A ficção científica no Brasil
Existe uma ficção científica brasileira?
Sua inexistência foi claramente declarada em 1988 num manifesto, publicado em revista de um clube de fãs, Somnium, por Ivan Carlos Regina. Entenda-se, porém, o seguinte: na expressão "ficção científica brasileira", a ênfase de Regina, depois apoiado no mesmo sentido por Roberto de Sousa Causo, está em "brasileira". Isto é, parecia-lhes urgente e necessário o surgimento de uma corrente específica, original, de ficção científica nacional.
Braulio Tavares, ao localizar nos anos anteriores ao final da década de 1930 uma proto-ficção científica brasileira, afirmava que com Jerônimo Monteiro (1908-1970) é que, da década de 1940 em diante, surgiu uma ficção científica que via a si mesma como tal. A qual, portanto, existe.
Minha opinião a respeito é que a ficção científica brasileira existe, talvez desde 1960, quando se deu - mas com base em duas editoras pequenas - alguma autoconsciência e relativa vigência ao gênero entre nós; mas que ela existe apenas, sendo pequeno seu peso específico nas letras nacionais, além de apresentar poucas tendências de continuidade em suas linhas de atuação e em sua própria presença, que flutua muito no tempo, na ausência de uma massa crítica decisiva (do lado dos autores mas também do público e, portanto, das editoras).
As raízes tanto da presença quanto da pequena importância, até agora, da ficção científica como gênero no Brasil foram já bem percebidas, por autores diversos, em certas características do país. A partir da segunda metade da década de 1950, sobretudo, são patentes tanto a forte urbanização quanto uma industrialização e um setor de serviços que contêm alguns elementos altamente sofisticados e em dia com a tecnologia contemporânea (incluindo a da chamada "revolução informacional"; muito pouco ainda, porém, no setor das biotecnologias derivadas do descobrimento do código genético). No entanto, os governos brasileiros, sem excetuar o atual, nunca dispuseram de políticas consistentes de educação, ciência e tecnologia, pelo qual nossa massa crítica nesses terrenos é ainda, no conjunto, muito débil. Em suma, em nossa sociedade brigam entre si tendências contraditórias que ao mesmo tempo favorecem e limitam as possibilidades de surgimento e desenvolvimento da ficção científica como gênero.
É preciso reconhecer, também, que o pouco que há do gênero entre nós se limita quase de todo a textos literários. Recordo vagamente uma série radiofônica que acompanhei quando criança pela Rádio Nacional: Átoman, o homem atômico; pelo que me lembro, e à luz do que hoje sei acerca da história do rádio, era decalque de programas similares norte-americanos, sem um pingo de originalidade. Não ignoro que Jerônimo Monteiro realizou transmissões radiofônicas de obras de ficção científica na década de 1930, mas não disponho de maior informação a respeito. Até onde sei, a TV brasileira se limitou, em matéria de ficção científica, a oferecer enlatados importados dos Estados Unidos. Situação análoga - diferentemente daquela da Argentina, que tem uma interessante tradição própria no setor - caracterizou a história em quadrinhos. Em matéria de cinema, além de um ou outro curta-metragem, só conheço o filme Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr. (1968).
Antes de 1960 enxergo, quando muito, uma proto-ficção científica, mesmo admitindo que Jerônimo Monteiro fosse, já, um autor do gênero: um caso único não muda de verdade o panorama, apesar do entusiasmo e efeito multiplicador que, afinal de contas, só após 1960 aquele escritor de fato teve condições de exercer. Ainda assim, podem-se citar exemplos diversos, que a erudição crítica vem reunindo. Dentre os textos que eu mesmo (tendo nascido em 1942) li quando criança - o que entre outras coisas significa que pude achá-los com facilidade na década de 1950 -, livros pelos quais tenho por isso certo afeto, independentemente de seus eventuais defeitos, citarei: O choque das raças (depois chamado O presidente negro), de Monteiro Lobato (1926); Viagem à aurora do mundo, de Érico Veríssimo (1939); e A cidade perdida, de Jerônimo Monteiro (1948). Minha própria experiência indica, porém, que o universo ficcional acessível a um já ávido leitor de ficção científica tinha por força de consistir, naquela época, quase inteiramente em traduções de romances e contos estrangeiros - que, um pouco mais tarde, eu começaria também a ler no original.
A década de 1960 foi marcada por vários eventos. O mais importante foi a ação de duas editoras pequenas - a GRD de Gumercindo Rocha Dorea e a Edart de Álvaro Malheiros - na animação do gênero no Brasil. Dorea, em especial, além de publicar traduções de prestigiosas obras estrangeiras, atraiu para a GRD conhecidos autores brasileiros de fora do gênero (tais como Dinah Silveira de Queiroz, Rachel de Queiroz e Antônio Olinto, entre outros), encorajando-os a que escrevessem obras de ficção científica, também chamou a si pioneiros do gênero como Jerônimo Monteiro, Fausto Cunha (cuja atuação até então fora principalmente como crítico literário) e Rubens Teixeira Scavone, descobrindo, ainda, novos talentos, André Carneiro em especial.
Em 1969, o tradutor José Sanz organizou no Rio de Janeiro, em conexão com o Festival Internacional de Cinema, o Simpósio de Ficção Científica, que contou com a presença de conhecidos nomes do gênero, como por exemplo Arthur C. Clarke e A. E. van Vogt. Entretanto, a publicação do evento mostrou seu caráter de vitrine brasileira para autores internacionais, sem participação nacional efetiva.
A década viu também sério esforço de Jerônimo Monteiro no sentido de congregar um grupo de fãs de ficção científica, com reuniões em sua própria casa,culminando no ano de sua morte (1970) na criação do efêmero Magazine de Ficção Científica, que chegou a lançar alguns novos nomes, além de publicar contos de membros do que se conhece como "geração GRD".
A década de 1970 foi, no conjunto, de retração, mesmo se autores como Fausto Cunha, André Carneiro e Rubens Scavone continuaram a publicar e outros surgiram, como Gerald C. Izaguirre (de curta carreira no gênero).
Uma retomada se nota na década de 1980, menor talvez em intensidade quando comparada ao boom da década de 1960, mas com características novas e que pareciam promissoras. A revitalização do gênero agora vinha, com efeito, da presença de clubes de fãs com suas próprias publicações caseiras ou semiprofissionais. Entre outras associações, surgiram: em 1982, a Sociedade Astronômica Star Trek, com seu boletim Trek News; em 1983, o Clube de Ficção Científica Antares, no Rio Grande do Sul, que instituiu o prêmio Fausto Cunha e publicava o Boletim Antares; o Clube de Leitores de Ficção Científica, criado em 1985 por C. Roberto Nascimento, com seu órgão Somnium. No conjunto, São Paulo foi - de longe - o centro da maior atividade, sendo interessante uma grande participação do interior do estado. No Rio de Janeiro destacavam-se, desde a década anterior, os esforços de Fausto Cunha e Braulio Tavares.
De alguma importância, embora efêmero (1990-1992), foi o Isaac Asimov Magazine - versão brasileira da conhecida revista -, publicado pela editora Record, que instituiu o concurso Jerônimo Monteiro. Em 1987 Roberto de Sousa Causo lançava, em sua revista artesanal Anuário Brasileiro de Ficção Científica, o Prêmio Nova, desde 1993 vinculado à Sociedade Brasileira de Arte Fantástica.
Uma das novidades do relativo renascimento ocorrido especialmente a partir de meados da década de 1980 foi a diversificação de interesses e, apesar de o movimento partir no princípio de amadores, o desenvolvimento de uma escrita mais segura e conhecedora das regras que o gênero vinha criando há décadas, bem como de suas novas tendências (new wave, cyberpunk).
Gerson Lodi-Ribeiro ressalta que, no Brasil, o público leitor sempre manifestou clara preferência pela ficção científica hard: quanto a isto, paralelamente ao consumo habitual de obras dos Estados Unidos e da Inglaterra, agora surgia também uma produção hard devida a autores brasileiros (Jorge Luiz Calife, Henrique Villibor Flory, o próprio Lodi-Ribeiro). Outros autores se caracterizaram por assuntos ligados a temas históricos ou a temporalidades virtuais (Roberto Causo, Rubens Teixeira Scavone, Ivanir Calado, Henrique Flory - já citado acima pela ficção hard que também produziu). André Carneiro foi comparado por van Vogt a Kafka e a Camus: aparece na ficção científica nacional como um expoente do subgênero soft, com ênfase em temas que têm a ver com o sexo, sendo o autor brasileiro do gênero de maior inserção internacional. Também no subgênero soft é que atua com maior freqüência Roberto Schima.
Minha impressão pessoal é que o impulso iniciado em meados da década de 1985 manteve-se relativamente vigoroso por dez anos, perdendo força a seguir. Se for assim, confirma-se que a presença entre nós da ficção científica entendida como produção nacional é ainda instável e mesmo um tanto errática, pelas razões já indicadas.
A FICÇÃO CIENTÍFICA, IMAGINÁRIO DO SÉCULO XX
Uma introdução ao gênero
Ciro Flamarion Cardoso (c) 1998
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Harry Harrison - ¡Hagan sitio!, ¡hagan sitio! (Make Room! Make Room!) (Novela)
Para ler agora: http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/29916047
Lunes, 9 de agosto de 1999. El siglo está en sus postrimerías. Nueva York posee una población de 35 millones de seres humanos. Viven hacinados en las casas, en los cementerios de coches que en otro tiempo fueron aparcamientos, en los viejos barcos anclados a orillas del Hudson, en los depósitos militares cerrados hace tiempo... y algunos ni siquiera tienen un techo donde guarecerse y viven simplemente en las calles. El petróleo se ha agotado, los vegetales se están agotando, la carne es un artículo de súper lujo, la gente vive a base de galletas y sucedáneos extraídos del mar, el agua está racionada, y cualquier accidente puede romper este precario equilibrio. Y en Nueva York vive el policía Andrew Rusch, cuyo trabajo es investigar los crímenes que se producen diariamente en la ciudad, pero también cargar contra las muchedumbres que simplemente piden comida y agua. Peor en ese miserable mundo, que puede ser el nuestro dentro de muy pocos años, en el que todo escasea excepto la necesidad, ni siquiera la policía tiene efectivos suficientes para llevar a cabo su trabajo.
Harry Harrison Biografía
Harry Harrison Biografía (March 12, 1925 – August 15, 2012):
Nació en Connecticut, (EE.UU.) en 1925. Cursó sus estudios en Nueva York, y tras la Segunda Guerra Mundial ha vivido en varios países, hasta asentarse definitivamente en Irlanda.
Quizá su obra más conocida es ¡HAGAN SITIO! ¡HAGAN SITIO! Trata de los problemas de un mundo superpoblado en un futuro inmediato, donde se nos muestra el Nueva York de 1999. A mediados de la década de los cincuenta la idea de que la población mundial se duplicaría en el ano 2000 se transformó en un pensamiento común y esa idea se convirtió en pánico para muchos. ¡HAGAN SITIO! ¡HAGAN SITIO! es una de las manifestaciones clásicas de ese terror. Harrison agrega a su novela una lista de unas cuarenta sugerencias para una lectura posterior, que no son obras de ficción y abarcan desde Malthus a Vance Packard y J. K. Galbraith.
Fue llevada al cine con el título HASTA QUE EL DESTINO NOS ALCANCE (SOYLENT GREEN, 1973), dirigida por Richard Fleischer y protagonizada por Charlton Heston y Edward G. Robinson. Como es habitual, la película se centró en la anécdota catastrofista y aventurera de la novela, olvidando muchas de las reflexiones y un buen numero de las interesantes tesis de Harrison.
Tanto o más famosa es BILL, HEROE GALACTICO, escrita desde una óptica antimilitarista como parodia de TROPAS DEL ESPACIO de Heinlein, al monstruoso Trantor de Asimov y a los pulp desaforados de los años 30 y 40.
En el mundo anglosajón son también muy conocidas sus series de aventuras espaciales: la de El Mundo Muerto y la de La Rata De Acero Inoxidable.
En la primera, formada por MUNDO MUERTO, MUNDO MUERTO 2 y MUNDO MUERTO 3, el protagonista, Jason Dinalt, debe enfrentarse al planeta Pyrrus, cuya ecología parece conjurada pare eliminar al ser humano. La serie sigue con el mismo protagonista en otros planetas igualmente peligrosos.
La serie de libros sobre La Rata de Acero Inoxidable componen una obra ya clásica de la más desenfadada y amena ciencia-ficción de aventura... El gran éxito popular de la serie, ha hecho que Harrison volviera una y otra vez a ella a lo largo de los años. La serie consta ya de más de media docena de novelas, que han labrado la justa fama de este autor como el gran especialista en un tipo de space opera irónica y humorística, con un cierto gusto por el sarcasmo y el cinismo.
Su primera aparición pública fue en el primer relato de ciencia-ficción que Harrison publicara, en 1957, en la revista Astounding. Con ello Harrison resulta ser un descubrimiento más del mítico editor John W. Campbell, que con ello iniciaba entre ambos una fructífera relación que duraría muchos años.
Las primeras aventuras de Jim di Griz, narradas en los relatos publicados en Astounding entre 1957 y 1960, se reunieron en 1961 en el libro LA RATA DE ACERO INOXIDABLE.
En cierta forma, el aventurero cínico y amoral que compone Jim di Griz, se adelantaba al James Bond cinematográfico. El protagonista de LA RATA DE ACERO INOXIDABLE resulta como el Bond de Connery, un personaje sumamente atractivo pese (o tal vez gracias) a su cinismo y amoralidad. Además, Harrison sabe dotar a sus narraciones del ritmo adecuado y complementar la presencia de su personaje central con todo tipo de gadgets y una abundante parafernalia tecnológica muy conveniente en la mejor literatura de evasión y entretenimiento.
Pese a que Jim di Griz sea anterior al gran éxito cinematografío de James Bond, es licito pensar que fue el éxito de Bond lo que originó la continuidad de esta famosa serie de Harrison. Curiosamente, fue en 1966 tras las primeras cuatro películas de Bond, cuando se reedito en Gran Bretaña esta primera novela de las aventuras de la Rata de Acero Inoxidable. En los restantes libros que continúan la serie, resulta incluso evidente la voluntad irónica de Harrison y su intento de trasladar a la space opera una visión sarcástica del bondismo, de sus aventuras, de sus múltiples gadgets tecnológicos y, evidentemente, de su cinismo y del fingido desapego por todo lo que no sea la propia persona del protagonista v su misión.
La obra más reciente de Harrison es una ambiciosa trilogía que especula sobre como seria el mundo si los dinosaurios hubieran sobrevivido. Se compone de AL OESTE DEL EDEN, INVIERNO EN EDÉN y RETORNO A EDEN. La ambición y brillantez de dicha serie la trace comparable con la de Heliconia de Aldiss o la de El crisol del tiempo de Brunner.
También es destacable que de 1958 a 1966 fue guionista de FLASH GORDON, (creado por Alex Raymond por encargo del King Freatures Sindicate en 1934) que por aquel entonces dibujaba Dan Barry.
El tono de Harrison, aunque no toda su ironía, se encuentra en Dickson y en el mismísimo Heinlein. Las aventuras militares en el espacio narradas con ironía al estilo de BILL, HÉROE GALACTICO resucitan con gran amenidad en la serie Vorkosigan de Lois McMaster Bujold.
Fuentes: Miquel Barceló (CIENCIA-FICCIÓN, GUÍA DE LECTURA) Sebastián Bosch (Introducción a LA RATA DE ACERO INOXIDABLE) David Pringle (CIENCIA-FICCIÓN, LAS 100 MEJORES NOVELAS) René Jeanne y Charles Ford (HISTORIA ILUSTRADA DEL CINE), Isaac Asimov (SOBRE LA CIENCIA-FICCION) y Claude Moliterni (DICCIONARIO DEL COMIC).
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A BATALHA FINAL - Conto de Harry Harrison
A BATALHA FINAL
Conto de Harry Harrison
Chegando a noite, depois de recolher os restos do jantar, não havia nada melhor para nós crianças do que sentarmos ao redor do fogo enquanto Papai nos contava uma história.
Podem dizer que isso é ridículo, ou antiquado, com todos os meios modernos de entretenimento que existem, porém, esqueceria isso se eu sorrir indulgentemente?
Tenho dezoito anos e, de maneiras diversas, já deixei algumas ninhadas para trás. Mas o Papai é um orador e da sua voz ressoa um novo alento que ainda me encanta, e, para ser sincero, isso me fascina. Inclusive se pensamos que ganhamos a guerra, também perdemos muito no processo, e aí fora há um mundo cruel e ingrato. Seguirei sendo jovem o mais que possa.
— Conte-nos sobre a batalha final — era o que diziam as crianças normalmente, e esta é a história que ele, geralmente, contava. É uma história terrível, mesmo sabendo que tudo já acabou, porém não há nada como um bom arrepio de frio na espinha antes de dormir.
Papai tomou uma cerveja, sorveu pausadamente, e logo sacudiu os restos de espuma do bigode com um dedo. Era o sinal que ele iria começar.
— A guerra é o inferno, não esqueçam — disse, e os menores riram entre dentes porque poderiam ter a boca lavada com sabão se repetissem aquela palavra.
— A guerra é o inferno, sempre foi assim, e o único motivo pelo qual os conto esta história é para que nunca há esqueçam. Lutamos a batalha final da última guerra, e grande quantidade de homens bons morreram para chegarmos a vitória, e é isso que eu vou recordar agora. Se eles tiveram alguma razão para morrer, foi para que vocês agora possam viver. E nunca, jamais, terem que lutar em uma novamente.
— Em primeiro lugar, abandonem a ideia de que existe algo nobre ou maravilhoso em uma batalha. Não, não há. É um mito que já está terminando porque se trata, provavelmente, de uma época anterior e pré-histórica, quando a guerra era um simples combate mano a mano, executado na entrada de uma caverna enquanto um homem defendia seu lar de um estranho. Esses dias já se passaram à muito, e o que foi bom para o indivíduo pode significar hoje a morte para a comunidade civilizada. Não é assim?
Os olhos sérios e enormes do Papai se lançaram por sobre todo o círculo de rostos em suspenso, porém nenhum deles enfrentou o seu olhar. Por alguma razão, todos nos sentíamos culpados, mesmo que muitos nem sequer haviam nascido quando houve a guerra.
— Ganhamos a guerra, porém na verdade não é uma vitória se não tirarmos uma lição disso. Os do outro lado poderiam ter descoberto primeiro a Arma Definitiva, e se fosse o caso, teríamos sido nós quem estaríamos agora mortos e desaparecidos, e isso vocês não devem esquecer nunca. O que preservou a nossa cultura e destruiu a deles foi somente um azar histórico. Se esse acidente do destino pode possuir agora qualquer significado para nós, deve ser o de aprender um pouco de humildade com ele. Não somos deuses e nem somos perfeitos... E devemos portanto, abandonar o combate como forma de decidir as diferenças humanas. Eu estive ali e ajudei a matá-los e sei do que falo.
Depois disso vem o momento que todos estão esperando e todos contemos o fôlego, tensos.
— Aqui está — diz Papai, levantando-se e abrindo os braços ao longo de toda a parede. — Esta é, a arma que faz chover a morte à distância, a Arma Definitiva.
Papai brande o arco sobre a sua cabeça, parecendo uma figura bem mais dramática na luz do fogo, sua sombra alarga-se pela cova e sobre a parede. Mesmo a menor das crianças deixa de coçar as suas pulgas por debaixo das peles que os cobrem e espera abobado.
— O homem com a clava, a faca de pedra ou a lança nada pode contra o arco. Ganhamos nossa guerra e devemos usar esta arma somente para a paz, somente para matar o alce e o mamute. Este é o nosso futuro.
Sorri enquanto deposita cuidadosamente o arco de volta ao seu suporte.
A prática de uma guerra é uma coisa demasiado terrível agora. A era da paz eterna está começando.
Fim
Título Original: The Final Battle © 1970
Tradução de Herman Schmitz
domingo, 5 de janeiro de 2014
Infinitum Ciencia Ficción - Contos e Quadrinhos
Leia ou baixe aqui: http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/29694548
Comentarios:
Cuarto volumen de la colección Especial Star Books, con relatos, ilustraciones e historietas de ciencia ficción y fantasía previamente publicadas en la revista STAR. La portadilla interior lleva el título "Antología de relatos y cómics de ciencia ficción". La selección fue realizda por Juan José Fernández y el montaje y diseño por Pilar Rodellar.
Este tebeo, pese a pertenecer a la colección ESPECIAL STAR BOOKS, ha sido algunas veces catalogado como un lanzamiento monográfico aparte, pero no tiene vinculación con los otros títulos Infinitum del mismo sello.
CONTENIDO:
- Cubierta.- Ilustración de Jad.
- Segunda de cubiertas.- Publicidad de "El Comix marginal español", "Tarántula", de Bod Dylan y "Aullido" de Allen Ginsberg.
- Pág. 1.- Portadilla e índice.
- Pág. 2.- Página de créditos.
- Págs. 3 a 6.- "LA HISTORIETA DE CIENCIA FICCIÓN". Artículo a modo de prólogo de Luís Vigil.
- Págs. 7 a 16.- "EL VENENO DEL BRUTO". Historieta de Frank Brunner.
- Págs. 17 a 22.- "BABILONIA DEL ESPACIO". Relato de Edmond Hamilton, traducido por V. de Artadi.
- Págs. 23 a 25.- "EL VISITANTE", historieta de Jim Starlin.
- Págs. 26 a 33.- "CUAN PROFUNDOS SON LOS SURCOS". Relato de Philip Jose Farmer, traducido por B. García Mutiño.
- Pág. 34.- "RICHARD CORBEN". Artículo sin acreditar a modo de introducción de la historieta Rowlf.
- Págs. 35 a 66.- "ROWLF". Historieta de Richard Corben.
- Págs. 67 a 72.- "INFRA DEL DRAGÓN". Relato de Gueorgui Gurevich, traducido por Isabel Vicente.
- Págs. 73 a 79.- "3001. UN MOSQUEO ESPASIAL O LA ILIADA DEL ESPASIO", historieta de Jorge Fernández.
- Págs. 80 a 84.- "EL TRONO ESCARLATA". Relato de Eduard W. Ludurg.
- Págs. 85 a 94.- "EL ENCUENTRO". Historieta con guión de Roldán y dibujos de J. Luís Ferrer.
- Págs. 95 a 96.- "UN AFEITADO PERFECTO". Relato de Eduard Font.
Tercera de cubiertas.- publicidad de "Mosik" y de "Álbum Star", ambos de Producciones Editoriales.
Contracubierta.- Ilustración de Richard Corben y precio del ejemplar (150 ptas)
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Poul Anderson - Os Guardiões do Tempo #Download
Apresentação de Os Guardiões do Tempo
Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas. Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais -, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal. A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.
Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares.
No conto que abre o volume, Anderson nos dá ideia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.
Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.
Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA
Leia On Line aqui: http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/29637565
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