sábado, 30 de novembro de 2013

Domingo Santos - Contatos com Alienígenas

O Dia em que a Terra Parou, dir. de Robert Wise, 1951.

Contatos com Alienígenas

No presente estado de nosso conhecimento do cosmos, muito poucas pessoas duvidam da possibilidade de outros mundos habitados. Embora as sondas espaciais lançadas até hoje dentro do nosso sistema solar tenham matado os velhos sonhos utópicos de encontrar criaturas inteligentes em Marte e Vênus, nossos vizinhos mais próximos, o universo é imensurável.

Estima-se que na nossa galáxia existem centenas de bilhões de estrelas, e o número de outras galáxias é incontável, já que novas estão sendo constantemente descobertas, sem ainda ter atingido o fundo, a pele do nosso universo.

Tem sido demonstrado que muitas das estrelas em nossa galáxia têm planetas em órbita em torno delas. Sabendo que a vida se instala mesmo onde se tem a menor possibilidade de se desenvolver, e aplicando a lei das médias, é fácil deduzir que devem ser centenas, milhares, milhões talvez, de planetas com vida no universo, e vida talvez inteligente...

E você se pergunta: como é que se há tanta vida no cosmos, nós ainda não as descobrimos?

Naturalmente distâncias estelares são enormes, o tempo necessário para atravessar estes grandes abismos é incomensurável, principalmente porque não se sabe onde é que há mais possibilidades.

Como nos tempos antigos, os europeus não tinham conhecimento da existência de outro continente habitado chamado América, e de fato muitos homens viveram e morreram sem nunca saber que existia, além das montanhas de seu vale particular, outros seres experimentando os mesmos desejos que eles; igualmente o homem moderno olha para o céu e se pergunta: onde estarão nossos irmãos estrelares? Mas não obtém respostas.

Ainda.

Porque, assim como houve o tempo em que o homem tomou seu cavalo e cruzou as montanhas, e construiu barcos e navegou em direção a outras praias distantes, também haverá um dia em que, sem dúvida, o homem construirá outras naves para cruzar o espaço e chegar a outros sóis, e descobrir outras humanidades com que se relacionar.

Isto, obviamente, ainda pertence hoje ao reino da utopia. Mas o homem sempre gostou de sonhar, e sua imaginação não conhece limites. Embora nós ainda não saibamos onde nossos irmãos estelares estão, mas podemos imaginar...

Esta é, entre outras coisas, o que faz a ficção científica. Desde os autores antigos: Fontenelle, Voltaire, Cyrano, às últimas conquistas da "space opera", seres alienígenas ocuparam a imaginação de muitos escritores. Às vezes somos nós que chegamos aos seus reinos particulares, às vezes são eles que vêm ao nosso mundo para nos cumprimentar... Ou para invadir. Mas quase sempre, quando ocorre o primeiro contato, há conflito.

O conflito pode ser puramente biológico, ou de comunicação, ou política, e até mesmo violenta. Os alienígenas - palavra já adotada mundialmente como o contrário de indígenas - pode vir de forma pacífica e não ser compreendido pela humanidade, como no famoso filme "O Dia em que a Terra Parou", ou mais frequentemente, veem com ânsias de conquistar, como em "A Guerra dos mundos" de Wells.

De fato, durante os anos cinquenta, no momento do grande esplendor da ficção científica americana, proliferaram em grande abundância os contos, as histórias, os romances, com horríveis invasões alienígenas, sem dúvida, devido à proliferação da psicose da Guerra Fria e o temor de uma invasão comunista.

Posteriormente, o abrandamento das tensões fez com que os extraterrestres vindos ao nosso planeta, fossem mais amáveis, mais sociáveis, não vieram apenas invadir o nosso mundo, mas simplesmente para fazer contato, nos conhecer, e inclusive, de fazer comércio conosco. Os problemas dos contatos alienígenas passaram a ser, de militares a sociais.

Mas o homem também vai, na ficção científica, para outros planetas. Curiosamente, a maioria das histórias de contatos com alienígenas que são desenvolvidas nestes mundos são, com bastante precisão, os padrões que marcaram os espanhóis na sua conquista da América.

O desejo de dominação, assimilação, conquista, são claramente refletida em uma série de histórias que abordam a questão. O terrestre, em geral, é bastante superior aos extraterrestres, e quando vai ao seu planeta, vai como um mestre. Embora, por vezes, saia um pouco tosquiado.

A noção clássica de que se os estrangeiros fossem superiores a nós, já os teríamos aqui, (deixemos o assunto dos OVNIs discretamente à parte) parece nortear essas histórias. Nós vamos, nós vemos e nós vencemos (às vezes).

Os alienígenas são índios cósmicos para serem educados de acordo com os nossos costumes e crenças, em troca dos seus tesouros.

Claro, às vezes surgem surpresas...

Este é o elemento mais interessante em muitos contatos com os alienígenas. A mera aventura não é suficiente. Assim, muitas vezes há um fundo de origem social, político, militar, que é a causa do conflito. Muitas vezes, nas diferenças entre humanos e alienígenas, há uma clara alusão, uma crítica, ao nosso próprio egoísmo, ao nosso antropomorfismo. Nós não estamos sozinhos, não somos os primeiros, nós não somos os reis.

Por que, de todas as demais características, as histórias de encontros com alienígenas nos apresentam uma mensagem comum que o homem deverá necessariamente assimilar na sua carreira no espaço: cuidado, alertam-nos, nós não estamos sozinhos no universo, e é bem provável que não sejamos em absoluto os reis da criação, embora o tenhamos, de modo unilateral, como certo.

Vivemos no subúrbio de uma pequena galáxia perdida em um canto entre muitas outras galáxias. O que nos faz pensar que este é precisamente o centro do cosmos?

A ficção científica, nas suas inúmeras histórias de contatos com alienígenas, instala em nós uma ideia mais clara do nosso lugar autêntico.

Ela nos prepara para eventos futuros. Predispõe-nos a aceitar que podemos ser apenas mais uma das infinitas raças que povoam a criação, nem melhor nem pior do que as demais, talvez apenas diferente. E que, nestes nossos futuros contatos, nós nem sempre estaremos em vantagem. Embora, obviamente, isso é o que nós gostaríamos...


Domingo Santos, na introdução à antologia CONTACTOS CON ALIENÍGENAS, tradução de H. Schmitz, Ediciones Dronte, 1982.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Algis Budrys - ¿Quién? (Livro para #Download).




Mais uma excelente novela de Algis Budrys - ¿Quién?


Para ler basta acessar o link: http://pt.scribd.com/doc/186984354/Algis-Budrys-Quien


Livro adaptado para o cinema por Jack Gold, em 1973 com o mesmo título (em vídeo saiu como The Man in the Steel Mask or Roboman em outras distribuições). Estrelando Elliott Gould como Sean Rogers, Trevor Howard como o Colonel Azarin e Joseph Bova como Lucas Martino.

Mais info no IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0072405/?ref_=nm_flmg_wr_1




domingo, 24 de novembro de 2013

Alfred Bester - Las estrellas, mi destino (Resenha e ePUB)


ALFRED BESTER
Las estrellas, mi destino

El título (The Stars My Destination) es engañoso, ya que no se trata de una novela acerca de un viaje a las estrellas. La acción tiene lugar dentro de nuestro sistema solar, y en gran parte en la Tierra. Sin embargo, se inicia en el espacio, en una nave averiada y a la deriva, en cuyo interior sobrevive un hombre. Es Gulliver Foyle, asistente mecánico de tercera clase, que ha sobrevivido por sus propios medios durante 170 días. Otra nave espacial, el Vorga, ignora las señales luminosas de socorro y pasa junto a él sin detenerse. Ese acto indiferente de inhumanidad galvaniza a Foyle; de "prototipo del hombre común" pasa a convertirse en un apasionado ángel de venganza, decidido a sobrevivir, escapar y cazar a los dueños y a la tripulación del Vorga. Se las arregla para llevar su maltrecha nave al asteroide Sargasso, un depósito de chatarra en órbita habitado por los "únicos salvajes del siglo veinticuatro, descendientes de un equipo de investigación científica, perdidos y abandonados en el cinturón de asteroides dos siglos antes". Esa gente lo recibe con alegría, le tatúan la cara de modo que termina pareciendo una máscara maorí, y luego intentan casarlo con una de las mujeres. Obsesionado por la venganza, Foyle encuentra un cohete que funciona y se va del asteroide, camino a la Tierra.

La colorida cultura que Bester pinta en este libro es aún más extravagante que la que describiera en El hombre demolido. La teleportación por medios mentales ocupa el lugar de la ESP que describió en la primera novela. La capacidad de trasladarse a distancias cortas usando sólo el poder de la mente se cree que fue descubierta por un hombre llamado Jaunte, y de ahí que el acto de teleportación se conozca como jaunting. Es una habilidad que ha de aprenderse, pero que conduce a enormes cambios sociales. "Hubo rebeliones campesinas cuando la gente pobre capaz de practicar la teleportación abandonó los suburbios de las ciudades para instalarse en las llanuras y en los bosques ... Hubo una revolución en los edificios de viviendas y de oficinas, y hubo que construir laberintos y dispositivos de protección para evitar que los edificios fueran ilegalmente ocupados por medio del jaunting. Hubo enfrentamientos, pánico, huelgas y hambrunas a medida que las industrias prejaunting quebraban ... Olas de crímenes barrían los planetas y los satélites a medida que los delincuentes practicaban jaunting por las noches ... Como la sociedad luchaba contra los peligros sexuales y morales del jaunting, hubo un horrible retorno al peor puritanismo victoriano..." Es una buena historia, aunque a veces parece improbable.

Al regresar a la Tierra, Gully Foyle aprende a practicar jaunting. También se familiariza con muchas otras cosas mientras trata de vengarse de Presteign de Presteign, el poderoso propietario de la flota espacial a la que pertenece el Vorga. La escena cambia rápidamente, de la excéntrica mansión de Presteign en Nueva York, habitada por una hermosa hija albina que sólo puede ver la gama del infrarrojo, a una prisión emplazada en inconmensurables cavernas debajo de los Pirineos, y de allí a la "Fábrica de Extravagancias" en Trenton, donde Foyle se hace quitar el tatuaje facial. En cierto momento se enfrenta con un "grupo quejoso de pacientes operados recientemente, hombres pájaros con alas batientes, sirenas que se arrastran como focas, hermafroditas, gigantes, pigmeos, gemelos de dos cabezas, centauros y una esfinge plañidera". La inventiva de Bester es prodigiosa; su maníaca alegría, contagiosa.

La tensión de la historia aumenta con tremenda energía: las acciones pasan con rapidez de la Tierra al espacio exterior y nuevamente a la Tierra; de Canberra a Shanghai, a Roma y una vez más a Nueva York, mientras Foyle persigue a sus enemigos, enfrentando a cada uno de los miembros de la tripulación del Vorga. La trama se hace cada vez más complicada un breve resumen sería imposible y se resuelve finalmente en un espectacular clima sinestésico en el que unas inestables torres de tipografía se desploman a lo largo de las páginas. La Tierra queda casi destruida por el superexplosivo PyrE, pero Foyle logra acabar con la guerra distribuyendo la peligrosa sustancia entre la población, diciendo: "Yo he ventilado a los cuatro vientos el último secreto. A partir de ahora no hay secretos... Yo he devuelto la vida y la muerte a quienes hacen la vida y la muerte". Incluso se convierte en el primer hombre capaz de teleportarse a las estrellas. Resuena aquí una nota de esperanza e idealismo, conclusión apropiada para una de las novelas norteamericanas de cf más justamente celebradas.

DAVID PRINGLE

Ciencia Ficción
Las 100 mejores novelas
Una selección en lengua inglesa, 1949-1984


Download: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Alfred+Bester/Alfred+Bester+-+Las+Estrellas+mi+destino,1910926.epub 

sábado, 23 de novembro de 2013

Robert Silverberg - A Ficção Científica e as Previsões do Futuro



PRÓLOGO de Robert Silverberg para a antologia de contos de Brian W. Aldiss: GALAXIAS COMO GRANOS DE ARENA.

He aquí un libro ingenioso de brillantes relatos que narran acontecimientos que suceden dentro de miles o millones de años. Pero no encontraremos en estas páginas una guía literal del futuro de la humanidad. Lo que se ofrece aquí es un refinado entretenimiento, una suerte de poesía visionaria, sueños sorprendentes que adquieren sustancia por medio del arte. ¿Es un mapa fiable de los mundos del mañana? No, en absoluto, nada de eso. Es imposible crear esos mapas.

"El Tiempo -como un elemento que puede ser sólido, líquido o gaseoso- tiene tres estados", escribe Brian Aldiss en la presentación de este libro. "En el presente es un flujo inasible. En el futuro es una bruma turbia. En el pasado es una sustancia sólida y vidriosa; entonces lo llamamos historia. Entonces no puede mostrarnos nada salvo nuestro rostro solemne"

Exactamente. El presente es un misterio continuo; el pasado es un libro accesible a nuestra lectura, aunque no necesariamente lo sepamos leer; el futuro escapa a nuestra percepción y todo intento de hacer predicciones de largo alcance está condenado de antemano.

¿Qué queda entonces de la popular idea de que esa rama de la literatura imaginativa que llamamos "ciencia ficción" puede brindarnos un atisbo de lo que vendrá? Es una idea falsa. La ciencia ficción tiene muy poco valor predictivo, salvo cuando predice lo obvio. Como dice Brian Aldiss, una "bruma turbia" nos oculta el futuro. Cuando miramos hacia adelante, a lo sumo vemos trazos amplios y generales, y cuanto más nos alejamos del presente, mayor es la divergencia entre nuestras profecías y lo que realmente sucederá. Es una locura creer que alguien pueda ofrecer una anticipación precisa, trátese de un escritor de ciencia ficción, de un dirigente político o de los expertos que comentan los asuntos internacionales en los periódicos. Ya es bastante engorroso hacer una predicción meteorológica para dentro de tres días.

Un claro ejemplo de las limitaciones predictivas de la ciencia ficción: los primeros viajes a la luna. Por lo menos desde el siglo dos de nuestra era, cuando Luciano de Samosata escribió el Icaromenippus, escritores visionarios han narrado historias de viajes lunares. Pero no se requería un gran poder profético para imaginar esos viajes; el intento de abarcar un campo cada vez más amplio es propio de la naturaleza humana, y aun en la época clásica era fácil entender que en determinado momento se llegaría a los confines del mundo y la luna sería el próximo objetivo lógico. Luciano y sus muchos sucesores no se proponían predecir lo predecible. Luciano envió a Manipo a la luna para darle una perspectiva, en el sentido más básico, de las locuras que la humanidad cometía en la tierra: su libro era una obra de intención satírica. Jules Verne, en De la Tierra a la Luna (1869), intentó ofrecer un relato realista de una visita a la Luna, una guía turística potencial, a partir de los conocimientos tecnológicos aceptados en su época; pero sabía que estaba creando una obra de la imaginación, no un croquis para ingenieros futuros. Los primeros hombres en la Luna (1901) de H. G. Wells se presentaba como una encantadora fantasía romántica que, al igual que el Icaromenippus, examinaba irónicamente los absurdos de la humanidad desde una distancia de 383.024 kilómetros. Wells no esperaba que los futuros viajeros del espacio llegaran flotando a la Luna por medio de la antigravedad, ni que descubrieran una sociedad de seres humanoides inteligentes en las cavernas selenitas.

Aunque las narraciones de viajes lunares constituyeron un tópico de la literatura imaginativa durante siglos, ninguna obra de lo que se llama "ciencia ficción" se aproximó siquiera a una descripción atinada de lo que sucedió en 1969. Los viajes siempre se realizaban bajo auspicios privados. ¿Dónde está el relato que hable de un vasto proyecto dirigido por el gobierno, con un coste de miles de millones de dólares y con la participación de cientos de grandes empresas trabajando en colaboración? ¿Quién anticipó los gigantescos centros de control de la Tierra? ¿Quién previó transmisiones en vivo desde la Luna por parte de los primeros exploradores? Y -lo más asombroso- ¿qué relato de ciencia ficción nos cuenta que realizaríamos tres o cuatro alunizajes tripulados y luego abandonaríamos la empresa? (A decir verdad, existe uno: Tendencias de Isaac Asimov, publicado en 1939, ridículamente equivocado en los detalles pero profunda y espléndidamente acertado en la tesis de que el primer vuelo a la Luna sería seguido por una creciente hostilidad popular hacia el concepto de la exploración espacial. El cuento de Asimov es un vívido ejemplo de la notable capacidad de la ciencia ficción para llegar a las verdades futurológicas metafóricas más amplias mientras fracasa rotundamente en la predicción de los detalles específicos.)

Cuando abordamos aquellos libros que están ambientados en un futuro realmente lejano -Primeros y últimos hombres de Olaf Stapledon, La Tierra moribunda de Jack Vance, Invernáculo de Brian Aldiss-, abandonamos totalmente el ámbito de la predicción para entrar en el de la poesía y la metáfora. Esos libros no tienen la menor intención de ser hipótesis especulativas serias, visiones que debamos tomar literalmente; son raudas obras de la imaginación, auténticos vuelos de la fantasía.

Así son los nueve relatos que constituyen Galaxias como granos de arena de Aldiss. Datan del período inicial de la fecunda carrera de este gran escritor. Toda su obra, desde su primera novela, La nave estelar (1958), hasta libros como Invernáculo (196z) y Barbagrís (1964), y la monumental y magistral trilogía de Helliconia de los años 8o, está signada por la imaginación exuberante, el vigor estilístico y una maravillosa y traviesa inventiva en la elaboración conceptual. Hallamos todas esas características en los relatos con los que Aldiss ha urdido sus Galaxias como granos de arena.

El libro se presenta como una crónica de los milenios venideros, y eso es. Pero quienes lo lean como una guía Baedeker del futuro se sentirán defraudados. La deslumbrante colmena de genes, la vasta megalópolis de Nunion, los misterios de la enigmática Yinnisfar, todo ello se debe tomar por lo que es: bellos sueños, elegantes fantasmagorías.

Existe una tribu indígena de los Andes en cuya lengua uno habla del pasado como si lo tuviera "enfrente". Para nosotros resulta un modo extraño de expresar las cosas, hasta que nos detenemos a pensar que, aunque el pasado es accesible hasta cierto punto para nuestra memoria, la totalidad del futuro siempre será un misterio. Y así, aunque podamos recorrer los hechos del pasado como si estuvieran frente a nosotros en una planicie, debemos retroceder a ciegas para internarnos en el ignoto futuro, sin ver claramente todos sus aspectos hasta que estemos en su centro.

Quizá estos indígenas andinos, que miran el pasado mientras retroceden hacia el futuro, hayan dado con la metáfora justa. Ver lo que nos espera dentro de poco es difícil, cuando no imposible; las eras distantes, veladas por una gigantesca montaña de variables incalculables, escapan totalmente a nuestra percepción. Los escritores como Brian Aldiss están obligados a retroceder hacia el futuro como el resto de nosotros. Pero mientras escrutan lúcidamente el pasado obtienen, por medio de la visión periférica o la intuición artística, atisbos de cosas venideras que los demás no podemos ver. Lo que tenemos aquí, pues, es un viaje de la imaginación, una incursión en lo que es inherentemente recóndito, un libro de fábulas desbordantes, bellas, poéticas, visionarias. No es un mapa utilitario de la carretera que se extiende ante nosotros. Apreciémoslo como aquello que el autor quiso que fuera, y que logró tan estupendamente.

ROBERT SILVERBERG
Oakland, California, julio de 1999

Brian W. Aldiss - Sobre a Ficção Científica

Introdução de Brian W. Aldiss para a sua coletânea de contos: Space, Time and Nathaniel.


Con frecuencia la introducción es la mejor parte de un libro, aunque no quiero garantizar que tal suceda en el presente caso. La lectura de introducciones constituye una ocupación por derecho propio; es extraño que nadie haya escrito sobre ella, analizándola e interpretándola «a la luz de los conocimientos actuales». Las introducciones sirven a muchos fines; pueden ser casi tan íntimas como un cenador en un jardín campestre, extenderse en alabanzas de la habilidad mecanográfica femenina, volcarse en agradecimiento a serviciales bibliotecarios, o por el alquiler de sillas de cubierta. O pueden ser también un atisbo más serio entre bastidores, una discusión de fuentes documentales, o un monólogo sobre los métodos empleados. Y, teniendo en cuenta que existen tantas variedades de introducciones como de libros, pueden ser cualquier otra cosa. Esta, por ejemplo, es cualquier otra cosa.

Algunos de los que ya hemos rebasado la treintena recordamos aquellos días en que en las reuniones respetables no se podía mencionar la Fantasía Científica. Ahora se la menciona. A pesar de que seguimos deplorando la existencia de reuniones cuya única recomendación consista en su respetabilidad, justo es reconocer que este cambio resulta agradable, pues nos da la sensación de que teníamos razón desde el principio. O, si no teníamos esa sensación, la menos jubilosa que se experimentaba cuando el fétido intruso que defendíamos conseguía convertirse en alguien y llegar a ser algo.

Este cambio sobrevenido en la consideración que merece la Fantasía Científica, ha provocado acaloradas e interesantes controversias. Han surgido dos corrientes de pensamiento opuesto, cuyos miembros se tiran pros y contras a la cabeza. De entre los rangos de los beligerantes han salido inquietos detractores, como J. B. Priestley, y espléndidos campeones como Edmund Crispin. Entre tanto, semejantes camilleros que corren entre ambos ejércitos, los escritores de Fantasía Científica continúan escribiendo tan debatido género. Y cuando aparecen a la luz publican sus colecciones de cuentos y novelas, lo hacen, muy adecuadamente, sin ir precedidas por algo tan provocador como es una introducción. Pero ahora yo, tirando a un lado mi camilla, me atrevo a embarcarme en una introducción.

«Audaces fortuna jubat» decían los romanos. (A sorte favorece os bravos. Frase de Virgílio, Eneida 10,284)

Después de haberse dicho cosas tan sutiles sobre la cuestión, sólo nos quedan los hechos evidentes, que muy posiblemente han sido pasados por alto. La Fantasía Científica es un campo abonado para la polémica. Vale la pena seguir este atisbo de algo innegable, pues la polémica no sólo prospera debido a la novedad de la Fantasía Científica..., es decir, en tanto cuanto puede hablarse de novedad; sino que continúa prosperando porque si bien la Fantasía Científica constituye al parecer un género, lo cual implica una conformidad a un modelo o tipo establecido, en realidad es un campo demasiado amplio para que pueda acogerse a una u otra categoría. ¡Los corsés del conformismo oprimen por todos lados! Aunque todavía joven y atractiva, la Fantasía Científica se convierte a pasos agigantados en algo capaz de abarcar todos los matices que resume aquello que a veces, con una expresión harto repelente, se denomina literatura «seria» o «gran literatura». Si el terreno es arable y fértil: con buen tiempo, puede plantarse en él lo que sea.

Por esta razón, a pesar de los ataques de los que es objeto, la Fantasía Científica continúa floreciendo. Todos cuantos conocen la Fantasía Científica saben que los ataques que ésta sufre sólo alcanzan un pequeño sector de la misma. Se ha acusado sucesivamente a la Fantasía Científica de ser un ocioso fantasear, simples relatos de máquinas, fundamentalmente anticientíficos, demasiado científico, una imagen demasiado sombría del mundo, una imagen demasiado abigarrada del mundo, una literatura no lo bastante escapista, o un cuento de hadas modernos. ¿Dónde está la verdad? A veces en ninguna de estas cosas; con frecuencia, en todas ellas. En cuanto a la observación de que gran parte del contenido de la Fantasía Científica es «inverosímil», huelga comentario para semejante realismo. Todo, considerándolo fríamente, es inverosímil, de la estrella a la uña. Verosímil e inverosímil son la misma palabra.

Hará cosa de cuatro años, todo parecía indicar que la Fantasía Científica se iba a convertir en el reino de los bestsellers. Por primera vez en la Historia, aparecieron en Inglaterra libros encuadernados en tela que ostentaban simultáneamente los nombres de autores de Fantasía Científica y de editores hasta entonces tenidos por serios. Se inauguró una época de vacas gordas y a todos se nos subió el éxito a la cabeza. Como el número relativamente reducido de autores del género no podía atender todas las demandas, surgieron novelas que ostentaban la etiqueta de «Fantasía Científica» y que habían sido escritas por autores completamente indocumentados en el género. ¡A cuatro centavos por palabra y no hacemos preguntas fue la consigna del día! Mas por desgracia, estas nuevas novelas no cumplían ninguna de las rigurosas leyes del género. Por consiguiente, el público sacó una idea errónea - o, tal vez, peor, nebulosa - de lo que pretendía ofrecerle la escuela auténtica de escritores de Fantasía Científica. Actualmente ha terminado ya la etapa del «todo sirve». Murió por consunción propia. Aquel auge repentino era un arma de doble filo. En muchos aspectos, el período actual es más interesante. (Por ejemplo, vuelve a ser posible leer toda la Fantasía Científica que se publica; si esto es deseable, es algo que depende del gusto de cada uno.) Parece como si este género literario, con alguna que otra excepción, entre las que se cuenta John Wyndham, se dirigiese sólo a satisfacer los gustos de una minoría, como la poesía, el caviar y la travesía navideña del puerto. Como la poesía: tal vez sea éste el mejor símbolo, pues la Fantasía Científica y la poesía tienen mucho de común. Ambas poseen una música insidiosa y sorprendente; ninguna de ellas resulta demasiado fácil de cultivar y de aprehender.

El hecho de que la poesía cuente con tan pocos lectores es materia para las tristes cavilaciones de los poetas; como dice el refrán, «los poetas nacen, no se pagan». En lo que se refiere a la Fantasía Científica, la respuesta es más evidente, aunque también sea aplicable a la poesía. Cada relato de Fantasía Científica exige algo de parte del lector, incluso las tramas baladíes que contiene este libro: una reorientación, un deseo, una aquiescencia a examinar el fragmento de un Xanadu ajeno. Esto no resulta cómodo para todos. Como es natural, las bibliotecas circulantes no se avienen a la idea.

Mi concepto de la Fantasía Científica como una especie de poesía no goza de mucha popularidad, lo reconozco, en algunos círculos de aficionados al género. Pero hasta el momento presente, la navegación interplanetaria, la telepatía y el resto del instrumental que empleamos no pasa de ser un sueño, pero... ¿ha existido jamás un sueño más tentador que el de la astronavegación? Estas cosas ganan más tratadas como símbolos que como hechos reales. Sólo algunos genios como James Blish y Hal Clement tienen suficiente maestría para utilizar la jerga científica de una manera convincente.

Vivimos en una época consciente de sí misma. La Ciencia, que es la investigación del hombre en su medio ambiente y en sí mismo, nos revela de continuo a nosotros mismos, y cuanto más claramente vemos la imagen, más misteriosa nos parece. Existe un algo que llamamos «vida», una llama que, como el fuego olímpico, pasa de antorcha en antorcha y mientras la sostenemos nos permite examinarnos a su luz. Lo menos que podemos decir es que somos fantásticos. Conducimos automóviles, bebemos Horlicks, miramos por el microscopio. ¿Qué haremos mañana? Esta es la pregunta que se hace perpetuamente el escritor de Fantasía Científica; con su súper conciencia de sí mismo, ve cómo el futuro le hace burlonas muecas desde las encrucijadas del tiempo... y él intenta vengarse mirándole a su vez.

Una crítica que suele hacerse a la Fantasía Científica es la de que sus personajes no son reales. Esto es tan cierto y tan imposible de responder como aquellas quejas de que determinada pieza musical no contiene melodías reales. Se trata de un comentario bastante ingenuo, que elude el nudo de la cuestión, pues el verdadero propósito de la Fantasía Científica es otro. Su virtud consiste en presentar al hombre en relación con lo que le rodea: el hombre en otro planeta, el hombre en una época diferente, el hombre frente a la vida extraterrestre, el hombre ante uno de sus propios inventos. Aunque no de una manera absoluta, podemos afirmar que la Fantasía Científica es el único medio de que disponemos para ocuparnos del hombre como parte integrante del universo; en cambio, la novela ordinaria sólo puede representarnos como parte integrante de la sociedad humana. Esta es la justificación del término «Fantasía Científica»... que no es, tal vez, un término tan aborrecido como se ha pretendido que era.

Me doy cuenta de que esto suena de un modo desagradable. Acabo de exponer, desnudos, los esqueletos que todos llevamos con nosotros; de todos modos, la carne que los recubre puede ser muy tentadora. Y la Fantasía Científica, como cualquier adolescente, empieza a poseer un sentido del humor, lo cual es una señal muy saludable. Frederic Brown, William Tenn y John Wyndham (para no alargar la lista) pueden ser considerados como humoristas de primer orden, «Prott», de Margaret St. Clair, es una joya de la tragicomedia; y algunos de los relatos que se incluyen en este volumen pueden considerarse humorísticos. Esto quiere decir que la Fantasía Científica no sólo trata de la dignidad del hombre, sino también de sus indignidades.

Pero los dos ejércitos que antes he citado siguen en pie de guerra: he de correr en busca de mi camilla.

Brian W. Aldiss
Abril de 1956


Titulo original: Space, Time and Nathaniel
Traducción: Antonio Ribera
© 1957 by Brian W. Aldiss
© 1962 E.D.H.A.S.A.
Avenida Infanta Carlota, 129 - Barcelona
Depósito Legal B. 10480-62
Edición digital: Umbriel CD

sexta-feira, 22 de novembro de 2013