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domingo, 26 de maio de 2019

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Super-Herói ao Inverso. Conto de Herman Schmitz #Scifi #CapitãoBarbosa

Arte de Marcelo Galvan

SUPER-HERÓI AO INVERSO


Para Braulio Tavares

A GALÁTICA segue seu curso no espaço sideral. Hoje não transporta mais humanos, entretanto foi construída na antiga Terrassol e por eras vasculha toda a galáxia.

Agora, a velha nave pioneira e que por vezes chegou a ser guerreira, tem uma espécie de repouso nessas expedições científicas e turísticas pelos anéis da Via Láctea e imediações.

Sempre que se chega ao final do braço de Cygnus, se faz questão de levar a nave a um pequeno asteroide chamado de Bizarr, um objeto que circula a grande estrela de Luzir.

Nessa ocasião, se faz questão de volta-la de forma que sua proa se incline sobre o asteroide e o palco-visor do grande salão do Bar Já, o melhor de toda a espaçonave, se abra em close para a estátua equestre do Capitão Barbosa, esculpida na própria rocha de Bizarr.

Faz-se um circo em torno de uma simples escultura, que é a de homem montado sobre uma espécie de cavalo, num gesto de arremesso arrasador sobre o inimigo; as dimensões são muito superiores as do verdadeiro Capitão, e se lá em Nova Terrassol ele já era considerado bem mirrado, agora pareceria quase insignificante ao lado dessa estátua.

Depois dos aplausos com esse deslumbrante espetáculo, começa uma espécie de narrativa que varia muito pouco entre as suas apresentações.

— Da raça que a erigiu pouco sabemos. Sabemos somente que eram de fora da Via Láctea e das suas intenções que eram hostis, pois chegaram numa frota suicida, pilhando e dominando os planetas evoluídos que encontravam pela frente.

O nosso Conselho Galáctico Universal convocou as tropas estrelares dos Doze Mil Sóis para fazerem frente a essas naves inimigas e combaterem numa batalha que parecia de antemão destinada a se arrastar por eras.

Inesperadamente, as tropas foram desbaratadas e o inimigo avançava cada vez mais, já atravessando o centro da galáxia.

Foi então que se descobriu na terceira espiral, uma Nova Terrassol que estava clandestina desde o grande extermínio de toda vida inteligente de Terrassol.

A este povo audacioso e guerreiro, foi pedido auxílio em troca da liberdade.

Numa nova estratégia, foi designada a nave do Bravo Capitão Barbosa fazer frente a essas naves invasoras.

O Capitão Barbosa então, numa manobra que fez história, sobrepujou a nave mãe inimiga. Isso é conhecido de todos, o que não se descreve nos livros históricos é o modo como ele conseguiu esse poder, de fato e na verdade — um superpoder elevado ao inverso do poder.

Foi em sua própria nave que aconteceu a coisa. Na ponte de comando, o Tenente Machado invoca o conselho de guerra da nave para preparar um plano de batalha, o clima é tenso pois o Capitão insinua que a batalha já está perdida. A questão gira em volta da mesa. O Contra Mestre Siqueira Campos acusa o Capitão de estar com medo de perder a guerra. O Tenente Machado atravessa em defesa do capitão. As vozes se alteram.

De súbito, um brilho fosforescente reluz do Capitão. Os oficiais de comando contemplam estarrecidos a figura do seu capitão, rígida e catatônica.

O medo havia paralisado a face do capitão, a ideia da batalha o apavorou tanto que ele começou a inverter o curso dessa espera, criando um recuo diametral entre ele e as naves inimigas. O capitão Barbosa usou o seu próprio medo para afugentar o inimigo!

E foi assim que se iniciou o conhecido recuo diametral infinito, onde o paroxismo do medo levou um dos lados a se mover em direção oposta, criando um efeito diametralmente proporcional, de forma que o capitão incógnito da nave alienígena, recebendo o fluxo do terror do implacável Capitão Barbosa, iniciou por sua vez um recuo diametral na mesma proporção.

Foi então que eles quiseram honrar tal nobre inimigo, com uma reprodução aproximada — pois nunca se encontrariam nessa trajetória inversa — do que seria o tal Bravo Capitão Barbosa.

E essa estátua permanece ali com a face voltada para a escuridão interestelar como que a desafiar esses bárbaros conquistadores a não ousarem mais ultrapassar esse perímetro.

E mal sabem eles que o heroico Capitão Barbosa no fundo não foi mais que o maior de todos os covardes.


***
Herman Schmitz (grafados@gmail.com)

domingo, 30 de dezembro de 2018

O Viajante do Tempo. Herman Schmitz #Download #ViagemNoTempo

O Viajante do Tempo, conto de Herman Schmitz
"Todos nós já assistimos ou ouvimos falar de alguma viagem no tempo realizada por um cientista maluco e um assistente incompetente. Quando o cientista é americano, normalmente ele volta para a época de Lincoln com a intenção de salvá-lo; se é um francês, já quer voltar para conhecer Napoleão; agora, quando é um cientista alemão e um assistente brasileiro, os objetivos certamente serão bem mais 'originais'..."

.....Para abrir é necessário um leitor de Epub......
https://drive.google.com/file/d/14qc47HI2vfVE48ocOF_3J26c7-VxX4bM/view?usp=sharing

terça-feira, 5 de julho de 2016

O Pesadelo - Herman Schmitz (conto curto)

Ilustração de Marcelo Galvan

O Pesadelo
por Herman Schmitz


Uma das primeiras coisas que se aprende numa estação orbital é enfrentar a si mesmo. Isto é, defrontar-se com a solidão que no espaço fica dando voltas em torno a você mesmo.

Aqui na estação orbital que rodeia o satélite Saturno VI, os cinco mil quilômetros do seu diâmetro são percorridos em 134 dias terrestres.

Faltam 82 dias ainda...

Dias... O que são eles? Talvez uma vaga referência, ecos de uma rotina certamente familiar que a nave controla diariamente da Terra. Isso que ela chama de amanhecer ou anoitecer, com aromas de pinheiros e fumaças de carros, é totalmente falso, é inteiramente inútil, como o esplendor e a vastidão desses arcos na escotilha principal – os anéis de Saturno sobre a minha cabeça.

E essa outra visão, então, mais para baixo, Saturno VI, um mundo de metano, etano e propano, etileno e acetileno, dióxido e monóxido de carbono, formando um aerossol gigantesco, um enorme inseticida de nitrogênio e hidrogênio do qual se espera um dia recriar a mesma atmosfera da Terra, já que aqui só falta o calor do sol.

Observar essas coisas é lá com os computadores, que são máquinas instruídas para reagir às ínfimas alterações lá embaixo. A mim compete apenas consagrar todo o meu tempo a desfrutar deste vasto ócio.

São 134 dias, e eu sozinho aqui em Saturno VI. Sem nada o que fazer. Sem nada para fazer. E faltam 82 dias ainda.

Agora passei a perseguir os fantasmas delirantes que arrebatam minha mente: “Que fazer quando de tuas mãos surgem bruscamente dois pequenos olhos, abertos apenas por um breve instante, numa piscadela maliciosa, para sumirem logo em seguida?”

E depois, mesmo com as mãos fechadas e rígidas, elas vão subindo, aplicando ao braço a tensão de uma força inexplicável.

Em seguida, correntes de energia me sacodem e chacoalham, transformando-me numa figura bizarra que gesticula freneticamente pelos salões vazios da estação.

Essa coisa ainda me agarrará na escuridão. Aí será então meu cérebro que saltará como um coelho assustado. E não será só mais uma, serão cinco, uma dezena, talvez centenas ou milhares dessa coisa: atacando, arrasando, arrastando tudo a ruínas.

“Tem alguém aí me ouvindo?”

Nada…

Não tenho como pedir ajuda, a interferência magnética de Saturno impede a comunicação. Só tenho botões roxos e azuis piscando intermitentes.

Lá longe, no solo marciano, o comando da missão sacode a cabeça. Não há nada o que fazer. Nada. Nada. Nada.

É só acordar, vestir qualquer roupa, comer e apertar alguns botões…

É seguro que todos os deuses se enganaram. E a dor então me atinge em cheio. Tenho somente um único desejo, o de trocar esse corpo. Esse eu não o tive nunca. Um corpo novo em qualquer outro lugar, menos aqui em Saturno VI.

Estreito destino esse de corredores intermináveis até um coração que já não mais responde…

Não. Não. Não! Não. Não… não… n…

***

— Quantos dias mesmo o coração desse aí aguentou, doutor Alberto?

— Cinquenta e dois, um dos maiores tempos conseguidos no nosso simulador. Temo que o programa brasileiro da nossa base em Saturno VI atrase bastante, excelência!

— Pois é… É um lugar danado de bão… Veja como todos eles viram poetas. Bom, temos que seguir recrutando, uai.


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Este conto pertence ao livro TERRASSOL (c) 2014
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Leitura performática do conto "O Pesadelo" realizada pelo próprio autor, na noite de sexta feira de 14 de março de 2014, na IV Mostra da Vila Cultural Cemitério de Automóveis, projeto Vilanias, Sarau: Prosa, Poesia & Outras Delícias.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Batendo na Porta Aberta — Herman Schmitz (Conto)

Ilustração de Marcelo Galvan


Batendo Na Porta Aberta

Herman Schmitz



Memorando nº 000278 

Ao Senhor Presidente da comissão de Investigações do Senado

Assunto: possível destruição da nossa realidade por seres alienígenas



Tendo em conta o alarde que hoje se faz na imprensa do nosso país a respeito do estranho sumiço do professor Martins Fontes e da sua máquina dimensional, quero, por meio deste memorando, relatar os fatos que acompanhei na condição de investigador subalterno da Borges & Berger Auditoria – sólida empresa mineira de consultoria e auditoria de projetos que foi contratada, de maneira especial, para acompanhar os assuntos relacionados à reposição de peças na construção da denominada máquina dimensional; projeto de cunho secreto das Forças Armadas Brasileiras, representado nas pessoas do General Morais e do eminente matemático e professor Martins Fontes, criador da máquina e chefe da divisão de engenharia do exército, especialmente criada para construí-la.

Desde os tempos do filósofo grego Pitágoras de Samos que os matemáticos são vistos com desconfiança, mas desta vez as suspeitas se concretizaram.

Logo que me vi na Base Militar de Itapetinga, no interior da Bahia, eu percebi que as coisas não andavam como de costume. Veja bem, contratar uma empresa de auditoria de Belo Horizonte para acompanhar uma construção secreta em outro estado, com peças vindas de São Paulo, envolvendo quilômetros de distância, parece agora intencionalmente malicioso no sentido de dificultar essa mesma auditoria.

Além disso, contei mais de vinte falhas de segurança, tanto no transporte como no armazenamento desse material. (Ver o memorando 000125.)

Outra falha crítica, a meu ver, foi a ausência nessa tarefa de outros matemáticos envolvidos com o projeto ou, pelo menos, de uma equipe de supervisão com conhecimento técnico. O controle direto de um projeto dessa natureza, atribuído ao professor Martins, foi obviamente consequência de algum ardil do próprio professor quando da negociação do projeto.

Custou-me muito tempo saber do que se tratava realmente o projeto. O General Morais me passava as listas de reposição sempre com o cenho franzido, uma espécie de mau humor que dissuadia qualquer tentativa de entendimento. Somente quando tive acesso ao professor Martins Fontes é que a ideia do todo tomou forma.

Segundo a teoria – que o próprio professor fez questão de me demonstrar –, com essa máquina dimensional se poderia transformar qualquer material, inclusive pessoas, alterando suas dimensões espaciais ao ponto de se poder achatar, por assim dizer, à espessura zero qualquer material e depois poder restituí-lo ao formato original.

Lembro claramente do professor comentando as vantagens militares de seu invento:

— Com a máquina dimensional, João Carlos, o Exército Brasileiro vai poder atravessar as fronteiras como se fosse um pelotão impresso numa folha de papel, que deslizará por baixo da porta do inimigo e do outro lado se materializará com todo o seu armamento.

Tendo eu uma natureza pacata e mineiramente tranquila, achei exagerada a conversa tipicamente militar em um ilustre matemático e imediatamente me precavi de que algo se passava.

A cada encontro nosso, a antipatia natural aumentava perante os delírios megalomaníacos a que o professor se entregava. Achava eu, na época, que o professor, de certa maneira, forjava essa personalidade belicosa somente para agradar aos militares que o estavam financiando.

Hoje, quero retificar neste memorando que a trama engendrada pela mente doentia do professor o levou a burlar os militares com esse circo, mas, ao mesmo tempo, estava relacionada às suas descobertas da existência de seres insuspeitos nas regiões unidimensionais do espaço.

Como todos os meus colegas de trabalho nesse ramo de auditoria, não somos muito loquazes, portanto o professor apreciava muito as minhas visitas, pois elas satisfaziam a sede de glória por suas descobertas, que pelo caráter secreto do projeto ele não poderia tornar públicas.

— Os geômetras, João Carlos, existem apenas nas dimensões mais básicas da geometria. Eles são segmentos perfeitos de pontos, destituídos de volumes e de detalhes e veem o nosso universo tridimensional como uma dimensão extra na sua realidade. Desse modo, a nossa relação entre eles é do quadrado elevado ao cubo. Pelos meus cálculos, eles poderiam utilizar esta nossa dimensão como uma dimensão extra e extrair toda a sua necessidade de energia da nossa dimensão. O nosso universo, para esses seres, representa apenas combustível grátis, e se eles nos descobrirem, nos queimarão como lenha e o nosso fim será no fogo do inferno como já predisse Nostradamus.

Na época, me pareceram deduções extravagantes essas, influência do ambiente de alto segredo que rodeia esse tipo de instalação militar.

Não sei precisar quanto o Alto Comando sabia das descobertas do professor. A atitude arrogante do General Morais em relação aos meus trabalhos dificultou em muito as nossas trocas de opiniões sobre o projeto. E quero enfatizar que sempre fui visto com desprezo e como um mal necessário ao desenvolvimento dessa máquina.

Essa atitude tomou uma forma mais polêmica quando enviei o memorando 000180, no qual ressalvo que as peças requisitadas pelo General Morais estavam muito acima do que seria permitido conceder ao projeto. A minha ignorância da engenharia e da matemática do projeto foi utilizada como contra-argumento e o caso foi desconsiderado.

Porém, desde aquela época e ainda hoje – temos as faturas para confirmar –, percebe-se claramente que se estava construindo duas máquinas absolutamente iguais, disfarçadas nos pedidos que se replicavam de quando em quando. Havia sempre o argumento de falhas mecânicas, mas quando investiguei – por minha conta, diga-se de passagem – o destino das peças estragadas, topei com um esquema de reciclagem que aparentemente servia apenas para camuflar o fato de não haver tantas perdas assim. (Ver o memorando 000220.)

Quando se iniciaram os testes com a máquina, a paranoia militar por segurança atingiu o apogeu, dificultando mais uma vez o acesso de pessoas mais responsáveis na avaliação dos primeiros resultados. Novamente o professor iludiu as autoridades, fechando-se no laboratório e realizando pessoalmente as primeiras viagens dimensionais.

A culpa de hoje não podermos reproduzir a máquina criada pelo professor foi desse excesso de segredo, pois agora não possuímos nem mesmo um filme ou sequer uma fotografia da máquina construída. Temos as listas com o material necessário, mas não o esquema de montagem, e, desse jeito, pode ser muito tarde quando se venha a acertar na loteria.

Senhor Presidente, espero que a simples vista dos relatórios reordenados por mim, no anexo 07 do memorando 000277, possa eliminar qualquer dúvida em relação à atitude premeditada do professor para duplicar a sua máquina e transportá-la para outra dimensão – na qual ele se encontra agora –, e depois, numa atitude covarde e egoísta, raptar a sua primeira máquina por meio da porta dimensional, deixando-nos à mercê desses seres que agora poderão nos utilizar como combustível para alimentar as suas caldeiras ou sabe-se lá o que mais.

Deixo aqui, portanto, o meu apelo no sentido de tornar público essa situação, bem como para encorajar outros grandes matemáticos do nosso país a se debruçarem nas teorias dimensionais e tentarem encontrar esses seres – os geômetras –, seja lá onde estejam, para impedir o extermínio total de nossa realidade, pois as portas que nos ligam a eles estão todas abertas.




Atenciosamente,
João Carlos de Oliveira, ex-auditor da Borges & Berger Auditoria

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Conto presente no livro TERRASSOL (c) 2014 de Herman Schmitz.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Marteformação da Terra — Herman Schmitz (Conto Digital Grátis)


Existe atualmente uma grande polêmica entre o livro em papel tradicional e o livro digital.

Quando me refiro ao livro digital, não se trata do livro de papel que foi digitalizado, isto é, copiado como nos tempos do xerox, e sim de um livro publicado para o meio digital.

Na verdade, esses e-books são somente alguns formatos de arquivos codificados de forma a poderem ser lidos em uma grande variedade de leitores, se adaptando, digamos assim, a cada classe de dispositivo de cada leitor, chamados e-readers.

Aqui no Brasil nós temos o formato Kindle que é um formato proprietário da maior livraria digital do planeta a Amazon. Temos também o LEV da Livraria Saraiva licenciado pela Odissey Francesa, e o KOBO da empresa canadense do mesmo nome, distribuído aqui pela Livraria Cultura.

Mas os livros digitais também podem ser lidos nos tablets e smartfones, bem como nos computadores, via instalação de um aplicativo ou a execução de um programa emulador universal.


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Bom, depois de tanto pensar na importância cada vez maior da literatura digital como transmissora do conhecimento e da arte em nossos dias, ousei entrar nesse escorregadio território do texto móvel, do livro flexível e portável, que se adapta como uma luva ao seu leitor eletrônico.

Como cada um pode ler com a sua letra, no tamanho que desejar, alguns aspectos da editoração parecem sumir nesse processo; a escolha de fontes, a hifenização e as quebras de páginas são desnecessárias nessa classe de livros.

Se isso parece facilitar, o mesmo não ocorre com os alinhamentos, a formatação de tabelas, as entrelinhas e a posição dos gráficos. Sem contar nos códigos do XHTML, nas cascatas de CSS e outras mumunhas técnicas que se deve utilizar na preparação e na compilação do arquivo final.

Publicar em e-Book não é uma tarefa fácil, assim como não é fácil editar um livro com qualidade gráfica. Mesmo utilizando-se os arquivos originais com que o livro foi composto na gráfica, não há muita vantagem, no sentido de que a formatação é completamente diferente e será necessário começar tudo praticamente do início.

Mas em compensação o resultado final agrada bastante, quando ele roda no dispositivo e mantém uma estética comparável ao livro de papel, embora seja levemente diferente daquele suporte.


***

O resultado dessa experiência eu passo a compartir agora com vocês.

Selecionei um pequeno conto do livro, chamado A Marteformação da Terra, que foi inicialmente escrito como um recital místico-profético-alienígena e chegou a ser representado com a Banda Radicais Livres em umas três ocasiões se não me engano.

Baixe diretamente do meu DropBox.

O formato mais compatível é a versão em ePUB, a qual roda em quase todos os e-readers e também é a melhor opção para Tablets e PC's.

O link é este: https://www.dropbox.com/s/qa8tbp35oiml6s9/A%20Marteformacao%20da%20Terra%20-%20Herman%20Schmitz.epub?dl=0

Para os leitores no Kindle, o formato é o MOBI, então é só baixar nesse link: https://www.dropbox.com/s/ssw6ncxcq6giza9/A%20Marteformacao%20da%20Terra%20-%20Herman%20Schmitz.mobi?dl=0


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E para quem desejar o livro em papel, pode deixar uma mensagem aqui ou se estiver em Londrina poderá encontrar à venda na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103-A), e também no Sebo Capricho da Rua Mato Grosso, 211.


Abraço a todos

Herman Schmitz. Londrina, 2015.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A ficção científica e o futuro

A ficção científica descreve o futuro não no sentido de fazer adivinhações, entenda o porquê.




A ficção científica e o futuro




Quando ouvimos falar de ficção científica o primeiro que normalmente ocorre é se pensar em algo que acontecerá no futuro.

É inegável que a maioria das histórias de FC são ambientadas no futuro, e a técnica mais comum é a da extrapolação científica de determinados processos atuais. Por exemplo, extrapolando a ideia dos carros com a dos aviões pode-se facilmente imaginar um futuro com carros voadores. Extrapolações com a medicina pode levar a um futuro onde as pessoas seriam quase imortais. Todas as atividades humanas são passíveis dessas predições augurais do futuro, entretanto isso não é ficção científica, mesmo que no início do gênero tenha sido bastante utilizadas essas descrições das “maravilhas do futuro”, hoje a FC já não pretende mais adivinhar o futuro, nem mesmo antecipar um estado da humanidade no sentido mais restrito, mas sim, especular sobre o que poderia acontecer se ocorrerem determinadas condições.

Assim que a característica principal da FC não reside na ambientação futurista, mas no seu caráter especulativo a partir da nossa realidade e das suas possibilidades implícitas.

Desta forma, coexistem os diversos subgêneros da FC que não descrevem o futuro, especialmente a Fantasia com suas histórias ocorridas num passado hipotético e mitológico. Também histórias como ‘A Guerra do Fogo’ de J.-H. Rosny Ainé, narrando um acontecimento entre os grupos humanos anteriores ao uso da linguagem padronizada, é pura ficção científica.

Outra forma de extrapolação histórica é com a Idade Média, de onde há muitos exemplos de uma espécie de futurismo-feudal, um claro retorno dos mitos medievais em um futuro distante. A novela mais emblemática desta situação é ‘Um Canto para Leibowitz’ de Walter Miller Jr., com a história pós-atômica da instituição de um neo-obscurantismo monacal devido ao banimento da ciência e dos cientistas, culpados da hecatombe nuclear que arrasou a terra e trouxe monstruosas mutações, que agora vagam na ignorância supersticiosa, entre as poucas terras não contaminadas do planeta.

Felizmente, a ficção científica não é somente ir em direção ao futuro, tanto que a maior parte das máquinas do tempo mais criativas já inventadas são as que levam os indivíduos ao passado, veja-se a máquina feita de feixes de táquions para ser portadora de mensagens ao passado na novela ‘Timescape’ de Gregory Benford, ou no estilo da série “Patrulha do Tempo” criada por Poul Anderson, ou nos contos de Fritz Leiber agrupados em ‘The Big Time’ todos voltados para a ideia de ir ao passado para corrigir imperfeições da nossa própria época. Veja-se também o subgênero Steampunk, com histórias em um passado meio alternativo, envolvendo técnicas científicas anacrônicas, como a existência de robôs movidos a vapor, por exemplo. (Steam significa vapor em inglês).

Portanto, a ficção científica não pretende adivinhar o futuro, e quando o faz (pois muitas vezes suas extrapolações são realizadas) não é como um fim, mas sim como um meio. Pois a finalidade básica da FC é ampliar a nossa perspectiva temporal para oferecer-nos uma visão mais distanciada e mais livre da nossa realidade em suas contradições intrínsecas.

Bibliografia citada:

J. –H. Rosny Ainé. A guerra do fogo. 1911.

Walter Miller Jr.. Um cântico para Leibowitz. 1960.

Gregory Benford. Timescape. 1980.

Poul Anderson. Guardians of time. 1960.

Fritz Leiber. The big time. 1958.

Paul Di Filippo. Steampunk Trilogy. 1995.


por Herman Schmitz, escritor e divulgador de Ficção Científica.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Terrassol de Herman Schmitz — Juliana Gonçalves (Jornal de Londrina)

Em Terrassol, Herman Schmitz usa a ficção científica para criticar o progresso materialista

Contos em linguagem coloquial resultam em livro lançado pela Atrito Arte





Juliana Gonçalves
jgoncalves@jornaldelondrina.com.br
28/01/2015 00:50



(Crédito: Roberto Custódio/JL)


Uma civilização dizimada pelo mau uso de seus recursos naturais e dominada por alienígenas. Parece sinopse de filme, mas essa é a proposta de Terrassol, o livro de contos lançado em Londrina pelo escritor Herman Schmitz. Por meio da fantasia e da ironia, o autor faz uma importante crítica ambientalista e provoca a reflexão sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da humanidade.

Publicado pela Atrito Arte, com ilustrações de Marcelo Galvan Leite, Terrassol é um livro infanto-juvenil que, garante o autor, também é atraente ao público que se interessa por textos irônicos e bem humorados. “Quem gosta de histórias em quadrinhos, por exemplo, certamente vai gostar”, avisa Schmitz.

A obra reúne 25 contos das diferentes linhas da ficção científica, abordando diferentes ciências, como ecologia, biologia, psicologia, realidade virtual, clonagem, física, neurologia, entre outras. Os contos levam em consideração a precisão científica com relação às leis e as teorias, o que faz com que a obra tenha também certo caráter didático e de divulgação científica.

Alguns deles têm um estilo mais retrô, outros seguem uma linha mais surrealista e outros se espelham na ficção científica dos anos 1940, utilizando da ironia para tratar de fatos atuais. Em tempos de estações invertidas e escassez de água, o enredo não poderia ser mais atual.

“Tem duas histórias no livro que falam da manipulação do clima e da poluição do planeta Terrassol, como é chamado pelos alienígenas. A destruição teria sido causada pelos terráqueos, que acabaram com a atmosfera do planeta”, antecipa o autor. Os contos podem ser lidos separadamente, mas só no último a reunião dos textos fará sentido para o leitor.

O texto, segundo o próprio autor, tem influências do rádio, segmento que já foi explorado por ele. “É um texto rápido e coloquial, resultado do trabalho de locução e declamação de poesias. Alguns, se lidos em voz alta, ficam mais expressivos”, sugere.

Gênero restrito

Originalmente, os contos foram escritos em forma de poemas, mas a restrição da literatura brasileira com relação ao gênero fez com que o autor adaptasse as obras. “Os contos de ficção científica já são raros no Brasil. Poesia, então, é ainda mais difícil”, justificou. “As histórias dos contos de ficção científica são boas, mas as pessoas não têm referência e isso faz com que esse gênero da literatura seja bastante discreto por aqui”, acrescenta.

Numa tentativa de disseminar o gênero, Schmitz mantem o blog marcianoscomonocinema.blogspot.com.br, onde posta textos seus e de outros autores que se dedicam aos contos de ficção científica.

“Minha formação na ficção científica se deu através de livros portugueses e espanhóis porque não há nem traduções aqui no Brasil. Quem quer conhecer o gênero, tem que ler em outros idiomas”, explica.

Serviço:
Terrassol – Livro de contos de Herman Schmitz. Editora Atrito Arte. À venda pelo e-mail da editora atritoart@gmail.com ou no e-mail do autor hermanschmitz@ig.com.br (a R$20) e no Sebo Capricho (Londrina na R. Mato Grosso, 211, a R$25).

Relação com o gênero é antiga
Terrassol é o segundo livro publicado por Schmitz. Sua primeira obra, Os Maracujás, lançado em 2007, é uma coletânea de poesias filosóficas. Mas já é antiga a proximidade da ficção científica com o trabalho desse curitibano radicado em Londrina há mais de 20 anos.

“Ainda lá em Curitiba, nos anos 80, eu escrevi uma peça, que depois foi até apresentada no Filo, que se chamava Avantpirada, cuja temática era a visita de uma nave alienígena à capital”, lembra.

Além do teatro e da literatura, Schmitz também já se dedicou à música. A banda Radicais Livres foi criada, segundo ele, para divulgar suas produções literárias.

“Com a música, a gente fazia a leitura de poesias que foram publicados n’Os maracujás”, conta. Atualmente, além de escrever novos contos de ficção científica, Schmitz está concluindo uma peça de teatro que trata da tecnofobia. “É um esquete de um ato e será meu próximo livro. Fala de pessoas que têm paranoia por causa do excesso de tecnologia”, antecipa.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

TERRASSOL — Lançamento em Londrina 17-12-14

Convite


   Convido a todos os que estiverem na cidade de Londrina-PR no dia 17, uma quarta-feira de dezembro as 20:30, para o lançamento do meu primeiro livro de contos de ficção científica Terrassol.  

   A coletânea de contos TERRASSOL é diversão garantida para todos os públicos, não apenas para os apreciadores de ficção científica. Mas, como em toda obra maior desse gênero, não deixa de instigar sérios questionamentos sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da sociedade e do indivíduo. Montada no formato de um longo dossiê alienígena com o que restou das lendas, das crônicas, dos documentos oficiais e dos escritos poéticos da única espécie dita inteligente de Terrassol. 
Os contos são narrados com bom humor e com precisão científica em quanto às leis e as teorias vigentes, ampliando com isso o seu escopo, pois a obra passa a ter também um caráter didático e de divulgação científica. 
   Nestes vinte e cinco contos de Terrassol, estão presentes diversas ciências: a realidade virtual, a ecologia, a psicologia, a engenharia genética, a clonagem, neurologia, a nanotecnologia, a botânica, além de outras abordagens como a mitologia, a ufologia ou a psicanálise Jungiana. Todas relacionadas de um modo ou de outro, no sentido de procurar mostrar uma realidade mais ampla que essa nossa visão da vida cotidiana trivial e limitada, pois ao deslocar o leitor para essa escala planetária e levá-lo adiante tanto no tempo como no espaço, está se cumprindo o objetivo principal de todo escritor de ficção científica, que é causar esse distanciamento no leitor, juntamente com essa emoção cósmica de se pensar, não mais como indivíduo atarefado e ausente das questões científicas e planetárias, mas como um verdadeiro ser humano, terráqueo e participante dos demais planetas do universo, tenhamos ou não conhecimento da sua existência.
   A ilustração sempre foi um recurso editorial para despertar o interesse do leitor, especialmente na ficção científica, a qual, devido às suas possibilidades ilimitadas de concepção de outros mundos ou de futuros inimagináveis, com o uso da gravura se projeta no leitor um pouco do clima mental necessário para que ele “viaje” na história. Dessa forma, no livro TERRASSOL se agregam dois valores artísticos: o literário e o de ilustração. Com isso fazemos uma homenagem ao gênero publicando-o em um formato mais próximo do original o que também o deixa mais acessível aos jovens leitores de hoje. As ilustrações do livro trazem assinatura do arte educador, músico e desenhista Marcelo Galvan
   A Atrito Arte publica, pela primeira vez, um livro de ficção científica. E não poderia ter feito melhor escolha, afinal, a literatura londrinense não estaria completa sem ele.

Christine Vianna — Editora

Confira o mapa aqui: https://goo.gl/maps/NpJ2l

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Herman Schmitz convida para o lançamento de TERRASSOL


ATRITO ARTE orgulhosamente convida para o lançamento
de TERRASSOL de HERMAN SCHMITZ
17 de dezembro de 2014, 20h30
Na Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Rua João Pessoa, 103-A

A coletânea de contos TERRASSOL é diversão garantida para todos os públicos, não apenas para os apreciadores de ficção científica. Mas, como em toda obra maior desse gênero, não deixa de instigar sérios questionamentos sobre os caminhos da ciência, o progresso materialista e o futuro da sociedade e do indivíduo. Montada no formato de um longo dossiê alienígena com o que restou das lendas, das crônicas, dos documentos oficiais e dos escritos poéticos da única espécie dita inteligente de Terrassol.
Os contos são narrados com bom humor e com precisão científica em quanto às leis e as teorias vigentes, ampliando com isso o seu escopo, pois a obra passa a ter também um caráter didático e de divulgação científica.

Nestes vinte e cinco contos de Terrassol, estão presentes diversas ciências, começando pela realidade virtual, a ecologia, a biologia, a sociologia, a psicologia, a engenharia genética, a clonagem, a meteorologia, a física, a antropologia, a neurologia, a nanotecnologia, a botânica, além de outras abordagens como a mitologia, a ufologia ou a psicanálise Jungiana. Todas relacionadas de um modo ou de outro, no sentido de procurar mostrar uma realidade mais ampla que essa nossa visão da vida cotidiana trivial e limitada, pois ao deslocar o leitor para essa escala planetária e levá-lo adiante tanto no tempo como no espaço, está se cumprindo o objetivo principal de todo escritor de ficção científica, que é causar esse distanciamento no leitor, juntamente com essa emoção cósmica de se pensar, não mais como indivíduo atarefado e ausente das questões científicas e planetárias, mas como um verdadeiro ser humano, terráqueo e participante dos demais planetas do universo, tenhamos ou não conhecimento da sua existência.

A ilustração sempre foi um recurso editorial para despertar o interesse do leitor, especialmente na ficção científica, a qual, devido às suas possibilidades ilimitadas de concepção de outros mundos ou de futuros inimagináveis, com o uso da gravura se projeta no leitor um pouco do clima mental necessário para que ele “viaje” na história. Dessa forma, no livro TERRASSOL se agregam dois valores artísticos: o literário e o de ilustração. Com isso fazemos uma homenagem ao gênero publicando-o em um formato mais próximo do original o que também o deixa mais acessível aos jovens leitores de hoje. As ilustrações do livro trazem assinatura do arte educador, músico e desenhista Marcelo Galvan
A Atrito Arte publica, pela primeira vez, um livro de ficção científica. E não poderia ter feito melhor escolha, afinal, a literatura londrinense não estaria completa sem ele.

HERMAN SCHMITZ
Natural de Curitiba, vive em Londrina desde 1991. Iniciou a sua carreira artística atuando, dirigindo e escrevendo para teatro. É músico diletante e montou a banda de música e poesia Radicais Livres para divulgar sua produção literária. Trabalhou em busca do dinheiro vil por muitos anos fazendo suporte técnico em informática. Escreve poemas e contos desde muito jovem, entretanto o seu primeiro livro, Os Maracujás, só foi publicado de forma independente em 2007. Mantém o blog de ficção científica literária <marcianoscomonocinema.blog-spot.com.br>.Terrassol é o seu primeiro livro de contos.

LANÇAMENTO
17 de dezembro de 2014, 20h30
Onde: Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Rua João Pessoa, 103-A, Londrina
Valor do livro: R$20,00

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Viagem à DUNA — Oficina de Ficção Científica (Divulgação)

Aviso a todos, que estão abertas as inscrições para a minha oficina Viagem à DUNA: o filme, o livro, os seriados, as maquetes, as cenas, os quadrinhos, os desenhos, as ilustrações, os livros para colorir, os games, os brinquedos, o marketing, a enciclopédia e o legado na mídia, estarão presentes e serão postos a debates.

Viagem à Duna acontecerá na próxima sexta feira, as 8 horas da manhã, na Vila Cemitério de Automóveis.

As oficinas tem vagas limitadas. As reservas se darão por ordem de inscrição. Pelo telefone 3351 4171 ou e-mail festivalliterariodelondrina@bol.com.br

Enviar como Assunto: Inscrição Viagem à Duna
Nome completo:
E-mail:
Telefone:
Em seguida, mandaremos um e-mail confirmando.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Viagem à DUNA — Oficina do Festival Literário de Londrina 2014

Oficina: VIAGEM à DUNA

Dia do Embarque: Sexta feira, 5 de setembro
Hora: 8 da matina
Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis

Dando continuidade ao projeto "OUTROS MUNDOS" iniciado por Herman Schmitz no LONDRIX — Festival Literário de Londrina de 2007, com o propósito de divulgar a literatura de ficção científica, trás agora uma viagem ao planeta Arrakis, mais conhecido como DUNA.

Mergulhe no universo apaixonante e delirante da série DUNA, uma criação magistral do escritor americano Frank Herbert e continuada pelo seu filho Brian Herbert e Kevin J. Anderson, que é sem dúvida, o mais completo esforço imaginativo em conceber um cenário complexo de relações políticas, religiosas, ecológicas, tecnológicas e pessoais, de forma dramática e emocionante num tempo situado a 24.600 anos do nosso futuro.

Iniciaremos com a exibição do filme DUNA dirigido por David Linch, depois uma pequena leitura de alguns textos do livro e apresentação de conteúdo multimídia relacionado com a obra e por fim a abertura dos debates entre os participantes.

Ministrante: Herman Schmitz
carga horária: 4h
dia 05/09 às 8h

Público Alvo: a partir de 14 anos
Inscrições limitadas

GRATUITA

ATENÇÃO:

As oficinas tem vagas limitadas. As reservas se darão por ordem de inscrição. Pelo telefone 3351 4171 ou email festivalliterariodelondrina@bol.com.br

Enviar como Assunto: Inscrição (Título da Oficina)
Com os seguintes dados:

Nome completo
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Telefone

Em seguida, mandaremos um email confirmando.

sábado, 12 de abril de 2014

SOBRE O TERMO FICÇÃO CIENTÍFICA


SOBRE O TERMO FICÇÃO CIENTÍFICA

O início do século XIX foi marcado pela revolução tecnológica que gerou os meios massivos de comunicação, principalmente as formas impressas de uma arte popular que não se julgava por nenhuma academia, mas sim pelo puro gosto do público e dessa forma, as correntes literárias migraram para esse novo meio, a arte comercial, baseadas simplesmente no gosto do público consumidor.

O ponto principal dessa combinação entre arte e diversão surgiu nos Estados Unidos logo após a primeira guerra mundial, onde o poderio gráfico americano trouxe a luz uma infinidade de títulos e revistas especializadas em novelas e contos de temática específica, foi onde surgiram as história de cowboys, de selva, policiais, de mistério, de terror, de guerra, para adultos, para moças e tantas outras.

Dentre esses temas que caiam no gosto popular, ouve a iniciativa americana de imitar a novela científica europeia, que na época era chamada de histórias diferentes, feita por autores de sucesso como Julio Verne, H.G.Wells e Conan Doyle, e que foi efetivada comercialmente em 1926 com a revista Amazing Stories (Histórias surpreendentes) editada por Hugo Gernsback que batizou o novo gênero comercial-literário de "Scientifiction" e logo no segundo numero já se passou a utilizar a forma atual de "Science Fiction", de onde os primeiros tradutores brasileiros traduziram literalmente para FICÇÃO CIENTÍFICA.

Há que se aclarar um pouco essa definição. A palavra Ficção é utilizada nos países anglosaxões num contexto mais amplo e tem o sentido coloquial de diferenciar os livros de autoria (poesia, romançe, contos, etc) dos livros chamados "non fiction" que englobam além dos livros técnicos, todos os outros (livros escolares, livros de receitas, biografias, etc), definição que no Brasil tem uma forma popular de "livro sério" e não sério (novela, romance, contos, humor, diversão e outros).

Seguindo esse raciocínio, as histórias que se tinha em mente, eram coisas ligadas aos cientistas ou as invenções científicas e nesse cenário se propunham agradar a leitores que tivessem interesse nessas coisas, e isso levou naturalmente o mercado a optar por comprar somente histórias voltadas ao público juvenil ou universitário, gerando assim um foco maior nas histórias de espaço e de catástrofes, que sempre eram acompanhadas por capas chamativas, mostrando garotas e destemidos astronautas lutando contra monstros ou máquinas gigantescas. Essa insistência no roteiro fácil e centrado somente na aventura externa baixou em muito a qualidade literária dessas obras, de forma que até os anos cinquenta este formato de literatura, que hoje se chama pult fiction, era um fenômeno tipicamente americano e pouco traduzido.

Ao redor de 1950-55, uma ficção científica com um pouco mais de qualidade foi chegando à Europa, sendo assim necessária uma tradução deste termo fora do inglês.

A França foi favorecida pois a grafia é a mesma "Science-fiction", modelo que os países de língua espanhola adotaram mudando somente a grafia para "Ciencia Ficción", na Itália se adotou o termo "Fantascienza", e assim aumentou a confusão quanto ao sentido exato do termo, e que segundo alguns críticos, o formato brasileiro de "Ficção Científica" talvez seja o que melhor defina o gênero enquanto multiplicidade de estilos e tendências.
Hoje fica muito difícil tentar abranger com um só rótulo um gênero tão fecundo, mas de todas as formas, aparece de quando em quando uma nova tentativa de designar o gênero e isso parece ser uma maneira no sentido de contornar um certo preconceito que tem o gênero no mundo acadêmico e intelectual em geral. 

Jacques Sternberg traduz esse preconceito com uma reclamação de que o francês culto sempre se desculpa dizendo que "a ficção científica é besteira, mas que Ray Bradbury é muito bom". Seja Bradbury ou outro, se refere a um único autor que a pessoa chegou a ler de fato. O que demonstra que há uma nuvem de desconfiança sobre o gênero.

Muitas pessoas identificam a Ficção Científica apenas como histórias envolvendo marcianos e viagens espaciais, isso é uma generalização, em parte provocada pela indústria cinematográfica, responsável pela divulgação dos filmes e do uso intenso em cartazes e vinhetas. Hoje a mídia adotou o termo Sci-fi para se referir ao gênero, mas ainda é pouco utilizado.

O velho termo "novela de antecipação" foi criado na época de Julio Verne e até hoje é utilizada por certos críticos europeus mas é insuficiente para descrever o gênero visto que o mesmo não se refere somente a imaginar como as coisas serão no futuro, por exemplo: uma história sobre alguém que vai parar na Galileia na época de Cristo será uma história de ficção científica e no passado.

Outros termos curiosos em busca de serem os eleitos são: ciência novelada, literatura conjectural, literatura diferente, ciência fantasia, fantasia especulativa entre outros.

Fontes:
CARDOSO, Ciro Flamarion, A Ficcao Científica, Imaginário do Século XX, Uma Introdução ao Gênero, 1998.

MONT’ALVÃO JÚNIOR, Arnaldo Pinheiro, As Definições De Ficção Científica Da Crítica Brasileira Contemporânea, ESTUDOS LINGUÍSTICOS, São Paulo, 38 (3): 381-393, set.-dez. 2009.

Herman Schmitz

segunda-feira, 31 de março de 2014

Temas da Ficção Científica: VIAGENS ESPACIAIS EM NAVES INTERPLANETÁRIAS E INTERESTELARES


Temas da Ficção Científica: VIAGENS ESPACIAIS EM NAVES INTERPLANETÁRIAS E INTERESTELARES

O tema das viagens humanas pelo espaço é, de longe, a temática mais explorada na literatura de Ficção Científica, e de certa forma está presente como fundo em todas as histórias que acontecem no espaço. Muitas dessas naves estão baseadas em nossa tecnologia atual da exploração da lua ou de marte, outras possuem um ecossistema próprio onde a humanidade vive centenas e centenas de gerações em uma viagem contínua pelo espaço, outras andam mais rápidas que a velocidade da luz, outras viajam por túneis "buracos de minhoca", outras controlam o espaço-tempo, ou viajam pelo hiperespaço, ou usam combustível gravitacional, ou de táquions, mas todas elas foram escritas por autores que acreditam serem as viagens espaciais a premissa básica na estrada humana para o futuro.

No início das histórias de ficção científica, as naves espaciais funcionavam mais como um recurso narrativo impulsionado apenas pela tinta dos escritores, do que como veículos de fato, pois ainda não havia a preocupação com os aspectos de engenharia ou de propulsão envolvidos na funcionalidade desses aparelhos, de modo que as naves espaciais viajavam somente com a credibilidade do leitor. Foi com a novela Rocket Ship Galileo (1947) de Robert Heinlein e também com Prelude to Space (1951) de Arthur C. Clarke que começou a se descrever as limitação do ser humano em relação à conquista do espaço.

Essa situação veio a mudar na década de 1960, depois que o público acompanhou uma viagem verdadeira e um pouso real do homem na lua, passou a exigir também nas histórias maneiras mais verossímeis nas formas de se sustentar a vida no espaço, como a gravidade artificial e a reciclagem de oxigênio.  Portanto as histórias necessitaram de um outro contexto e de uma exploração do espaço mais profundo, para continuarem a ser ficção científica. Outro importante fator nessa mudança de paradigma foi o sucesso estrondoso do filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), que exemplificou de maneira perfeita o uso da tecnologia e da forma monótona como as coisas sucedem em uma viagem espacial verdadeira.

Acontece que depois de alguns cálculos básicos de astronomia, se percebe que as viagens espaciais em naves baseadas na nossa tecnologia, seriam longas demais e tediosas demais para o público suportar. E para complicar ainda mais, houve uma popularização das implicações espaciais advindas da teoria geral de relatividade de Einstein, que limitavam claramente a velocidade máxima de uma nave à velocidade da luz, o que ainda é pouco nas distâncias cosmológicas, então haveria que se encontrar outras maneiras da humanidade viajar para as estrelas.

Uma das formas para contornar o problema, foram as chamadas "naves gerações" (Generation Ships), que seriam naves imensas, ambientadas com a mesma biosfera da Terra, por onde viajariam famílias inteiras e uma tripulação, com tudo o necessário para viverem, gerarem sucessivas linhagens, até se estabelecer em algum planeta como uma colônia terrestre.  Este conceito já existia na ficção científica anterior aos anos 70, onde foi tratado extensamente nas novelas: Orphans of the Sky de Robert Heinlein (1963) e Non-Stop do inglês Brian Aldiss (1958); (no formato de conto a primeira aparição deste conceito é em uma estória de 1940 "The Voyage That Lasted 600 Years" de Don Wilcox). Depois dos anos 70 a ideia disseminou entre o público, especialmente com a série de TV Starlost desenvolvida por Harlan Ellison (1973); o romance Encontro com Rama de Arthur C. Clarke (1973), onde Rama é uma espaçonave desse tipo vazia e envolta em mistério; Gene Wolfe tem uma tetralogia com várias gerações intitulada The Book of the Long Sun (1993); e no formato de quadrinho, é claro, a inesquecível Druuna, série criada por Paolo Eleuteri Serpieri e lançada originalmente em quadrinhos na revista Heavy Metal.

Também foram sugeridas outras formas engenhosas de se atravessar o vazio. Em Tau Zero (1970), Poul Anderson descreve como uma nave espacial pode agarrar-se a um asteroide e usá-lo como propulsão em sua longa jornada.

Mais recentemente, no entanto, os autores passaram e se basear na física quântica para encontrar a teoria necessária para movimentarem as suas naves pelo espaço, de uma maneira rápida, eficiente e sem esses cálculos complicados e os paradoxos que envolvem o uso de velocidades próximas à da luz.

Um deles é o uso dos "buracos de minhoca" (wormhole) que são uma característica somente hipotética de que haveria certos túneis no universo, normalmente no chamado horizonte de evento de um buraco negro, por onde uma dessas naves quânticas poderia viajar distâncias incríveis em questões de segundos. Há muitas variantes dessa ideia, mas a principal é o hiperespaço, conceito muito difundido por Isaac Asimov principalmente em sua série Fundação; mas também se assemelham aos "portais" e às "dobras espaciais". Em muitos deles se pode também viajar no tempo como em uma estrada qualquer.

Não são todos os autores que concordam em quebrar propositalmente as leis de Einstein relativas ao espaço, Alastair Reynolds, por exemplo, em seu Revelation Space (2000), afirma que as leis de Einstein não podem ser quebradas e que as viagens espaciais estarão sujeitas às regras da relatividade para todo o sempre. 

Seja qual for o caso, parece que durante o tempo em que existir a ficção científica, seus personagens estarão viajando pelo espaço, encontrando todo o tipo de fenômenos estranhos e bizarros e conhecerão diferentes variedades de formas de vida alienígenas. Por isso a ficção científica tem existido desde que a humanidade desejou ir para o espaço. Na ficção científica ela pode fazer essa viagem e este é um dos aspectos mais sedutores do gênero, pois ele prevê, de alguma forma, como seria a humanidade entre as estrelas.

E sobre essas espaçonaves cada vez mais sofisticadas, rápidas e aconchegantes, parece cada vez mais possível que os cientistas acabem por começar a olhar para ficção científica como um provedor de noções e ideias que possam auxiliar no desenvolvimento futuro das nossas naves espaciais.

Herman Schmitz

Bibliografia básica:

Cyrano de Bergerac - L'autre monde (1650)
Edgar Allan Poe - The Unparalleled Adventure of One Hans Pfaall (1835)
Jules Verne - De la terre à la lune (1865)
H. G. Wells - The First Men in the Moon (1901)
E. E. Smith - The Skylark of Space (1928)
Lester del Rey - Habit (1939)
Robert Heinlein - Space Cadet (1948)
Robert Heinlein - The Man Who Sold The Moon (1950)
Clifford Simak - Spacebred Generations (1953)
L. Ron Hubbard - Return to Tomorrow (1954)
Cordwainer Smith - The Game of Rat and Dragon (1955)
Thomas N. Scortia - Sea Change (1956)
Robert A. Heinlein Citizen of the Galaxy (1957)
Walter M. Miller - The Lineman (1957)
Edmund Cooper - Seed of Light (1959)
Murray Leinster - The Corianis Disaster (1960)
Anne McCaffrey - The Ship Who Sang (1961)
Leigh Brackett - Alpha Centauri - or Die! (1963)
Alexei Panshin - Rite of Passage (1963)
John W. MacVey - Journey to Alpha Centauri (1965)
James White - The Dream Millennium (1974)
Harry Harrison - Skyfall (1976)
Gordon R. Dickson - The Far Call (1978)
J. G. Ballard - The Man Who Walked on the Moon (1985)
Stephen Baxter - Voyage (1996)
Jack Williamson - The Black Sun (1997)
Ursula K. Le Guin - Paradises Lost (2002)

REFERÊNCIAS

MANN, George, ed. The Mammoth Encyclopedia of Science Fiction. Carroll & Graf Publishers, 2001.

D'AMMASSA, Don, Encyclopedia of Science Fiction, Facts On File, Inc, 2005.

STABLEFORD, Brian, Science Fact and Science Fiction an encyclopedia, Routledge, 2006. 

Wikipédia.org

sábado, 15 de março de 2014

Herman Schmitz - O Pesadelo — Leitura Performática


Herman Schmitz apresenta uma história de Terrassol: O Pesadelo

Veremos a seguir uma das histórias do livro Terrassol do poeta e escritor Herman Schmitz, natural de Curitiba, mas que reside em Londrina há mais de 26 anos.

Herman lê ficção científica desde os 10 anos de idade e já produziu por diversas vezes obras neste gênero, como poemas, peças para teatro e contos; também ministrou oficinas como “Outros Mundos” no Festival Literário de Londrina — O LONDRIX de 2007 e hoje mantém o Blog Marcianos como no cinema.blogspot pelo qual divulga autores nacionais e estrangeiros relacionados com a ficção científica.

Sua mais recente produção no gênero é o livro de contos ainda inédito, intitulado TERRASSOL, do qual assistiremos um pequeno fragmento, e que começou a ser escrito em 2010 no formato de longos e médios poemas, explorando temas comuns na ficção científica, como viagens no tempo, viagens a outras dimensões, abduções alienígenas, super-heróis, clonagens, catástrofes planetárias e outros assuntos característicos da ficção científica. No entanto, à medida que os textos foram crescendo, houve a necessidade de convertê-los para o formato de contos e outros meios multimídias como a desta leitura de hoje.

Assim, o livro TERRASSOL é composto de 25 histórias que possuem como pano de fundo em comum, o planeta Terrassol e as histórias da sua única espécie inteligente: os terrassolenses, já há muito dizimados por ordem do Conselho Galático Universal.

Portanto essas histórias de Terrassol não são mais as narrativas originais dos terrassolenses, embora sejam baseados em seus documentos, nelas já se mesclam invenções, alguns exageros e também adaptações ao decorrer do tempo, à quais persiste um estranho senso de humor alienígena.

Nesta noite, o próprio autor Herman Schmitz apresenta uma leitura performática do seu conto O Pesadelo, no qual narra as desventuras com a passagem do tempo, de um tripulante solitário em uma estação espacial no sexto satélite do planeta Saturno. Lembremos que Saturno na mitologia romana está associado à Cronos, Deus do tempo; Deus impiedoso que diariamente devora aos seus próprios filhos...

Quero agradecer a todos os que me acompanham nesta viagem, especialmente a Christine Vianna pela oportunidade, ao Sergio Mello pelo apoio técnico e a todo o público participante que foi surpreendido e abduzido pela FICÇÃO CIENTÍFICA.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Herman Schmitz conta histórias de Terrassol — O Pesadelo


Leitura performática de um conto de ficção científica do meu livro Terrassol (inédito), narrando as dificuldades de um astronauta para sobreviver sozinho em uma estação espacial experimental orbitando Titã, o sexto satélite de Saturno.

***
Herman Schmitz é natural de Curitiba, mas vive em Londrina há mais de vinte anos. Poeta, Escritor, Ator, Músico diletante, e Design Gráfico, vem experimentando diversas linguagens ao longo de sua carreira.
 

Atualmente mantém os Blogs: Grafados (http://grafados.blogspot.com.br/) na área de literatura e imagem; e Marcianos Como No Cinema por onde divulga a literatura de ficção científica mundial, que infelizmente, é um planeta praticamente inexplorado no Brasil.

Terminou recentemente um livro de contos neste gênero intitulado Terrassol, com 25 histórias que se intercalam formando um mosaico da vida na Terra vista por olhos alienígenas.

Estudou Filosofia, Sociologia e Física inconclusos, mas atualmente, aos 52 anos de idade, está fazendo o segundo ano do curso de Letras.


Quem estiver em londrina nesta sexta 14 de março de 2014, não perca!!!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Galeria do Futuro - Quadros temáticos

Tigre! Tigre!

A Máquina do Tempo

Girinos em Órbita

Me dê a Mão

A Nado

Espelho Insólito

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Galeria Subliminar - H.S.

E assim vou recortando essas imagens que "me gustam", rasgando, replicando e apagando qualquer traço de identificação com o veículo original. Não mais me interessam quem desenhou, quem coloriu, quem editou e para quem foi ilustrada. Me interessa é preservar o essencial, o ponto vital da mensagem imagética, nem que para isso seja preciso esfoliá-la ou defraudá-la, anexando contrastes e matizes cromáticos mais ao meu gosto.

Três Poderes.

Nada a declarar.

Amanhã, depois de amanhã.

Mãometria.

Não tenho mais muito tempo.

Eu não disse?

Conectado.


Roda Girando, Esquindô Le-lê.