

Ali estava o Rei Artur, vestido com a sua armadura, agitando a espada e gritando algo incompreensível. Merlin abriu um olho sanguinolento.

— Que hora mais condenada para fazer visitas – disse com um débil soluço.

— Merlin, obscuro bruxo de inomináveis necromancias – foi dizendo o Rei, agitando delicadamente a sua espada – por muito tempo foste uma praga a este belo reino com os teus diabólicos feitiços. Por fim descobri o teu imundo refúgio. Merlin, te restam escassos momentos de vida.

— O pior de vocês, estúpidos cavaleiros – queixou-se o mago –, é que não podem fazer nada sem declamar antes um maldito discurso. Por que não me matas e deixa de oratória?

— Não é a pior sugestão que ouvi – observou o Rei Artur, cortando o ar com um volteio da espada. A cabeça de Merlin caiu no chão, embora o corpo do mago continuasse deitado no leito.

Assim foi que os acontecimentos me favoreceram: imediatamente após o falecimento de Merlin, eu recuperei a minha forma natural.

Como já disse antes, sempre gostei muito do Rei Arthur. Sua clavícula me serve até hoje de excelente palito de dentes...


Título Original: The Passing of Arthur
©1966, C. C. H. Press Pub
Tradução: Herman Schmitz

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Michael Moorcock Galeia de Capas

Moorcock, Michael (1939– ) 

No Google+: https://plus.google.com/u/0/photos/103998711237758699926/albums/6095338993783011841

Michael Moorcock has had enough careers in the world of publishing for several people. He is one of the most respected fantasy novelists, creator of Elric of Melnibone and the Eternal Champion under various other guises, and has written mainstream novels and spy thrillers. In science fiction, he has written everything from space opera and pastiches of Edgar Rice BURROUGHS to finely crafted and serious work, including Hugo and Nebula Award winners. He edited New Worlds Magazine for several years and was one of the major figures in the British New Wave movement, which helped provide a forum for the experimental work of J. G. BALLARD, Langdon Jones, Thomas DISCH, and other writers of that period. His JERRY CORNELIUS SERIES is the best-known example of the innovative and nontraditional writing styles associated with the New Wave movement; that series, to which Moorcock continues to add, is virtually the only remnant of the New Wave’s nonrealistic and self-conscious styling that has remained in print.

Don D'Ammassa, Encyclopedia of Science Fiction, 2002.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

TERRASSOL — Lançamento em Londrina 17-12-14

Convite


   Convido a todos os que estiverem na cidade de Londrina-PR no dia 17, uma quarta-feira de dezembro as 20:30, para o lançamento do meu primeiro livro de contos de ficção científica Terrassol.  

   A coletânea de contos TERRASSOL é diversão garantida para todos os públicos, não apenas para os apreciadores de ficção científica. Mas, como em toda obra maior desse gênero, não deixa de instigar sérios questionamentos sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da sociedade e do indivíduo. Montada no formato de um longo dossiê alienígena com o que restou das lendas, das crônicas, dos documentos oficiais e dos escritos poéticos da única espécie dita inteligente de Terrassol. 
Os contos são narrados com bom humor e com precisão científica em quanto às leis e as teorias vigentes, ampliando com isso o seu escopo, pois a obra passa a ter também um caráter didático e de divulgação científica. 
   Nestes vinte e cinco contos de Terrassol, estão presentes diversas ciências: a realidade virtual, a ecologia, a psicologia, a engenharia genética, a clonagem, neurologia, a nanotecnologia, a botânica, além de outras abordagens como a mitologia, a ufologia ou a psicanálise Jungiana. Todas relacionadas de um modo ou de outro, no sentido de procurar mostrar uma realidade mais ampla que essa nossa visão da vida cotidiana trivial e limitada, pois ao deslocar o leitor para essa escala planetária e levá-lo adiante tanto no tempo como no espaço, está se cumprindo o objetivo principal de todo escritor de ficção científica, que é causar esse distanciamento no leitor, juntamente com essa emoção cósmica de se pensar, não mais como indivíduo atarefado e ausente das questões científicas e planetárias, mas como um verdadeiro ser humano, terráqueo e participante dos demais planetas do universo, tenhamos ou não conhecimento da sua existência.
   A ilustração sempre foi um recurso editorial para despertar o interesse do leitor, especialmente na ficção científica, a qual, devido às suas possibilidades ilimitadas de concepção de outros mundos ou de futuros inimagináveis, com o uso da gravura se projeta no leitor um pouco do clima mental necessário para que ele “viaje” na história. Dessa forma, no livro TERRASSOL se agregam dois valores artísticos: o literário e o de ilustração. Com isso fazemos uma homenagem ao gênero publicando-o em um formato mais próximo do original o que também o deixa mais acessível aos jovens leitores de hoje. As ilustrações do livro trazem assinatura do arte educador, músico e desenhista Marcelo Galvan
   A Atrito Arte publica, pela primeira vez, um livro de ficção científica. E não poderia ter feito melhor escolha, afinal, a literatura londrinense não estaria completa sem ele.

Christine Vianna — Editora

Confira o mapa aqui: https://goo.gl/maps/NpJ2l

Galeria de Capas — Isaac Asimov

Álbum no Google+: https://plus.google.com/u/0/photos/103998711237758699926/albums/6091006133773009665



Isaac Asimov (em russo: Исаак Юдович Озимов; transl.: Isaak Yudavich Azimov; Petrovichi, ca. 2 de janeiro de 1920 — Nova Iorque, 6 de abril de 1992), foi um escritor e bioquímico americano, nascido na Rússia, autor de obras de ficção científica e divulgação científica.

Asimov é considerado um dos mestres da Ficção Científica e, junto com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, foi considerado um dos "três grandes" da ficção científica. A obra mais famosa de Asimov é asérie da Fundação, também conhecida como Trilogia da Fundação, que faz parte da série do Império Galáctico e que logo combinou com sua outra grande série dos Robots. Também escreveu obras de mistério e fantasia, assim como uma grande quantidade de não-ficção. No total, escreveu ou editou mais de 500 volumes, aproximadamente 90 000 cartas ou postais, e tem obras em cada categoria importante do sistema de classificação bibliográfica de Dewey, exceto em filosofia.

A maioria de seus livros mais populares sobre ciência, explicam conceitos científicos de uma forma histórica, voltando no tempo o mais longe possível, quando a ciência em questão estava nos primeiros estágios. Ele providencia, muitas vezes, datas de nascimento e falecimento dos cientistas que menciona, também etimologias e guias de pronunciação para termos técnicos. Alguns exemplos incluem, "Guide to Science", os três volumes de "Understanding Physics" e a "Chronology of Science and Discovery", e trabalhos sobre Astronomia, Matemática, a Bíblia, escritos de William Shakespeare e Química.

Asimov foi membro e vice-presidente por muito tempo da Mensa, ainda que com falta: ele os descrevia como "intelectualmente combalidos". Exercia, com mais frequência e assiduidade, a presidência da American Humanist Association (Associação Humanista Americana).

Em 1981, um asteroide recebeu seu nome em sua homenagem, o 5020 Asimov. O robô humanóide "ASIMO" da Honda, também pode ser considerada uma homenagem indireta a Asimov, pois o nome do robô significa, em inglês, Advanced Step in Innovative Mobility, além de também significar, em japonês, "também com pernas" (ashi mo), em um trocadilho linguístico em relação à propriedade inovadora de movimentação deste robô. [Wikipedia]



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Neandertal — Poema de Marijane Allen

Reconstrução de um grupo Neandertal
Johannes Krause, Neandertal group by Atelier Daynes, Paris, France. In: Museum of the Krapina Neanderthals, Krapina, Croatia.

NEANDERTAL

Marijane Allen

"Vejam que exemplar intrigante..."
Ao vê-lo, eu me pergunto o que aconteceu quando
os seus profetas não encontraram nenhum futuro previsível.

Eu me pergunto o que ele viu quando o esquecimento
o atingiu como os ventos gelados. Quê inferno
levou-o às cavernas de Dussel
para ali morrer, possuído de uma fome insaciável?

Que fome de amanhã poderia ter aquela raça
caminhando para a morte em uma estrada de aberrações?

Mancando desajeitadamente para a extinção
porque o Criador esqueceu algum detalhe
desconhecido para nós. "Intrigante exemplar..."

Raça sem futuro, me pergunto o que ela viu.

In Apeman, Spaceman. Ed. Leon E. Stover, Harry Harrison. Penguim Books, 1979.

Tradução: Herman Schmitz

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Herman Schmitz convida para o lançamento de TERRASSOL


ATRITO ARTE orgulhosamente convida para o lançamento
de TERRASSOL de HERMAN SCHMITZ
17 de dezembro de 2014, 20h30
Na Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Rua João Pessoa, 103-A

A coletânea de contos TERRASSOL é diversão garantida para todos os públicos, não apenas para os apreciadores de ficção científica. Mas, como em toda obra maior desse gênero, não deixa de instigar sérios questionamentos sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da sociedade e do indivíduo. Montada no formato de um longo dossiê alienígena com o que restou das lendas, das crônicas, dos documentos oficiais e dos escritos poéticos da única espécie dita inteligente de Terrassol.
Os contos são narrados com bom humor e com precisão científica em quanto às leis e as teorias vigentes, ampliando com isso o seu escopo, pois a obra passa a ter também um caráter didático e de divulgação científica.

Nestes vinte e cinco contos de Terrassol, estão presentes diversas ciências, começando pela realidade virtual, a ecologia, a biologia, a sociologia, a psicologia, a engenharia genética, a clonagem, a meteorologia, a física, a antropologia, a neurologia, a nanotecnologia, a botânica, além de outras abordagens como a mitologia, a ufologia ou a psicanálise Jungiana. Todas relacionadas de um modo ou de outro, no sentido de procurar mostrar uma realidade mais ampla que essa nossa visão da vida cotidiana trivial e limitada, pois ao deslocar o leitor para essa escala planetária e levá-lo adiante tanto no tempo como no espaço, está se cumprindo o objetivo principal de todo escritor de ficção científica, que é causar esse distanciamento no leitor, juntamente com essa emoção cósmica de se pensar, não mais como indivíduo atarefado e ausente das questões científicas e planetárias, mas como um verdadeiro ser humano, terráqueo e participante dos demais planetas do universo, tenhamos ou não conhecimento da sua existência.

A ilustração sempre foi um recurso editorial para despertar o interesse do leitor, especialmente na ficção científica, a qual, devido às suas possibilidades ilimitadas de concepção de outros mundos ou de futuros inimagináveis, com o uso da gravura se projeta no leitor um pouco do clima mental necessário para que ele “viaje” na história. Dessa forma, no livro TERRASSOL se agregam dois valores artísticos: o literário e o de ilustração. Com isso fazemos uma homenagem ao gênero publicando-o em um formato mais próximo do original o que também o deixa mais acessível aos jovens leitores de hoje. As ilustrações do livro trazem assinatura do arte educador, músico e desenhista Marcelo Galvan
A Atrito Arte publica, pela primeira vez, um livro de ficção científica. E não poderia ter feito melhor escolha, afinal, a literatura londrinense não estaria completa sem ele.

HERMAN SCHMITZ
Natural de Curitiba, vive em Londrina desde 1991. Iniciou a sua carreira artística atuando, dirigindo e escrevendo para teatro. É músico diletante e montou a banda de música e poesia Radicais Livres para divulgar sua produção literária. Trabalhou em busca do dinheiro vil por muitos anos fazendo suporte técnico em informática. Escreve poemas e contos desde muito jovem, entretanto o seu primeiro livro, Os Maracujás, só foi publicado de forma independente em 2007. Mantém o blog de ficção científica literária <marcianoscomonocinema.blog-spot.com.br>.Terrassol é o seu primeiro livro de contos.

LANÇAMENTO
17 de dezembro de 2014, 20h30
Onde: Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Rua João Pessoa, 103-A, Londrina
Valor do livro: R$20,00