quinta-feira, 29 de maio de 2014

Edmund Cooper — As Exterminadores (Trecho e PDF)

Trecho de Edmund Cooper — As Exterminadoras

Tradução de Ana Paula Cunha
Ilustração da capa: José Lança Semedo
(c) 1972 by Edmund Cooper


CAPÍTULO I

Estava uma linda manhã de Estio - perfeita para o Dia da Exterminação. Rura tinha o carro flutuador a média elevação, para uma duração média de viagem, elementos que se adequavam quase exatamente aos escarpados vales de Cumberland. Cento e cinquenta quilômetros à hora, um metro acima do solo. Àquela velocidade não era provável ter quaisquer surpresas pelo caminho. Tinha muito tempo para chegar às Terras Altas da Escócia e fazer derramar sangue antes do anoitecer. De qualquer modo, o detector de caça que girava preguiçosamente sobre a sua cabeça podia apontar a existência de alvos convenientes muito antes de chegarem às Terras Altas. Alguns dos rebeldes aventuravam-se já a avançar para sul.
Rura estava cansada. Assim estavam, provavelmente, as suas companheiras, Moryn e Olane. A tradicional orgia da véspera da exterminação tinha este ano batido todos os recordes. Sem dúvida entraria para a história da Universidade como uma das maiores do século XXV. Rura lembrava-se ainda de ter feito amor com três moças. Depois disso, as coisas tornavam-se confusas. Sabiam as deusas quantas moças a tinham então amado.
Agora, o carro flutuador sibilava ao longo da encosta de Windermere. A luz do Sol inclinava-se sobre os baldios, transformando montes, rochedos e charnecas em texturas de infinita beleza. Num dia destes... Num dia destes, pensou Rura, como era fastidioso ter de ir caçar homens e borrar-se no seu revoltante sangue. Mas a tradição era a tradição. O Dia da Formatura na Universidade das Exterminadoras tinha sempre incluído este derrame de sangue simbólico. Era uma afirmação de fé e marcava o fim de dois anos de intensiva aprendizagem e treino.
«Mais duas semanas», pensou Rura, «e terei vinte anos. Terei direito à plena Condição de Mulher. Passarei a usar a caveira de ouro e os ossos cruzados, símbolos de uma exterminadora qualificada. As mulheres desejar-me-ão. E eu poderei escolher.» Rura sentiu o peso da culpa. Devia estar feliz. Mas sentia-se culpada. Culpada por que não estava feliz? Então por que não estava feliz? Não sabia. Tentou lembrar-se das moças que abraçara e com quem fizera amor. Tentou lembrar o largo olhar de surpresa estampado nos olhos delas. Tentou lembrar-se de lábios, seios, toque, intimidade, dádiva e aceitação. Mas só conseguia trazer à mente o vazio. Talvez tivesse andado a trabalhar de mais. (...)

Download o livro completo aqui: http://minhateca.com.br/Herman.Schmitz/Marcianos.Cinema/Autores/Edmund+Cooper/edmund+cooper+-+as+exterminadoras,5362674.pdf

Contracapa:

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